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	<title>Arquivo de tarefas domésticas - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Arquivo de tarefas domésticas - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>Tarefas Domésticas: Ajudar vs Partilhar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudia Morais]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2019 07:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAMÍLIA]]></category>
		<category><![CDATA[Casais]]></category>
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		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falar sobre tarefas domésticas implica, invariavelmente, falar de braços-de-ferro a propósito da sua distribuição. Para a&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Falar sobre tarefas domésticas implica, invariavelmente, falar de braços-de-ferro a propósito da sua distribuição. Para a esmagadora maioria das famílias, o bem-estar é maior quando as tarefas são partilhadas de forma equilibrada. No entanto, </span><b>a maior parte das mulheres acabam por sentir-se sobrecarregadas com estes afazeres ao mesmo tempo que a maioria dos homens acreditam que fazem tanto como elas.</b></p>
<h2><b>Porque é que, na teoria, aplaudimos a ideia de que é importante partilhar e, na prática, na maioria das vezes os homens continuam apenas a ajudar?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">(Quase ninguém) dá pulos de contentamento por ter a ‘oportunidade’ de limpar a casa de banho. E, mesmo para as pessoas que gostam de manter a casa limpa e arrumada, a distribuição das tarefas domésticas é um assunto que dá pano para mangas e que está quase sempre envolto em alguma tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meu trabalho com casais, deparo-me muitas vezes com queixas relacionadas com este assunto. De uma maneira geral, elas sentem-se injustiçadas por terem de realizar muito mais tarefas do que os homens e estes sentem-se injustiçados porque acreditam que fazem tanto como as mulheres.</span></p>
<h2><b>Quem tem razão?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números não mentem. Há diversos estudos que mostram que as mulheres continuam a ter sobre os seus ombros mais tarefas domésticas do que os homens, independentemente de também trabalharem fora de casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, segundo os dados do estudo “Homens, papéis masculinos e igualdade de género”, os homens gastam oito horas por semana em tarefas domésticas, enquanto as mulheres gastam 21.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que diz respeito aos cuidados familiares, como o cuidado com os filhos, a divisão de tarefas também não é equilibrada. Eles gastam 9 horas por semana com estes afazeres, enquanto elas gastam 17.</span></p>
<p><b>É verdade que hoje os homens participam muito mais ativamente nas tarefas domésticas do que há 20 ou 30 anos. É verdade que quase todas as mulheres reconhecem que podem contar com a ajuda do companheiro.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo no que diga respeito aos cuidados prestados às crianças, houve uma mudança muito significativa nas últimas décadas: quase todos os pais (homens) mudam fraldas, dão banhos, ajudam com os trabalhos de casa, etc. Mas, no final das contas, continua a haver desequilíbrio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquilo que é curioso é que a maioria dos homens acreditam que fazem mais tarefas do que, na realidade, concretizam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As coisas pioram quando a mulher ganha mais do que o marido: nestes casos, quanto mais a mulher ganha, de uma maneira geral, menos o marido participa nas tarefas domésticas.</span></p>
<h2><b>É uma questão de masculinidade?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Poder-se-ia pensar que esta é uma questão que afeta sobretudo os países latinos, onde a masculinidade ainda é colocada em causa por tudo e por nada, mas a verdade é que até na Suécia, onde há muitos pais que estão em casa a tomar conta dos filhos a tempo inteiro (sem que isso belisque a sua masculinidade), as mulheres gastam em média mais 45 minutos por dia em tarefas domésticas do que os homens.</span></p>
<p><b>A verdade é que, para muitas mulheres, a ideia de o marido passar a desempenhar mais tarefas é agridoce. Por um lado, desejam-no mas, por outro, temem que as tarefas não sejam bem desempenhadas.</b><span style="font-weight: 400;"> Não é tanto uma questão de acharem que eles não vão ser capazes. É, sobretudo, uma questão de acharem que eles não vão fazer bem de propósito.</span></p>
<p><b>Uma das queixas mais frequentes no meu consultório tem a ver com a falta de reconhecimento.</b><span style="font-weight: 400;"> Muitas mulheres queixam-se porque, na sua ótica, o marido não “vê” a extensão do seu trabalho. Sentem-se desvalorizadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, muitas vezes aquilo que acontece é que há, efetivamente, um grau de exigência diferente em relação à forma como as tarefas são executadas. A maior parte das mulheres acabam por ser mais exigentes do que a maior parte dos homens e estas diferenças podem ser interpretadas como falta de interesse ou desvalorização.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há tempos, no meu consultório, uma mulher queixava-se desta forma: «Aquilo que mais me irrita é ter de andar atrás dele [marido], ter de completar aquilo que ele deixa inacabado. Tenho de limpar a bancada depois de ele lavar a loiça. Tenho de retirar os legumes estragados do frigorífico depois de ele arrumar as compras. Tenho de apanhar os pêlos que ficam espalhados pelo lavatório depois de ele desfazer a barba – ainda que ele tenha tido o cuidado de varrer o chão e lhe pareça que o espaço ficou impecável».</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes conflitos acabam por traduzir algumas diferenças em relação à forma como homens e mulheres são educados. </span><b>Independentemente da luta pela igualdade de género, a maior parte das mulheres acabam por sentir que é sobre si que recairão as críticas se a casa não estiver suficientemente limpa, ou se os filhos não estiverem a receber os devidos cuidados.</b></p>
<p><b>Isso acaba por refletir-se no comportamento de homens e mulheres: elas são muito mais obsessivas, mais atentas aos detalhes e eles são muito mais relaxados.</b><span style="font-weight: 400;"> E também se reflete no volume de preocupações: são quase sempre elas que se preocupam com tudo o que há para fazer e que se organizam no sentido de nada ficar para trás. Ouço muitas vezes a queixa «Era bom que ele fizesse [a tarefa X] sem que eu tivesse de lhe pedir». A maior parte dos homens acabam por limitar-se a escolher algumas tarefas da lista definida pela mulher.</span></p>
<p><b>Não é por acaso que há tantas mulheres que mostram sinais de esgotamento emocional. Sentem-se assoberbadas, como se carregassem o mundo às costas.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se cada um for capaz de reconhecer e dar voz às suas necessidades, é mais provável que surjam soluções de compromisso que promovam o bem-estar de toda a família. Mas isso não tem de equivaler a que o homem faça exatamente aquilo que a mulher considera que é justo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquilo que quero dizer é que se é verdade que há tarefas que não podem deixar de ser feitas – e que é bom que sejam distribuídas de forma equilibrada -, também é verdade que, neste assunto, menos pode ser mais. Na prática, se os membros do casal concordarem que nenhum dos dois tem tempo para aspirar o carro, pode ser mais saudável aceitar que o carro passe semanas sem ser aspirado em vez de alimentar braços-de-ferro sobre quem-fez-o-quê.</span></p>
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