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	<title>Arquivo de cristina santos costa - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Arquivo de cristina santos costa - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>O Calvário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2018 18:47:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje começo pelo BI da fotografia: Maneira diferente de a olharmos; se repararmos aquele f/5.6 significa exactamente que foi utilizada uma grande abertura pelo que se tornou necessário que o tempo de exposição fosse mais reduzido dadas as condições de luminosidade (1/800seg).</p>
<p><center><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4668" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/imagem_texto.jpg" alt="" width="265" height="379" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/imagem_texto.jpg 365w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/imagem_texto-210x300.jpg 210w" sizes="(max-width: 265px) 100vw, 265px" /></center>Foi assim que tirei a fotografia que aqui aparece, num passeio por terras da Beira Alta quando as vinhas começam a fazer-se vaidosas enfeitadas de folhas verdes de todos tamanhos, de todos os verdes com que a luz brinca.</p>
<p>Aquele caminho faz-se devagar que as subidas arrefecem a vontade de chegar depressa e os olhos pedem tempo para se perderem naquela paleta de cores.</p>
<p>São tantos os cheiros da terra aquecida pelo sol, dos musgos que resistem agarrados às pedras dos muros que guardam os terrenos da quinta grande.</p>
<p>Por ali chega-se ao Calvário.</p>
<p>Aquele sítio é assim chamado. Em cima de um maciço granítico ergue-se aquela cruz esguia, tão alta que me obriga a olhar para cima, para um céu que ali se enche de um azul que a cidade não conhece.</p>
<p>Da janela do meu quarto vejo aquela cruz. Ao longe adivinho-a do meu tamanho; ali tão perto agiganta-se e fica com a dimensão dos meus sonhos &#8230;</p>
<p><center><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-4669" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/O-calvario-678x1024.jpg" alt="" width="393" height="595" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/O-calvario-678x1024.jpg 678w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/O-calvario-199x300.jpg 199w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/O-calvario-768x1160.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/O-calvario-460x695.jpg 460w" sizes="(max-width: 393px) 100vw, 393px" /></center></p>
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		<title>&#8230; tanta cor e o mar ali ao fundo &#8230;</title>
		<link>https://simplyflow.pt/tanta-cor-e-o-mar-ali-ao-fundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2018 11:15:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Venho de uma terra de todas as cores onde os sonhos sorriem &#8230; serenos &#8230; num&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Venho de uma terra de todas as cores onde os sonhos sorriem &#8230; serenos &#8230; num namoro envergonhado com o mar &#8230;</p>
<p>Era outono e eu acho que aquelas hortenses estavam ali como quem espera por uma visita inesperada. Uma família completa vestida com as cores que a idade vai ditando &#8230; assim diziam os antigos. É que o colorido não cai bem quando os dias contados já são muitos e a vontade de recolher ao silêncio dá lugar ao que é novo a respirar devagar, a abrir os braços ao sol &#8230;</p>
<p><span id="more-5851"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><img decoding="async" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/Tanta_cor_no_mar_ali_ao_fundo_hortenses-1024x678-300x199.jpg" alt="" width="559" height="380" class="aligncenter size-medium wp-image-5855" /></center></p>
<p>Os olhos enchiam-de de verdes, de todos os verdes possíveis inventados pela fantasia; eu a achar que já tudo havia sido pintado a ali em baixo mais outro e depois outro a esgotar uma paleta nunca acabada.</p>
<p>A curva-se abria-se e ao fundo tanta cor!</p>
<p>Um espelho que guardava as nuvens penduradas num céu que não tem fim que e se perde muito lá ao fundo numa valsa de azuis.</p>
<p>Conta a lenda que há muitos anos atrás uma princesa e um pastor se apaixonaram e seria aquele vale o seu lugar de encontro. Sabedor desses encontros logo o rei se apressou a exigir o afastamento dos dois apaixonados. Marcado um último encontro e fazendo eternas juras de amor as lágrimas da princesa de olhos azuis corriam pelo vale sem se misturarem com as lágrimas que corriam dos olhos verdes do pastor.</p>
<p>Aquela lagoa é assim &#8230; imensa &#8230; azul e verde &#8230; a fazer sonhar com histórias de paixões &#8230;</p>
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		<title>&#8230; o correio &#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jan 2018 20:09:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gosto do tempo em que se escreviam cartas e as caixas de correio traziam surpresas que&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto do tempo em que se escreviam cartas e as caixas de correio traziam surpresas que vinham de longe. Surpresas que não eram anunciadas mas tantas vezes aguardadas com a ansiedade de quem espreita a chegada do carteiro.</p>
<p>Já se lhe conhecia &#8220;a volta&#8221; e o desânimo de à hora calculada não haver sinais do homem de quem já se lhe conhecia o nome.</p>
<p>Eu acho que aquela volta de correspondência o tornava um homem mais sábio. Quase adivinhava as dores e alegrias de cada casa e sorria e sofria com elas.</p>
<blockquote><p>Eu acho que aquela volta de correspondência o tornava um homem mais sábio.</p></blockquote>
<p>Não raro era perceber o olhar de cumplicidade de quem quer aliviar uma dor ou partilhar um sucesso que não era contado, antes persentido.</p>
<p>E o silêncio seguia com ele pese embora a curiosidade da vizinhança ávida de saber para poder contar num sussurro que se ia repetindo rua fora.</p>
<p>Aquele homem trazia os &#8220;abraços&#8221; que deixava em cada carta colorida tantas vezes a querer cheirar às rosas que não podiam ser enviadas. Trazia os segredos, os amores e desamores, as notícias ruins que se anunciavam com uma tarja preta a ferir um envelope branco, imaculado.</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4762" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_2-768x1024.jpg" alt="" width="326" height="666" /></center>Era bom receber cartas dos nossos. Sentir que aquele tempo de alinhar palavras que contavam uma vida nos tinha sido dedicado. Abriam-se as cartas com a delicadeza que o nome do remetente nos deixava nos olhos.</p>
<p>Receber uma carta era receber uma visita daquelas que vivem dentro de nós. Era acolhê-la no nosso melhor canto onde guardamos os afetos.</p>
<p>Hoje não se recebem &#8220;cartas&#8221;. As nossas caixas de correio são depósitos de envelopes que não trazem sorrisos&#8230; mas contas!</p>
<p>As caixas de correio foram bonitas e porque foram esquecidas envelheceram. Tal como acontece connosco se a vida se esquece de nós.</p>
<p>E se começássemos a escrever cartas?</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4760" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_1-678x1024.jpg" alt="" width="325" height="492" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_1-678x1024.jpg 678w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_1-199x300.jpg 199w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_1-768x1160.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/01/correio_texto_1-460x695.jpg 460w" sizes="(max-width: 325px) 100vw, 325px" /></center></p>
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		<title>A Poça da Janela</title>
		<link>https://simplyflow.pt/poca-da-janela/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Nov 2017 19:51:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dantes era assim. Aquele caminho estreito era feito ainda que o sol estivesse a pino. Trouxas&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dantes era assim. Aquele caminho estreito era feito ainda que o sol estivesse a pino. Trouxas de roupa balançavam na cabeça das mulheres num equilíbrio que eu dizia mágico. As mãos delas gesticulavam ao sabor das conversas e lá no alto da cabeça os cântaros de água ou as trouxas de roupa bailavam ao sabor dos passos decididos sem nunca caírem. Nem eram motivo de preocupação já que havia que pôr a conversa em dia e a poça era já ali no virar da curva mais larga.</p>
<p>O vozear era persistente ao som da roupa batida na água num gesto peculiar que todas repetiam a afagar a roupa naquele tanque de água, a fazer balões até ser mergulhada com energia a largar o sabão e a deixar espumas na água.</p>
<p>Esfregada com a delicadeza que aquelas mãos gretadas punham nas coisas que faziam eram um ritual de brancura que faziam a inveja das menos experientes. Depois era deixar a corar em cima da cama de silvas e esperar que o luar as inundasse de luz. Pela fresca da manhã retomava-se o ritual.</p>
<p>Escovadas na pedra rija aquela água fria emprestava-lhes um cheiro a roupa lavada que se sentia nos estendais a rebentarem de peso.</p>
<p>Aquela poça foi secando por falta de uso. Com o tempo as silvas e as ervas foram tomando conta daquele tanque deixado ao abandono das risada e cantigas de outros tempos.</p>
<p>Tomado pelo silêncio aquele rectângulo de granito, perigoso, gigante aos meus olhos de criança, é afinal pouco mais que o espaço para uma braçada pensava eu a transformá-lo numa piscina para brincadeiras de garotos.</p>
<p>Os mesmos garotos que com uma sacola a guardar o farnel saíam pela manhã e ficavam a pasmar naquele campo de pasto a contarem as ovelhas &#8230;</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4709" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781-1024x678.jpg" alt="" width="498" height="330" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781-1024x678.jpg 1024w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781-300x199.jpg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781-768x509.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781-460x305.jpg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/IMGP6781.jpg 2000w" sizes="(max-width: 498px) 100vw, 498px" /></center></p>
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		<title>A feira fazia-se às sextas</title>
		<link>https://simplyflow.pt/feira-fazia-as-sextas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Nov 2017 20:11:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todas as sextas se vai à feira. Há de tudo, ou quase tudo, porque no regresso&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as sextas se vai à feira. Há de tudo, ou quase tudo, porque no regresso se ouve sempre que a feira já não é o que era.</p>
<p>Em tempos a feira começava logo manhã cedo, o alvoroço levantava-se com a alvorada. Aquilo era a feira e o entusiasmo de uma festa, o encontro semanal de quem vem de longe e procura barato aquilo que não colhe no quintal, no terreno que ainda vai dando para pôr na mesa as batatas ou o feijão e as couves.</p>
<p>As mulheres mexem-se entre as barracas montadas a preceito regateando preços com os feirantes, sempre os mesmos: &#8220;venha cá pra semana que se não servir a gente troca&#8221;. E deitam conversa fora que os dias não foram feitos para grandes encontros e aquele é o dia feito para desenferrujar a língua.</p>
<p>Poucos são os homens que as acompanham. Esses já começam a juntar-se ao redor dos fogareiros, as febras a serem grelhadas, o fumo a erguer-se em rolos a atirar o cheiro das carnes e a abrir vontades de usar a navalha a cortar os nacos de pão a pingar o unto dos coiratos. E a terra batida a secar as gargantas a pedir o copinho de vinho a saciar a sede, a matar o vício.</p>
<p>Era assim a feira de panos e aventais e facas e navalhas e de boinas e os chapéus de abas para os domingos. Um grande centro de comércio tapado pelas lonas das barracas a protejer do sol castigador nos dias mais quentes.</p>
<p>E os artesãos, poucos que para ter artes é preciso que outros ganhem para a casa.</p>
<p>Era o caso daquele homem, a esconder o olhar debaixo da pala tão larga para fazer sombra que baste. Chamo-lhe senhor Joaquim que não estou certa do nome dado na pia baptismal. Fiquei ali presa entre as almotolias, os cântaros de folha e os cestos de verga, as cadeiras empalhadas e dois homens que sem freguesia iam falando das coisas da vida. E depois já éramos três eu a querer saber das artes, eles entusiasmados a ensinar os seus saberes.</p>
<p>E o sr. Joaquim, fazedor de cestos mostrava com mestria como fazer o entrançado das cadeiras de palha, sem vacilar, hábil, conversador que aqueles olhos mortiços que não viam não lhe tinham tirado a curiosidade de compreender o mundo. E de sorrir &#8230;</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4696" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/Sr-Joaquim-1024x768.jpg" alt="" width="524" height="394" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/Sr-Joaquim-1024x768.jpg 1024w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/Sr-Joaquim-300x225.jpg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/Sr-Joaquim-768x576.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/11/Sr-Joaquim-460x345.jpg 460w" sizes="(max-width: 524px) 100vw, 524px" /></center></p>
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		<item>
		<title>A Família Migalhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 21:21:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>São meus vizinhos, mas apenas de fim-de-semana. Viajam pelo rio e tem vezes em que não&#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/a-familia-migalhas/">A Família Migalhas</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>São meus vizinhos, mas apenas de fim-de-semana. Viajam pelo rio e tem vezes em que não os vejo, não nos cumprimentamos até que uma feliz coincidência nos volte a juntar.</p>
<p>Gostam-se e é bonita aquela relação de cumplicidade que trazem agarrada aos olhos. Vigiam-se numa atenção permanente aos perigos que as margens escondem e repartem as migalhas de pão que por ali vão rolando por vontade da gente da terra ou do vento.</p>
<p>Lá em baixo, bem no centro daquela pista inconstante deslizam num bailado síncrono que a água também faz música quando abraça as pedras macias que vão rolando ao sabor dos caudais.</p>
<p>Em dias mais afoitos sobem o empedrado e vêm sacudir as penas, abrindo aquele leque de cores que não eu sei descrever mas exibem orgulhosos ao sol.</p>
<p>Depois é aquele ritual de beijos e abraços. Naqueles toques mansinhos trocados entre bicos, naquele pentear das penas abertas para serem acariciadas, num namoro perfeito que não escondem dos humanos mais curiosos.</p>
<p>Não sei se têm nome próprio, quantos anos têm, se fazem projectos de ficar por ali.</p>
<p>Quando desço as escadas e os encontro rente à grade, ficamos a sentirmo-nos com a distância que a prudência vai encurtando. Acho que agradecem num ruído imperceptivel o pão cortado sem rigor.</p>
<p>Chamei-lhes a &#8220;Família Migalhas&#8221; &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/a-familia-migalhas/">A Família Migalhas</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O sol iluminou o largo e avivou memórias antigas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Oct 2017 19:43:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gosto dos domingos de sol lá na terra. Gosto mesmo quando se diz que é inverno&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto dos domingos de sol lá na terra. Gosto mesmo quando se diz que é inverno mas o sol numa teimosia com as nuvens decidiu aparecer e abraçar o largo.</p>
<p>Fica a brilhar lá em cima a rir e a ouvir conversas porque o largo se iluminou e avivou memórias antigas. Se calhar as mesmas histórias guardadas pelos homens que frequentam os dois largos das vilas que cresceram em sítios diferentes.</p>
<p>Conheço a &#8220;Praça dos Homens&#8221; onde em tempos se contratava a força de braços para os trabalhos sazonais que à noite punham o pão em cada mesa. Saíam pela manhã com a sacola de pano a embrulhar o pão meio seco que a navalha afiada havia de saber cortar em nacos&#8230; Talvez umas azeitonas bem talhadas ajudassem a quebrar aquele sabor, sempre o mesmo, misturado com o cheiro do torrão de terra a servir de encosto ao corpo cansado.<br />
Regressavam e o banco lá estava, ali com a taberna pronta a aliviar as gargantas queimadas pelo pó da terra.</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4639" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/10/O_sol_iluminou_meiodotexto-1024x685.jpg" alt="" width="630" height="407" /></center></p>
<p>Mas eu tenho outra terra e nessa o empregador era sempre o mesmo que as terras que a vista alcança ali são cunhadas com o mesmo sinal de pertença. Pela manhã abria-se o portão largo, comia-se &#8220;a piqueta&#8221; se a havia e dava-se alento ao corpo já moído com o copinho de vinho que &#8220;generosamente&#8221; era distribuído por aqueles homens mais hábeis que possantes a envelhecer por ali até que os ventos vindos das &#8220;franças&#8221; os foi levando&#8230;um a um.</p>
<p>A terra passou a ser das mulheres e dos catraios a inventar sonhos com um aro guiado a preceito por um galho mais aprumado.</p>
<p>Hoje os dias fizeram-se diferentes mas continuam a ser os homens a ocupar o mesmo largo, contentes no seu fato domingueiro.</p>
<p>As terras, as duas terras ficam longe, nem se conhecem, mas os bancos onde agora descansam o corpo e desfiam memórias continuam a ser iluminados pelo mesmo sol e pelo café mesmo ali em frente de onde sai o cheiro da bica escaldada ou a mini que os domingos são para ser vividos com outra dignidade&#8230;</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter  wp-image-4640" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/10/13063024_10205535034409456_7069552411888054080_o-1024x678.jpg" alt="" width="630" height="353" /></center></p>
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		<title>Travessias sobre o azul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Oct 2017 20:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gosto destas travessias sobre o azul. Gosto de espreitar pela fresta da gaivota cinzenta que me&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto destas travessias sobre o azul.<br />
Gosto de espreitar pela fresta da gaivota cinzenta que me leva na asa e ficar a ver as nuvens de algodão doce que se desprenderam e se baloiçam sobre o outro azul de uma paleta de azuis infindáveis.<br />
Um dia sonhei que tinha ficado presa nelas e que a gaivota cansada baixou as asas até que uma chuva miudinha e fresca nos soltou para o voo mágico pintado de azul.</p>
<p>Naquele movimento de asas é o vento quem nos leva, brinca com os meus cabelos, afaga as minhas bochechas e cola um  brilho nos olhos de quem corta os azuis para ser feliz.<br />
Brinca comigo, conta-me estórias das outras gaivotas que poisam no mesmo ninho verde, tão verde a querer ser diferente das cores que o mar e o céu disputam entre si. E a terra fica ali, enrolada, quente e húmida, a olhar para um horizonte onde os olhos se perdem e todos os sonhos são possíveis.</p>
<p>Passeio o meu silêncio naquela terra das brumas, naquele cheiro da mata que ali cresceu; na sombra das árvores frondosas, a enterrar os pés naquele tapete viçoso a entregar todos os cheiros que a terra esconde e se soltam em novelos que nos envolvem num abraço macio e doce.</p>
<p>Eu acho que são essas marcas que ficam naquela terra, lembranças de amores desejados, das paixões que ali são plantadas e se pintam de vermelho a lembrar que os afectos são rubros da cor da chama que os alimenta&#8230;</p>
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		<title>… o medo …</title>
		<link>https://simplyflow.pt/o-medo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2017 17:30:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Naquela terra acorda-se cedo. Ou acordava-se! Não sei bem que forma verbal utilizar porque quando lá voltei da primeira vez corri aquela estrada de alcatrão sem avistar vivalma. </p>
<p>Quando éramos pequenos e nos juntávamos para as festas de Setembro aquela aldeia crescia. Eram as almas que lá viviam a sentir a rudeza dos tempos, que da serra naqueles dias soprava uma canícula a segurar-nos em casa ou no quintal fresco da prima Adelina. Aquele era o local de encontro, das tardes de conversas avulsas, dos lanches a cheirarem  a queijo e a marmelada, aos refrescos alimentados pela fonte quase ali ao lado, aos biscoitos amassados pela prima Maria. As lages pretas do chão e a parreira a servir de cortina faziam daquele canto o lugar mais procurado pelos que vinham pouco habituados à dureza daquele sol bruto.</p>
<p>No inverno a serra cobria-se de neve e eram as lareiras que nos alimentavam as conversas noite dentro. Ou os silêncios a deixarem sentir o fogo e o crepitar das cavacas incendiadas de cores vistosas a contrariar os dias que se abatiam cinzentos.</p>
<p>Em Setembro eram os dias das festas no largo da capela. Dias compridos que nos desobrigavam das rotinas, do voltar a casa a dar conta de que andávamos por ali. </p>
<p>A aldeia enfeitava-se com o colorido das flores feitas de papel, que os mordomos  desdobravam-se em afazeres para que fosse reconhecida a dedicação à terra que os vira nascer. E que houvesse farto fogo de artifício a exibir rodas de estrelinhas a cintilar junto à estrada de terra batida onde estava guardada &#8220;a surpresa&#8221; final. Essa era a altura em que os mordomos sentiam o orgulho do trabalho que acabava ali entre os gritinhos  entusiasmados da criançada e os aplausos entusiásticos dos foliões a celebrar aquele fim de festa.</p>
<p>Cruzei aquela estrada daquela mesma terra há uns dias. A estrada estava deserta, acho que todos os anos fica mais vazia &#8230; de tudo! </p>
<p>Por ali só andaram as chamas a deixar um rasto de cinza e uma tristeza que fica agarrada aos olhos. O cheiro das novidades que a terra dá é agora o cheiro a terra queimada ainda quente nas suas entranhas.</p>
<p>A capela resistiu rodeada de esqueletos de árvores, ardidas mas de pé. Ainda não é Setembro. O tempo não é de festas mas de renascer, ali, naquele sítio &#8230; </p>
<p>E em tantos outros &#8230;</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/arvore_texto.jpg" alt="" width="960" height="720" class="aligncenter size-full wp-image-4476" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/arvore_texto.jpg 960w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/arvore_texto-300x225.jpg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/arvore_texto-768x576.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/arvore_texto-460x345.jpg 460w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /><center/></p>
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		<title>&#8230; as chamas comeram-lhe a vida&#8230; nunca lhe apagaram as memórias&#8230;</title>
		<link>https://simplyflow.pt/as-chamas-comeram-lhe-vida-nunca-lhe-apagaram-as-memorias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Aug 2017 17:30:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
		<category><![CDATA[cristina santos costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aquele era o meu grande aquário e para respirar sozinha era preciso passar os portões que&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Aquele era o meu grande aquário e para respirar sozinha era preciso passar os portões que nos isolavam para o mundo exterior.</p>
<p>A Laura, guardiã do portão imenso, vivia o dia atenta ao toque de uma sineta bem como aos nossos movimentos, e sair daquele mundo cercado de muros era uma odisseia, ou uma permissão arrancada a ferros.</p>
<p>Tanto espaço para brincar longe do bulício que se dizia haver do lado de fora, naquela vila pacata plantada num vale onde corre um rio e o sol se despede cedo demais.</p>
<p>Andar de trotineta a fazer as curvas do jardim acanhado, sonhar com a tão desejada bicicleta a evitar as pedras da calçada e repetir vezes sem conta os trilhos, sempre os mesmos, quando lá fora havia braços de alcatrão para poder voar&#8230;</p>
<p>Aquelas paredes tinham cor e da estrada que se debruçava sobre a vila destacava-se do casario branco, vaidosa, a mostrar-se lá de longe, a impor-se majestática, misteriosa, com os roncos que se adivinhavam fora de muros sem saber que monstros eram aqueles que a habitavam.</p>
<p>Cresci ali a esmurrar os joelhos, a saltar sobre os fardos de lã como se fossem uma piscina inventada, a ouvir as conversas de quem dava vida às máquinas, a aprender outros mundos que todos os dias atravessavam aquele enorme portão e se fechava ruidoso pela manhã.</p>
<p>No final do dia destrancava-se o ferrolho e aquele portão abria-se largo para a vida que ficara do lado de fora.</p>
<p>Lá dentro voltava a instalar-se o silêncio&#8230;</p>
<p><center><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-4338" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2017/08/fábrica-1024x768.jpg" alt="" width="721" height="546" /><center></center></center></p>
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