Porque devemos sonhar?

Fátima Lopes // Dezembro 1, 2020
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Sonhar é das coisas mais importantes que devemos fazer para preservar a nossa saúde emocional e psicológica.

A importância de sonharmos acordados

Sempre que sonhamos, viajamos. Transportamo-nos para outra realidade. Imaginamo-nos num cenário completamente diferente. Ao sonhar somos capazes de ir ao pormenor. Quando falo em sonhar, refiro-me a sonharmos acordados e é, precisamente, da importância do sonhar acordado que quero falar. Porque sonhar enquanto se dorme, sabemos todos que é importante, dito pelos especialistas na área. Mas, eu vou debruçar-me sobre o sonhar acordado.

O valor de sonhar acordado

Ao sonharmos acordados criamos uma realidade que ainda não é real. Ou seja, sentimos coisas que ainda não estão a acontecer, vemos cenários, pessoas, acções, factos que ainda não se tornaram reais. E, portanto, a nossa mente e o nosso corpo reagem a esses sonhos.

Faça um breve exercício de visualização criativa.

Este é um tipo de exercício que faço algumas vezes em qualquer sítio. A casa ou junto da natureza, são os meus locais de eleição. Gosto de fechar os olhos, fazer umas quantas respirações e sonhar. Sonhar com qualquer coisa. Deixar-me ir. E se sei bem o que quero, faço então um exercício de visualização criativa e coloco-me já, exatamente, naquele filme que quero que se concretize.

Sempre que nós sonhamos com uma conquista qualquer – como, por exemplo, com um novo projecto profissional – se nós nos detivermos aí, se fizermos um exercício de visualização criativa, imaginando esse filme do princípio até ao fim, com todos os detalhes, com pormenores (imaginando os cheiros, as sensações, o toque, o espaço onde estaremos, o convite que gostaríamos de receber, etc.), estamos a potenciar a sua concretização. Estamos a energizar e a multiplicar a nossa esperança, a nossa confiança, a nossa capacidade de não desistir e ir em frente até realizar o nosso sonho. E, por isso, sonhar é mesmo fundamental na nossa vida.

E tu, com o que é que sonhas?

Uma das formas de percebermos se alguém está bem ou não é perguntar-lhe: “E tu, com o que é que sonhas?”. E se a resposta for “Eu não sonho com nada” ou “Eu não tenho sonhos”, isto é sinal de tristeza, apatia, desinteresse pela vida. Normalmente estas são pessoas que estão deprimidas. São pessoas que não conseguem identificar nada à sua frente como se fosse um farol para dizer: “É para ali que eu quero ir”, “Vou conduzir o meu barco naquela direcção”, “Vou fazer esta e aquela acção porque eu sei que me permite lá chegar”. Isto é sonhar.

Os sonhos são também o nosso espaço privilegiado.

Ao fazermos a visualização criativa, podemos procurar que ela seja bastante realista. Manter os pés no chão é importante para não perdermos muita energia em sonhos irrealistas que sabemos não serem possíveis de realizar. Não há mal nenhum em sonhar coisas que não são concretizáveis, desde que saibamos disso.

Eu posso sonhar que vou tomar o pequeno-almoço à lua e depois vou almoçar a Marte, mas a possibilidade de isso se tornar realidade é nenhuma. E, portanto, ficarei aí se me der gozo, se me divertir. Sim, porque sonhar também é uma forma de nos divertirmos. Se não for assim, então não vale a pena. Mais vale sonhar apenas com aquilo que é real.

Não há razão para cortar nos seus sonhos.

Porém, enquanto sonhamos com aquilo que é real também nos podemos permitir brincar um bocadinho e ir para fora de pé. E, por vezes, até podemos sonhar com coisas que nos podem parecer absurdas, mas que se nos ocorreram é porque lá bem no fundo da nossa consciência se calhar existe uma vontade para o fazer acontecer. E se for uma coisa que pode vir a ser real, então, não há razão para cortar esse sonho. Não desista só porque o sonho é arrojado. Deixe estar. Ponha energia nesse sonho. Se para os outros isso não faz sentido e lhe dizem, “Isso nunca vai acontecer”, deixe que a vida mostre se assim é.

A vida é que sabe o que é possível.

Quando tirei o meu curso de Comunicação Social, na Universidade Nova de Lisboa, e tive de escolher a área de especialização, o que eu gostava mesmo, mesmo era de televisão, de aparecer no ecrã. E, na altura, eu disse a mim própria: “Não vale a pena dares esse passo e escolheres investir nessa área de especialização porque tu não tens imagem para dar a cara”. Eu achava que não tinha um rosto suficientemente apelativo e comunicativo para aparecer no ecrã. E, por isso, encarreguei-me de bloquear o meu sonho. Empurrei-o para um canto e decidi que não valia a pena dedicar-lhe energia porque não era possível tornar-se realidade.

Mas a vida é que sabe o que é possível. E, portanto, alguns anos mais tarde isto entrou-me como um plano para a vida adentro e eu percebi que aquele sonho que tinha colocado a um canto nunca tinha desaparecido. Eu tinha apenas deixado que ficasse num sítio onde eu não o potenciava, mas ele estava lá. E quando um sonho permanece lá e nós não o apagamos, acredito que o Universo arranja sempre condições e forma para que esse sonho se torne uma realidade. A mim ficou-me a lição: nunca apagues os teus sonhos.

Nunca apagues os teus sonhos.

Podes adiá-los, podes colocá-los na prateleira, mas não os apagues porque sonhar é mesmo o motor fundamental.

Quem sonha sorri mais. Quem sonha tem mais brilho. Quem sonha tem uma energia que é mais positiva. São pessoas com quem temos muito mais vontade de estar e tudo porque elas sonham! As pessoas que não sonham normalmente são mais cinzentas, são mais tristes e têm menos brilho. Então, se há muito tempo que não sonha, por favor resgate a sua capacidade de sonhar.

Nota: Fotografia por Verónica Silva

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