Perseverança - uma qualidade que nos ensina a mãe natureza

Daniela Ricardo // Fevereiro 26, 2022
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Perseverança
Perseverança

A perseverança é comummente descrita como uma qualidade daquele que persiste, que tem constância nas suas acções e não desiste diante das dificuldades. Perseverar pode ser também conquistar os seus objectivos devido ao facto de manter-se firme e fiel aos seus ideais e propósitos. 

Um sinónimo para a perseverança é a persistência, assim como a tenacidade e a constância. E, esta qualidade da perseverança está muito presente na natureza. 

Aqui onde eu vivo, no interior de Portugal, ou melhor, no Umbigo do nosso país, deparo-me todos os dias com esta característica da natureza. Nós, humanos, cortamos, arrancamos, queimamos, muitas vezes sem critério e a resposta da natureza é invariavelmente voltar a nascer, voltar a crescer. Ela persiste na sua vontade de crescer e mostrar todo o seu esplendor, pacientemente e, enquanto o faz, até nos oferece muitas dádivas.

Dou-vos o exemplo da Esteva. Uma planta que que por aqui abunda. Muitos dizem que é presságio que estamos a transformar esta terra num deserto, outros dizem que ela, por ser tão resistente, persistente, perseverante, está a ajudar a preparar o solo para novas espécies que para já não tem condições. Observando atentamente a natureza, sinto-me mais inclinada para a segunda versão. 

É de conhecimento público que esta região foi fustigada por incêndios em 2017 e 2018. Não ficou quase nada. Poucas foram as zonas que saíram incólumes. E a verdade é que hoje, já voltamos a ver tudo verde. Ainda não temos as árvores no porte grande, mas a quantidade de plantas que aqui surgem começa a crescer. As Estevas foram das primeiras, a sua robustez e capacidade de sobrevivência em solos pobres e sem rega, permitiu que crescessem nestas condições e transformassem estes vales em lindos jardins floridos. Agora existem muitas novas plantas, espécies que não via há muitos anos e me fazem recordar a minha infância.

Perseverança

Falando ainda da Esteva, uma planta pela qual me apaixonei, as propriedades medicinais ainda não estão bem investigadas. Da literatura sabe-se que é um poderoso anti-séptico, antibacteriano e antiviral. É utilizada externamente para lavar e desinfectar feridas, aliviar picadas de insectos. O óleo essencial extraído de toda a planta é utilizado em aromaterapia para combater o stresse e alguns estudos sugerem que pode ser eficaz para nos dar mais força, resistência e, quem sabe, perseverança. Tudo indica que pode ser um aliado para nos ajudar a não abandonar o nosso objectivo, o nosso propósito, os nossos princípios.

A perseverança é uma força que a natureza nos ensina e que está presente em todos nós.  Assim o queiramos.  

Muitos dizem que a perseverança está ligada à religião, à fé, mas eu diria que está ligada à nossa ligação ao todo.

São várias as histórias que temos de pessoas que foram perseverantes e conseguiram lograr o que os movia. 

Recordo o indiano Jadav Payeng, em 1979, um adolescente que decidiu tomar uma atitude para conter a erosão que afetava Majuli, a ilha onde mora. Ele começou a plantar árvores todos os dias e, após manter o hábito por 40 anos, Payeng foi capaz de criar, sozinho, uma floresta de 550 hectares. Payeng tinha apenas 16 anos, quando decidiu que iria plantar pelo menos uma árvore por dia enquanto viver, chamando a isso de retribuição à mãe natureza. O início foi difícil, não só pelo o caminho que tinha à sua frente, mas pelo simples facto de ser difícil encontrar sementes de árvores para plantar. A sua visão não era de plantar apenas um tipo de árvore, mas muitos tipos diferentes para realmente tornar a ilha especial e diversificada. Com o passar dos anos, a questão de encontrar sementes foi resolvida, pois as árvores que ele plantou começaram a dar sementes e, assim, ele conseguiu plantar ainda mais árvores todos os dias.

Yacouba Sawadogo é outro exemplo de perseverança que até ganhou o “Nobel Alternativo” por dar vida a hectares estéreis. Ele usou técnicas ancestrais para o alcançar. Durante a década de 1980, num período de seca severa, Sawadogo iniciou sua cruzada regenerando o solo de 40 hectares estéreis do Sahel transformando-o numa floresta exuberante e fazendo uso inovador de técnicas agrícolas nativas.

Outro exemplo digno de referência é António Vicente. Sozinho criou uma pequena floresta com árvores nativas da Mantiqueira. Ele dedicou 43 anos a plantar árvores, onde antes existia apenas pasto. E o resultado é impressionante. No meio da mata estão os maiores tesouros da vida deste homem: as nascentes de água que se transformam em oito lindas cascatas, cada vez maiores e mais fortes espalhadas pelo terreno de 31 hectares. Tudo graças à reflorestação.

Escolhi estes exemplos porque envolvem a nossa casa, a natureza, e porque a perseverança implica trabalho, tenacidade, e não ter pressa. 

A minha avó sempre diz: “depressa e bem há pouco quem”. A verdade é que nós, humanos, temos cada vez mais pressa em obter resultados e não temos a paciência para esperar que tudo ocorra no ritmo certo. A verdade é que sem esta paciência talvez não consigamos ser perseverantes. Nos exemplos acima percebemos que foram vidas dedicadas a esse propósito.

Isso aplica-se a tudo. Aplica-se ao caminho do autoconhecimento, temos que praticar todos os dias, observar todos os dias, vigiar o pensamento todos os dias… só assim conseguiremos ser como as estevas que, apesar das condições circundantes não serem as mais favoráveis, brilha e resiste com todo o seu esplendor. Aplica-se à culinária, à que ser persistente para chegar a fazer bem, perfeito. Eu fiz muitas asneiras na cozinha, cometi muitos erros, mas não desisti. Hoje posso dizer que foram esses erros que me ajudaram a chegar onde hoje estou. Os erros, o treino, a persistência, a perseverança.

A verdade é que podemos fazer a diferença todos os dias. Todos podemos melhorar todos os dias, mesmo que seja algo que já fizemos ontem e hoje repetimos. Porque cada dia é uma nova dádiva de aperfeiçoamento, de resistência, de crescimento, de persistência, de perseverança…

A perseverança é uma dádiva que se constrói com o abraçar de cada dia.

A receita de hoje não é de comer pela boca, mas através da pele. Não esquecer que tudo o que colocamos na nossa pele ao fim de alguns segundos está na nossa corrente sanguínea.

Como fazer óleo hidratante de Esteva?

Este óleo hidratante aprendi a fazer com a minha querida Fernanda Botelho, que é especialista em plantas silvestres.

Ingredientes:

  • Folhas de Esteva;
  • Azeite ou Óleo de grainha de uva.

Modo de preparação:

  • Coloque as folhas de Esteva bem compactadas num frasco de vidro transparente de 500 ml. Encha com azeite ou óleo de grainha de uva. Coloque a tampa e deixe ao sol, durante três semanas a um mês;
  • Passado esse tempo, coe com um passador fino. Obterá um óleo corporal hidratante e repelente de mosquitos.

Ao escolher a Esteva, o óleo terá um aroma a Verão e propriedades antibacterianas, antifúngicas e ao que parece perseverança!

Atreve-te a ser diferente!

Vive consciente!

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