Túnel

Cristina Santos Costa // Março 26, 2017
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Confesso que a minha câmara fotográfica pequena e compacta às vezes causa-me algumas surpresas.

Se há objeto que compita comigo nos passos que dou será aquela máquina preta a caber na palma de uma mão. Vive comigo. Conhece-me os segredos sem os revelar.

Com ela a vida é simples, descomplicada. Mas é num momento de sorte que o passo de magia se dá. Que a luz brinca sozinha com aquelas lentes escondidas num corpo que cabe num bolso das calças  e num abraço de contentamento se conjugam para guardar o momento. Aquele momento!

Foi sorte. Foi só olhar com os olhos que a fotografia nos acrescenta e ficar naquela espécie de oração com a luz.

O silêncio vivia ali naquele espaço por baixo de uma cidade onde a pressa se transforma num mar de sons a desabar no ruído da rebentação das ondas.

É por isso que o silêncio gosta de se esconder por ali numa brincadeira quase infantil com a luz que se escapa, sorrateira, lá para dentro.

É assim um coração gigante que estende braços por baixo da terra … nas suas veias correm os silêncios de uma cidade que não pára … a não ser ali!

 

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