Num tempo em que tudo parece urgente e efémero, viver com equilíbrio deixou de ser apenas uma escolha saudável — passou a ser um verdadeiro acto de coragem. A desconexão com o corpo, o afastamento dos ritmos naturais e a falta de escuta interna tornaram-se comuns. Muitas vezes, sintomas como cansaço persistente, insónias, ciclos menstruais irregulares, desconfortos digestivos, compulsão alimentar, dores menstruais, queda de cabelo, baixa libido ou ansiedade são encarados como parte inevitável da vida adulta. Mas não são. São sinais — e o corpo avisa muito antes de adoecer.
A vitalidade como prioridade
A vitalidade não é um luxo. É a base de uma vida plena e deveria ser uma prioridade. Cuidar da nossa fisiologia natural não é uma tendência: é um compromisso com aquilo que temos de mais essencial. É escolher viver com mais presença, mais clareza e mais vida — algo que exige coragem, consistência e responsabilidade, muito para além da ideia romântica da motivação.
Confiar no corpo
Hoje, mais do que nunca, é urgente sair do ciclo de sobrevivência e recuperar a confiança no corpo. Porque, ao contrário do que tantas vezes nos ensinaram, ele não está contra nós — ele comunica connosco, se soubermos escutar e respeitar os seus sinais.
Da fertilidade à longevidade
Na prática clínica, acompanho mulheres e homens em diferentes fases da vida — da pré-concepção à menopausa ou andropausa (toda a vida, portanto!). Da fertilidade à longevidade, como costumo dizer. E o que observo é claro: quando o objectivo é viver mais tempo com saúde e vitalidade, a fisiologia natural tende a restabelecer-se. Os níveis hormonais melhoram, o sistema imunitário equilibra-se, o sono regula-se, a digestão torna-se mais eficaz, a libido regressa. E, com isso, a fertilidade reaparece de forma espontânea e descomplicada.
Focar apenas na fertilidade pode trazer resultados pontuais. Mas quando cuidamos da longevidade, activamos os pilares que sustentam a saúde a longo prazo — e a fertilidade deixa de ser esforço para voltar a ser expressão natural.
Não, não é uma utopia viver com saúde, energia e propósito. Mas exige sair do piloto automático, romper padrões, parar de adiar.
Se esperarmos pela motivação para começar, é provável que nada mude. É a acção que traz clareza, e é o compromisso que gera verdadeira transformação.
8 práticas essenciais para viver com mais saúde, vitalidade e longevidade:
1. Alimentação real, variada e anti-inflamatória
Prefira alimentos naturais, com boa densidade nutricional. Reduza o consumo de ultraprocessados, farinhas refinadas, açúcares e álcool (se for todos os sábados, já não é excepção — é rotina disfarçada).
2. Suplementação personalizada
Embora a base deva ser sempre a alimentação e o estilo de vida, há carências que exigem atenção clínica. A suplementação bem orientada pode optimizar a regulação hormonal, o sistema imunitário e a performance metabólica. Uma equipa multidisciplinar é fundamental e, por isso, na Essence encaminhamos sempre quando necessário para a nutrição.
3. Medicina Chinesa Integrativa
Quando aliada à Medicina Funcional Integrativa — tal como a Medicina Tradicional Chinesa, uma abordagem clínica baseada na investigação da causa raiz, na interligação entre sistemas (digestivo, imunitário, hormonal, neurológico, etc.) e na optimização da saúde de forma personalizada — o impacto é amplificado.
Esta união entre a ciência e a essência permite cruzar padrões energéticos com marcadores laboratoriais, respeitando a bioindividualidade e os factores ambientais, genéticos e emocionais que influenciam o estado de saúde. Compreende-se, assim, que a epigenética desempenha um papel determinante na forma como esses factores moldam a expressão da saúde ao longo da vida.
O resultado são estratégias terapêuticas mais integradas, eficazes e duradouras, que promovem avaliações mais profundas, tratamentos personalizados e uma abordagem centrada na prevenção e restauração da saúde.
O foco é uma equipa multidisciplinar que coloque o utente no centro da sua prática e tenha uma visão holística, funcional e integrativa.
4. Exercício físico (idealmente de manhã)
Estimula o metabolismo, melhora o humor, fortalece os músculos, favorece o cortisol e regula o ritmo circadiano.
5. Sono de qualidade (idealmente das 22h00 às 06h00)
Durante este período, o corpo regenera tecidos, favorece a melatonina, equilibra hormonas e optimiza as suas funções essenciais.
6. Microbioma intestinal equilibrado
A saúde gastrointestinal impacta directamente o sistema imunitário, o metabolismo, o humor e até o funcionamento neurológico.
7. Respiração consciente
Respirar de forma lenta e profunda activa o sistema nervoso parassimpático, reduz o stress e melhora a oxigenação celular — uma prática simples, mas com impacto profundo.
8. As 5 pessoas mais próximas de nós
Somos profundamente influenciados por quem nos rodeia. Estar próximo de pessoas que nos respeitam, inspiram e apoiam é determinante para a saúde emocional, hormonal e até imunológica.
O corpo sabe. Escutá-lo é transformar a vida.
A vida não precisa de ser vivida em esforço constante, nem num corpo que apenas resiste à espera de um dia ideal para, então, começar a viver de verdade. Quando aprendemos a escutá-lo, compreendê-lo e cuidar dele com respeito, tudo se transforma.

No livro “O Corpo Sabe Quem És”, partilho esta visão integrativa da saúde com ferramentas práticas que nos ajudam a viver em maior sintonia com a nossa natureza, com mais vitalidade, clareza e presença. Porque o bem-estar não deve ser uma excepção. Deve ser o ponto de partida.

