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	<title>Arquivo de luto - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Arquivo de luto - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>Contos de Luz</title>
		<link>https://simplyflow.pt/contos-de-luz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Felizardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Cerimónia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de Luz]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Felizardo]]></category>
		<category><![CDATA[Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Pais]]></category>
		<category><![CDATA[Worldwide Candle Lighting]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi sob o lema: “que as suas luzes brilhem para sempre” que nos propusemos a organizar a edição portuguesa do WCL, o Contos de Luz, que conta já com a sua oitava edição.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/contos-de-luz/">Contos de Luz</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Contos de Luz (<em>Worldwide Candle Lighting</em>) é uma cerimónia de homenagem a crianças e jovens que perderam a vida.</strong></p>



<p>O <em>Worldwide Candle Lighting</em> (WCL) é uma iniciativa dos <em>The Compassionate Friends</em>, uma associação sem fins lucrativos de apoio a pais em luto sediada nos Estados Unidos da América, que une famílias e amigos em todo o mundo, na homenagem a crianças e jovens que perderam a vida. O evento realiza-se todos os anos no segundo domingo de Dezembro e consiste em acender uma vela às 19h00 locais, criando uma onda de luz que percorre o planeta há medida que se avança pelos diferentes fusos horários.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Este evento começou nos Estados Unidos em 1997 com a iniciativa de um pequeno grupo de partilha composto por pais em luto, que se reunia online e decidiu criar um movimento memorial para recordar os filhos perdidos.&nbsp;</strong></h2>



<p>Depressa se propagou e <strong>hoje existem centenas de eventos de </strong><strong><em>‘Candle Lighting’</em></strong><strong> – cerimónias de luz &#8211; por todo o mundo</strong> com milhares de velas a recordar os que partiram demasiado cedo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acredita-se que este é o maior evento do género realizado em todo o mundo.&nbsp;</strong></h2>



<p>Foi sob o lema: “que as suas luzes brilhem para sempre” que nos propusemos a organizar a edição portuguesa do WCL, o <a href="https://www.cfeliz.pt/pt/blog/contos-de-luz-2022" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Contos de Luz</a>, que conta já com a sua oitava edição.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Contos de Luz &#8211; 8.ª edição</strong></h2>



<p>O que sabemos sobre o <a href="https://simplyflow.pt/cantei-te-os-parabens-num-sussurro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">luto</a> de pais que perdem um filho? É a Dor Maior. É aquele tipo de dor que não parte apenas o coração, também fratura a alma. É a dor indizível, dizem elas e eles, as mães e os pais em luto. Os pais daquele amor que veio com a promessa de uma esperança no futuro, a promessa de lhes continuar. Aquele amor que era parte deles. Por isso, quando o Amor maior é perdido, quando o filho morre antes da sua mãe e do seu pai, é a vida a desafiar as leis da natureza. É contranatura, dizem. E é.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sabendo que o luto de pais que perdem um filho pode ser vivido com grande sofrimento, acreditamos que as estratégias de superação para uma perda tão profunda são aquelas que permitam a adaptação à nova realidade através da manutenção do vínculo afetivo.&nbsp;</strong></h2>



<p>De facto, pedir a um pai e uma mãe em luto para aceitarem a morte do seu filho será contra a natureza humana. Mas criar um espaço e dedicar um momento para que ambos possam recordar, partilhar as memórias deste filho, deste jovem, desta criança, com os demais que os rodeiam, é uma forma de manter o laço afetivo, que mesmo sabendo-se perdido, permanecerá vivo nos corações de quem o homenageia.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Contos de Luz é esse espaço e tempo.&nbsp;</strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-FNjRx' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Aqui contam-se histórias de brincadeiras, de sorrisos marotos, de palavras carinhosas, de doces memórias. Aqui contam-se histórias de vidas, vidas jovens cheias de luz… aqui celebram-se os Contos de Luz. Para quê? Para que as “suas luzes jamais sejam esquecidas”.</p>



<p>Junte-se a nós no dia 11 de Dezembro, às 18h00, online no live do Facebook da página <a href="https://www.facebook.com/byCristinaFelizardo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CfelizbyCristinaFelizardo</a>, ou presencial na sede da Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, para juntos acendermos uma vela por aqueles que nos deixaram demasiado cedo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="597" height="875" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF.jpg" alt="" class="wp-image-18654" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF.jpg 597w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF-205x300.jpg 205w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF-460x674.jpg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF-160x235.jpg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF-320x469.jpg 320w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/12/CdL22_Cartaz_VF-480x704.jpg 480w" sizes="(max-width: 597px) 100vw, 597px" /></figure></div>


<p class="has-small-font-size"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="has-small-font-size">Buyukcan-Tetik, A., Finkenauer, C., Schut, H., Stroebe, M., &amp; Stroebe, W. (2017). The impact of bereaved parents’ perceived grief similarity on relationship satisfaction. <em>Journal of Family Psychology</em>, <em>31</em>(4), 409–419. https://doi.org/10.1037/fam0000252</p>



<p class="has-small-font-size">Ferow, A. (2019). Childhood Grief and Loss. <em>European Journal of Educational Sciences</em>. https://doi.org/10.19044/ejes.s.v6a1</p>



<p class="has-small-font-size">Stroebe, M., Schut, H., &amp; Boerner, K. (2017). Models of coping with bereavement: an updated overview | Modelos de afrontamiento en duelo: un resumen actualizado. <em>Estudios de Psicologia</em>, <em>38</em>(3), 582–607. https://doi.org/10.1080/02109395.2017.1340055</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-FNjRx' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>5 Mitos sobre o luto</title>
		<link>https://simplyflow.pt/5-mitos-sobre-o-luto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Tapia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Aug 2021 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Tapia]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As reações são muito diferentes consoante as pessoas, mas quanto maior a perda mais intensas são as manifestações. Para se poder seguir em frente, para que se possa aprender a viver com a realidade que já não se tem é preciso aprender a fazer o luto.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“O poeta é um fingidor</p><p>Finge tão completamente</p><p>Que chega a fingir que é dor</p><p>A dor que deveras sente.”</p><cite>Fernando Pessoa</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é o luto ?</strong></h2>



<p>O luto é uma reação normal face à perda de alguém ou algo que se considera valioso e que precisa de ser vivido para que a sua vida prossiga. Apesar de se associar o luto facilmente à morte de alguém querido, este “viver”, que sucede ao desaparecimento de algo significativo, abrange várias áreas da vida: prejuízo ou alteração financeira ou de estatuto, doença, reforma, desaparecimento de um animal de estimação, perda de um sonho, ou projeto de vida que nunca se concretizou, ou um amor que nunca se viveu, por exemplo na relação com os pais, numa amizade, uma relação romântica, num casamento, num divórcio.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se manifesta esta reação à perda?</strong></h2>



<p>As reações a estas perdas podem ser tão variadas na sua manifestação – choque, raiva, negação, culpa, tristeza, vazio – como na intensidade, quase como um terramoto, mas com diversas intensidades que vão desde a incapacidade de sentir um conjunto de emoções sentidas como verdadeiramente avassaladoras e que não são sempre características de infelicidade e angústia, espelhando por vezes emoções e humor positivo.</p>



<p>O sofrimento associado a esta perda pode incluir também manifestações físicas acompanhadas por dificuldades em dormir, comer, ou outras de natureza mais intelectual como dificuldade em raciocinar, perda de memória, entre outros.</p>



<p>As reações são muito diferentes consoante as pessoas, mas quanto maior a perda mais intensas são as manifestações. Para se poder seguir em frente, para que se possa aprender a viver com a realidade que já não se tem é preciso <a href="https://simplyflow.pt/como-fazer-o-luto-em-tempos-de-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aprender a fazer o luto</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>5 Mitos associados ao luto:</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>1. O sofrimento desaparece mais depressa se não se der importância.</strong></h3>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-X6Uqo' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>O facto de não se pensar não quer dizer que o sofrimento desapareça. <strong>Para que haja alívio real é importante reconhecer e aprender a lidar com o mesmo.</strong> Sentir tristeza, desamparo, medo, solidão são reações normais a uma perda. O que aproxima verdadeiramente as pessoas é a autenticidade das suas vulnerabilidades, não o fingir que nada acontece apesar de, muitas vezes, o fazer com receio de não conseguir lidar com as ondas de sentimentos ou mistura de emoções que possa vir a sentir.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>2. O luto faz-se no máximo num ano.</strong></h3>



<p>Algumas pessoas restabelecem-se em semanas ou meses, outras precisam de anos. E por vezes pode ser benéfico pedir ajuda para se aprender a lidar com a nova realidade, ou apenas para expressar os sentimentos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>3. Se não chorar ou se entristecer significa que não se importa.</strong></h3>



<p>Chorar ou sentir tristeza são reações normais relativamente à perda, mas não são as únicas manifestações de sofrimento.<strong> Cada pessoa expressa a sua dor de forma diferente.</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>4. Fazer uma vida normal ou seguir em frente significa esquecer o que ou quem se perdeu.</strong></h3>



<p>Seguir em frente implica retomar a vida que se tinha ou reconstruir a mesma face à nova realidade. É uma forma de sobreviver e não significa que se tenha esquecido ou desvalorizado o que aconteceu. Quando se trata da perda de alguém, o seguir em frente muitas vezes significa encontrar uma forma de a pessoa que partiu se tornar numa parte fundamental da sua vida quer através da inspiração da sua memória, e da integração de todo o legado que a pessoa deixou, na forma como viveu, se relacionou consigo e o que lhe deixou de forma material ou intangível no seu coração e na sua mente.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>5. O luto só se refere à perda de alguém querido.</strong></h3>



<p>Se a reação de luto sucede em várias áreas da sua vida, é sempre tempo de o fazer quando sentir que de alguma forma ficou preso num acontecimento, numa altura da sua vida, numa relação, num projeto que nunca concretizou, mas não conseguiu esquecer. E, preste atenção, pois <strong>enquanto não aprender a lidar com o que perdeu nunca conseguirá vencer o medo, o que lhe possibilitará, verdadeiramente, seguir em frente</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Ninguém me disse que o sofrimento</p><p>se parecia tanto com o medo.”</p><cite>C.S. Lewis</cite></blockquote>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-X6Uqo' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Amor para a vida toda, até que a morte nos separe&#8230;</title>
		<link>https://simplyflow.pt/amor-para-a-vida-toda-ate-que-a-morte-nos-separe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Felizardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jun 2021 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casais]]></category>
		<category><![CDATA[Casal]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Felizardo]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Viúva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> Choramos quem amamos, por isso, a viagem que se seguiu começou em tristeza. É difícil, claro que é, mas em boa verdade, é a forma que temos de homenagear os nossos amores perdidos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/amor-para-a-vida-toda-ate-que-a-morte-nos-separe/">Amor para a vida toda, até que a morte nos separe&#8230;</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E assim começou a história deles, o casal de enamorados que, perante o olhar de família e amigos, prometiam-se amor para a vida toda. Um beijo selou o compromisso e todos saudaram os noivos. A vida era bela, sem dúvida. Naquele momento era o sonho dela tornado realidade: a história da princesa que encontra o seu príncipe encantado e viveram felizes para sempre. Pelo menos era o que atravessava o seu pensamento enquanto deslizava pelo enorme salão da festa para a primeira dança com o noivo. O seu noivo… ai! Marido! A palavra ainda era muito nova e ainda não saía com a ligeireza que se pedia.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vida continuou levando o jovem casal de enamorados atrás de si.&nbsp;</strong></h2>



<p>Aquele amor jovem, romântico e intempestivo, cresceu e deu lugar a um amor companheiro. Aqui a magia dos reinos dos príncipes encantados e das princesas em perigo já tinha perdido o seu encanto, mas isso não a perturbava, ou entristecia, pelo contrário: fazia-lhe sentido assim. Era melhor. Os filhos, os desafios profissionais, a rotina doméstica, tudo isso, tinha transformado o seu príncipe perfeito, num homem real, mundano, cuja barriguita que teimava em se salientar atrás da camisa, camuflava os outrora abdominais perfeitos e denunciava quão de carne e osso, ele realmente era. E era tão melhor.&nbsp;</p>



<p>Aquele homem, outrora príncipe do seu reino, tinha sido o seu melhor amigo quando lhe contava uma história cómica só para a fazer rir nos dias mais tristes, quando passava horas de domingo à tarde ao seu lado a tagarelar e a relaxar, quando lhe segurou a mão durante o parto, quando ficou ao seu lado nos dias mais difíceis e sussurrou um “vamos ficar bem”; o melhor pai para os seus filhos, quando os ajudava nos trabalhos de casa, ou quando se enfiava dentro da casa das bonecas a beber o chá de faz-de-conta, ou quando se levantava às 04h00 para dar o antibiótico; o melhor colega de equipa quando a escutava sobre os problemas lá do escritório, quando ajudava a aspirar a casa, ou quando a ajudou a escolher a tinta para a parede do quarto aquando da remodelação; o melhor amante, quando combinava com a sogra para ficar com os miúdos no fim de semana em que tinha reservado estadia no hotel e spa, quando oferecia lingerie atrevida, ou quando a envolvia num terno abraço depois do amor e ficava na “conversa de almofada”; o melhor companheiro de uma vida. Sem dúvida, assim era bem melhor que continuar casada com um príncipe encantado. E a promessa de amor para a vida toda continuava.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Até ao dia em que a vida não continuou.</strong> </h2>



<p>E não foi preciso mais do que um segundo para que a promessa fosse falhada. “Lamento”, disseram eles, a família e os amigos, agora, novamente reunidos, não no salão de festas a admirar a noiva que elegantemente dançava com o seu noivo, mas a consolar a viúva que enterrava o seu marido.&nbsp;</p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-wDsNm' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Até que a morte nos separe.</strong> <strong>Era a frase que ecoava dentro de si.</strong>&nbsp;</h2>



<p>Sim, tinha sido dita na altura da promessa, mas por alguma razão ela escolheu ficar com a outra verdade, que era mais simpática, aquela do amor para a vida toda. Aquela que lhe garantia que aquele marido, aquele homem, o companheiro de uma vida, continuaria ali ao seu lado, a fazer equipa consigo, a dar-lhe a mão, a cuidar dos filhos, a amá-la… até ao fim da sua própria vida. Mas a morte veio e separou-os. E quando o fez roubou-lhe muito, fez com que perdesse muito.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A viúva.&nbsp;</strong></h2>



<p>Era o que a sociedade lhe chamava agora: viúva. Mas uma viúva apenas enterra o marido. Ela tinha enterrado tão mais do que isso. Enterrou o melhor amigo, o melhor pai dos seus filhos, o melhor colega de equipa, o melhor amante. Enterrou a sua cara-metade. E agora? Como conseguiria viver a vida sem metade de si? Sem o pilar que a amparava? Sem o porto seguro?&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Choramos quem amamos, por isso, a viagem que se seguiu começou em tristeza.&nbsp;</strong></h2>



<p>É difícil, claro que é, mas em boa verdade, é a forma que temos de homenagear os nossos amores perdidos. Começa-se por chorar, por ansiar que o tempo volte atrás e reponha a ordem correta das coisas, por buscar o amor perdido nos detalhes do tempo, nos detalhes do espaço. Mas o tempo não volta atrás e a busca é frustrada. E chora-se quando se percebe que aquele amor é perdido para sempre. Mas depois as lágrimas enxugam. O olhar deixa de ficar posto no passado e começa a atentar o que a rodeia: os filhos que têm jeitos do feitio do pai, a remodelação da casa de banho do rés do chão que tinha ficado a meio e que agora tinha de ser concluída, tal como tinham combinado. Lentamente, ela vai encontrando um bocadinho do seu amor em cada gatilho de espaço, em cada gatilho de tempo, em cada doce memória. E tem ali tantas memórias. Tanta vida vivida. Tanto amor nessa vida.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E uma saudade para a vida toda. </strong></h2>



<p>Embora de coração destroçado ela percebeu: a verdade permaneceu a mesma, a do amor para a vida toda. Apenas inverteu. Afinal, foi ela que o amou, até ao fim da vida dele. Cumpriu a sua promessa. E agora, de coração em paz, guarda esse amor com ela, revisitando-o nas doces memórias, sempre que a <a href="https://simplyflow.pt/cantei-te-os-parabens-num-sussurro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saudade</a> aperta, para sua vida toda. <strong>Até ao dia em que a morte os volte a juntar.</strong></p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-wDsNm' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Como fazer o luto em tempos de pandemia?</title>
		<link>https://simplyflow.pt/como-fazer-o-luto-em-tempos-de-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Tapia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Tapia]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O segredo do amor é maior  do que o segredo da morte.”  Oscar Wilde  No dia&#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/como-fazer-o-luto-em-tempos-de-pandemia/">Como fazer o luto em tempos de pandemia?</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O segredo do amor</p><p>é maior </p><p>do que o segredo da morte.” </p><cite>Oscar Wilde </cite></blockquote>



<p>No dia 29 de maio 2020, pelas 12h30, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou no mundo 357 688 mortes por motivos atribuídos ao COVID-19. Estes números distam significativamente do número de mortes da pandemia da pneumónica, que decorreu entre 1918-1919 (cerca de 50 milhões). Essa catástrofe foi ultrapassada em situações muito piores do que as atuais, determinadas pela saída da primeira guerra mundial, estado de saúde débil da população, entre outras.&nbsp;</p>



<p><strong>Pandemias, mortes, perdas, apesar de fazerem parte da vida, não significa que estejamos preparados para lidar com estas situações</strong>. Nos últimos meses do ano de 2020, o mundo tem vindo a ficar suspenso com medidas progressivas de confinamento, que restringem a liberdade individual, geram confusão, incerteza e uma crise social e económica com riscos incontáveis para a saúde mental. A segurança que se tinha é ameaçada pelo medo de um inimigo invisível COVID-19, pouco conhecido, e que coloca a vida, a saúde, e tudo o que conhecíamos como garantido em risco, propiciando um conjunto de perdas difíceis de lidar, particularmente, quando são ignoradas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que significa “fazer o luto”?</strong></h2>



<p>O luto é um conjunto de reações que se sucedem à perda de algo ou alguém. A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross, nos anos 60, identificou o luto como um processo presente em doentes terminais. Mais tarde associou o luto, não só à perspectiva de perda da vida por motivo de uma doença terminal, morte de alguém significativo, mas também outras perdas: emprego, a saúde, problemas de infertilidade, divórcio, entre outras mudanças de vida.&nbsp;</p>



<p><strong>Efetuar um luto implica reconhecer o que se sente, não fugir das emoções, dar tempo e espaço para lembrar e sentir, como também, distrair-se ocasionalmente e seguir em frente.</strong>&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual a diferença que ocorre num panorama de pandemia? </strong></h2>



<p>A frequência e variedade das perdas é maior. O perigo de contágio está presente em qualquer parte do mundo ameaçando a segurança. As mortes, comparativamente aos outros anos, têm vindo a aumentar. Às medidas de emergência e calamidade pública sucedem-se postos de trabalho em perigo, desemprego, baixa de rendimento, maior propensão para crises familiares e violência doméstica, distanciamento e isolamento social, menor mobilidade pelo fecho de fronteiras, diminuição do tráfego aéreo, entre outros.&nbsp;</p>



<p><strong>Sucede-se um conjunto de perdas, que incluem a morte de pessoas significativas, desemprego, baixa de rendimentos que influenciam quer o estilo de vida, quer a forma de trabalhar e relacionar-se com os outros.</strong>&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O luto é igual para todas as pessoas?</strong></h2>



<p>O luto é uma reação emocional a uma perda, e cada pessoa reage de forma diferente. Apesar de se ter tornado popular que existiam 5 fases no processo de luto (negação, zanga, culpa, adaptação/negociação e aceitação), para o psicólogo e autor Michael Shermer não há nenhuma evidência científica sobre a possibilidade de estas reações acontecerem.&nbsp;</p>



<p>Importa não fugir do que sente quer seja zanga, frustração, culpa ou tristeza. Fazer o luto com todas as emoções implicadas representa dar espaço e tempo para aceitar o que se passou, lembrar e seguir em frente. Nesse período até poderá agir como se tudo fosse igual, zangar-se por sentir como injusto ou sem sentido o que lhe aconteceu, culpar-se, entristecer-se, chorar até que aceite e seguir em frente, mantendo a presença de quem perdeu, na memória e pensamento ou na vida.&nbsp;</p>



<p>Mas, antes disso, é preciso <strong>lidar com as emoções que surgem, de expressar o que sente, preparar-se para os momentos especiais mais propensos a lembrar os efeitos da perda e atuar perante alterações de comportamento que se prolonguem no tempo.</strong>&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quatro formas de lidar com o luto em tempos de pandemia:</strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-FIrED' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>1. Encare a zanga, a culpa ou outras emoções que o invadam</strong> </h3>



<p>A zanga assume muitas formas: culpar a pessoa ou algo que tenha contribuído para a sua morte, revoltar-se ou culpar alguém ou a Deus pelo sucedido, pela injustiça que tal representa. Todas estas reações são naturais, muitas vezes representam a única maneira de lidar com a frustração associada ao desaparecimento daquela pessoa da vida. Ao reconhecer estas emoções, está a validar a importância que a pessoa tinha para si, a manter a recordação e encontrar, ou renovar, um sentido para a sua vida.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>2. Expresse o que sente</strong> </h3>



<p>Lide com o tabu da morte e expresse o que sente. É importante que fale sobre o que se passou e passa, e relembre as experiências vividas com a pessoa: momentos especiais, histórias marcantes. Expresse-se através da escrita, do desenho, fotografia, homenageie a pessoa de todas as formas que se lembrar. Partilhe com outros o que se passa consigo, em especial aqueles que possam estar mais disponíveis, capazes de entender a situação, ou que conheçam a outra pessoa. Essa expressão e homenagem tem os seus momentos privilegiados para ter lugar a seguir à morte, no velório e nas últimas cerimónias. Mas não termina aí.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>3. Prepare-se e lide com acontecimentos especiais</strong> </h3>



<p>Aniversários de nascimento e morte, feriados, Natal, Páscoa ou outras datas ou locais que possam ser marcantes para a sua relação com a pessoa podem suscitar tristeza e saudade. É normal que tal aconteça. Prepare-se para prestar mais um momento de homenagem, nem que seja falar sobre a pessoa ou ter uma fotografia visível com uma flor ou uma vela. Faça algo em memória: realizar um passeio ou atividade que a pessoa gostasse ou qualquer coisa que a sua imaginação e sensibilidade aprove. Aceite se não conseguir lidar muito bem com a situação, não force estar alegre ou como se nada fosse. O mais importante é reconhecer e aceitar como se sente.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>4. Atue perante alterações emocionais e físicas prolongadas</strong> </h3>



<p>Quando identifica em si ou em alguém próximo o prolongamento de alterações de apetite, sono, atividade, envolvimento nas atividades habituais, perda de concentração ou manifesta algum comportamento que identifique como bizarro, talvez seja o momento de pedir ajuda especializada junto de um técnico de saúde mental.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O luto também se manifesta como uma reação a uma vida considerada sem sentido perante a perspetiva de sonhos não realizados ou expectativas não concretizadas, dissonante do estado de realização pessoal e abertura às perspetivas que a vida oferece. Neste caso também se trata de uma perda de algo ainda que, por vezes, seja difícil diferenciar se se trata de uma reação a uma perda, se é um estado depressivo, que ocorre perante o sentimento de falta de autoestima, suficiência ou valor.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vida voltará ao normal. </strong></h2>



<p>A morte de alguém querido não termina com a relação que se tinha. Fale interiormente com a pessoa. Verbalize o que deseja dizer: o seu dia a dia ou qualquer outro assunto que o ajude a lembrar, proporcione conforto e torne o outro presente. Tudo o que viveu com essa pessoa existirá enquanto mantiver a sua memória. Mas a vida continua, e precisa seguir em frente por si e pelos outros. Afinal, como diz o poeta mexicano Amado Nervo, “aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós”. </p>



<p></div>
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		<item>
		<title>Cantei-te os parabéns num sussurro</title>
		<link>https://simplyflow.pt/cantei-te-os-parabens-num-sussurro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Felizardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2019 08:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[celebrar]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Felizardo]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ontem fizeste anos! Fiz-te um bolo, daquele que tu gostas. Sabes? Aquele de chocolate com recheio&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><b>Ontem fizeste anos!</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Fiz-te um bolo, daquele que tu gostas. Sabes? Aquele de chocolate com recheio de morangos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cantei-te os parabéns! Não foi logo. Primeiro acendi as velas e deixei-as assim, a arder. Abri a boca, mas as palavras não saíam. Não entoava nenhuma melodia. Ela passava em repeat na minha cabeça. Mas </span><b>sempre que tentava cantar, o som recusava-se a assumir forma</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, assim fiquei, em silêncio, a ver as gotas de cera a formar uma camada por cima do bolo de chocolate com recheio de morangos. O teu preferido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi só quando percebi que as velas estavam quase a chegar ao fim e se iriam apagar sozinhas que te sussurrei um “Parabéns a Você!” A música acabou e não houve palmas. E tu não vieste para soprar as velas. E eu não tive coragem de o fazer por ti. Já doía demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Naquele momento a vida devolvia-me a realidade real, aquela onde </span><b>ando a aprender a viver sem ti</b><span style="font-weight: 400;">. Aquela que ando sempre a tentar negar. Aquela onde </span><b>negoceio ao segundo cada momento onde me é permitido sentir a esperança de que possas voltar para mim</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h2><b>Espero-te.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim. </span><b>Em cada segundo que te espero, em que te procuro, em que te busco, não dói tanto.</b><span style="font-weight: 400;"> Por isso deixei as velas arder. Enquanto elas estavam acesas e a música não era cantada, tinha mais uns segundos onde podia manter viva a esperança de que entrarias pela porta, de sorriso rasgado e olhos a brilhar, pronto para soprar as velas, que enfeitavam o topo do teu bolo de chocolate com recheio de morangos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As velas apagaram. O bolo ficou estragado, inundado de cera. Os segundos de esperança terminaram. E com eles, a irreversível certeza de que tu não estás mais aqui. </span><b>A verdade quadrada de que não voltas.</b></p>
<h2><b>Não vens!</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma verdade-quadrada. Digo quadrada, pois é como me sinto: presa num cubo. Sempre que a realidade-real me rouba os segundos de esperança, perco a possibilidade de sonhar sobre os possíveis caminhos de passado e futuro. No passado onde te encontro. No futuro, onde te esperava encontrar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem sei que não são reais. São ilusões e expectativas. Bolas de natal na cabeça. Ilusões, como fantasmas de ti que me recuso largar. Expectativas, como projeções de ti que teimo em imaginar.</span></p>
<p><b>Fico confinada ao presente. E para onde quer que olhe: cima, baixo, para os lados, não te encontro. Uma verdade quadrada, portanto! Mas não é sempre assim. Eu sei! A realidade é só uma. As interpretações que fazemos dela é que dependem, de nós, do momento, dos outros.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste momento, eu queria estar contigo, a cantar-te os parabéns, a celebrar mais um ano de uma vida que deveria ser longa. Queria dar-te um beijo na testa e sentir o meu coração a transbordar de amor quente. Queria ver-te a devorar aquela fatia de bolo, para poder olhar para ti com aquele olhar reprovador como que a dizer para comeres mais devagar. Queria ter isto tudo novamente. Estas memórias do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste momento, eu queria estar ao teu lado, quando soprasses as velas e fizesses os teus desejos para um futuro brilhante, ao lado do meu. Queria ver no tipo de homem que te tornarias. Queria estar lá para te aplaudir nos teus sucessos e te confortar nas tuas derrotas. Queria-te para sempre.</span></p>
<h2><b>Queria-te.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a realidade é só uma. Acaba com as ilusões e as expectativas. Foi o teu aniversário. Celebrei a data sem ti. E no momento em que o fiz, </span><b>fiquei com a certeza inviolável de que estás preso no passado</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fiquei com impossibilidade de te querer no meu futuro. Por isso, guardo-te em mim.</span></p>
<h2><b>Guardo-te.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem dentro de mim. </span><b>No baú das minhas doces memórias.</b><span style="font-weight: 400;"> Ali, onde sei que ficas protegido do passado que não volta e do futuro que não existe. </span><b>Ali, és intemporal.</b><span style="font-weight: 400;"> Ali, guardo-te a ti. Simplesmente tu. Ao meu lado.</span></p>
<p><b>Assim, sei que sempre que perder mais uma bola de natal para a verdade-quadrada, posso revisitar-te a ti, sem ilusões e sem expectativas.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ontem fizeste anos!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E hoje, eu resgatei-te do passado, para te guardar no meu futuro.</span></p>
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		<title>Páscoa à Mesa: 10 lugares para 9 pessoas</title>
		<link>https://simplyflow.pt/pascoa-a-mesa-10-lugares-para-9-pessoas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Felizardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2019 08:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Felizardo]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Páscoa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mas como é que já tenho a Páscoa à porta? Parece que ainda foi ontem que&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Mas como é que já tenho a Páscoa à porta? Parece que ainda foi ontem que consegui sobreviver ao Natal. Ainda estou a sarar feridas desse encontro com aquela que é a data festiva. A Data.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E agora já tenho de lidar com a outra data, a irmã d’A Data?! A Páscoa?! Mas sabes uma coisa? O problema não é a data! Nunca foi! Raios, continuo a gostar de trincar uma amêndoa de chocolate ou de molhar o bolo-folar numa caneca de café da avó. Tanto como qualquer uma de vocês.</span></p>
<p><b>O problema é a antecipação.</b><span style="font-weight: 400;"> A antecipação dá-nos tempo suficiente para imaginarmos todos os possíveis cenários. Quando estás a aprender a viver numa realidade que não queres, na tua nova realidade onde a vida te roubou nos afetos, a imaginação não te leva para campos de algodão doce e chuvas de bolas de sabão. Não! Leva-te para cenários bem mais negros, com vulcões de lava borbulhante e chuvas de rochas e cinza. Foi isto que imaginei na minha primeira Páscoa!</span></p>
<p><b>A antecipação demorou o que mais pareceu uma eternidade. E dentro dessa eternidade conheci níveis de agonia que não imaginava serem possíveis de existir.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descobri capacidades de negociação que não acreditava ter dentro de mim. Nem imaginas como é possível redimensionar a importância das coisas, dos momentos, da vida, quando estamos em pura agonia.</span></p>
<h2><b>A Agonia</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que percebas, deixa-me explicar-te o que acontece quando este sentimento se instala em ti. Este surge de forma crescente. Começa com uma pequena sensação de desconforto.</span><b> Não estás bem em lado nenhum.</b><span style="font-weight: 400;"> E por mais que mudes de sítio, de momento, de plano, nenhum deles parece ser suficiente. Ficas com a sensação de que falta algo. </span><b>Estás permanentemente incompleta.</b></p>
<p><b>Então andas permanentemente em busca do que te falta. Outro sítio, outro momento, outro plano. Nova esperança. A mesma desilusão. Não estava lá quem te faltava. E em cada confronto, um outro banho de realidade.</b></p>
<p><b>É a realidade, é certo. É a realidade que tens. Não tens outra. Mas dói como o raio. </b><span style="font-weight: 400;">Pois não é a que queres para ti. Sabes, ou melhor, sentes dentro de ti que é um outro tipo de dor. É crónica e sufocante. Perdura no tempo e consegues senti-la a crescer dentro de ti. Se a quisermos classificar talvez possamos balizar os seguintes níveis:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num nível 1, tens a tal sensação de desconforto: “Só estás bem onde não estás”. No último nível, talvez um 5, percebes que todas as negociações que fizeste com o tempo falharam. </span><b>O pânico toma conta de ti. &nbsp;A esperança dá lugar ao fatalismo. O ar começa a faltar.</b><span style="font-weight: 400;"> Por mais que tentes inspirar, não há oxigénio suficiente no mundo para encher os teus pulmões. Sentes uma pressão no peito, como se o pendente do teu colar fosse um pedregulho.</span><b> Fisicamente estás exausta. Mentalmente estás quebrada.</b></p>
<h2><b>A Negociação</b></h2>
<p><b>A realidade que tens à frente não é a realidade que queres para ti.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Queres a outra que tinhas há um ano atrás. Aquela onde contavas ansiosamente os dias que faltavam para essa data festiva. Essa onde tinhas quem mais querias, ali, ao teu lado. Mas hoje estás a viver outra vida. E agora também fazes a contagem decrescente para a data festiva. Mas não porque anseies a sua chegada. Mas sim porque temes que chegue.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contas os dias, em agonia, negociando ao segundo para que o tempo se atrase um pouco. “Oh Páscoa, não tenhas pressa em vir!”, rogas-lhe tu nos teus pensamentos. Mas ela não te dá ouvidos. Obedece cegamente ao tempo. </span><b>E tu já sabes que ele, o Tempo, é um brincalhão. Passa a correr quando não queres e demora uma eternidade quando precisas que ele se despache.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuas a negociar. “Então, se não o atrasas, pelo menos diminui a importância ao dia”, pedes-lhe tu. Mas numa resposta pronta, o Tempo diz que isso está fora da competência dele. Essa secção pertence ao Amor. Viras-te para o Amor, na esperança que este te ajude a pôr um fim ao teu tormento. Mas ele apenas sorri.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O dia não é dele. Não o pode controlar. É dos outros. É de todos. Era o meu também, até eu me recusar voltar a vivê-lo. Explicou-me ele. “A escolha foi tua”, continuou. Pois, mas não a senti como uma escolha. </span><b>Quem no seu perfeito juízo iria escolher viver desta forma?! Quem iria querer viver um dia que obrigasse a revisitar memórias de um passado recente, onde a felicidade era o rosto de quem amava?!</b><span style="font-weight: 400;"> Quem iria querer ver essas memórias desvanecerem segundo após segundo, numa permanente recordação de que o nosso amor ficou preso num momento do tempo?! Quem?! Eu não! Nem tu, acredito!</span></p>
<p><b>Negoceias, porque te sentes encurralada, sem saída. Presa numa escada rolante que te aproxima a ritmo certo, ao único lugar no mundo onde sabes que não queres estar: a mesa que vai celebrar a quadra festiva, onde vais contar nove lugares onde deveriam ser dez.</b></p>
<h2><b>A Libertação</b></h2>
<p><b>O dia chega. Pensavas que ias morrer de dor. Sufocada na incapacidade de inspirares o ar que te envolve. Mas não. Surpreendentemente, não morres. Continuas viva. O corpo dói, foi muita exaustão. A mente está dormente, foi muita negociação. Mas tens vida dentro de ti. O ar continua a entrar e a sair.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abres os olhos e a escada rolante deposita o teu corpo junto à mesa onde estão todos reunidos. Todos menos um. Todos menos quem mais falta te faz. Agora já sabes. A grande verdade da qual tentaste negociar a tua inocência. De que continuas viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O teu amor não volta. E tu continuas a viver a tua vida. Que contas em marcos de tempo que te recordam através das datas festivas que agora, a partir de agora, a mesa só conta nove lugares.</span></p>
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