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	<title>Arquivo de comunicação não violenta - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Arquivo de comunicação não violenta - Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>O que não volta atrás</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[agressividade-passiva]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação não violenta]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como pode cada um de nós proteger os outros da nossa agressividade-passiva e como neutralizar a agressividade-passiva dos que nos rodeiam?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/o-que-nao-volta-atras/">O que não volta atrás</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra atirada, a palavra dita, a oportunidade perdida e o tempo que passou.”</p>
<cite>Autor desconhecido&nbsp;</cite></blockquote>



<p><strong>Quando me desafiaram a pensar no que seria importante num texto sobre comunicação não violenta, lembrei-me desta afirmação e de como as palavras ditas com a cabeça quente e sem pensar, magoam profundamente.</strong></p>



<p>Aliás há investigação suficiente sobre <a href="https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/114011/2/277452.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Experiências Adversas na Infância</a> que salientam os danos profundos que as palavras provocam na construção da identidade de uma criança, podendo prejudicar a confiança nas suas competências independentemente de se comportar (ou não) adequadamente. É comum termos alguém nas nossas relações que é impecável, boa pessoa, suficientemente inteligente para prosperar em todas as áreas da sua vida mas que duvida constantemente do seu valor, convicta de que nada do que faz está bem (dica: se não encontram essa pessoa no vosso meio, provavelmente são vocês).&nbsp;</p>



<p>Deste modo, a comunicação não violenta é absolutamente vital para manter os nossos ambientes protegidos de momentos em que, por muito que nos esforcemos, vamos ser atingidos por algo que desvaloriza quem somos …&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como diz o escritor, “viver todos os dias, cansa” e gerir tudo o que nos acontece e todas as exigências que a vida no século XXI nos impõe é, por si só, extenuante. Ambientes inseguros em que não podemos simplesmente ser quem somos </strong><a href="https://simplyflow.pt/um-amigo-chamado-cansaco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>cansam</strong></a><strong> ainda mais.</strong></h2>



<p>Ao partilhar com alguém (e que respeito muito a opinião), o entusiasmo sobre o tema deste artigo, foi-me sugerido que falasse da agressividade-passiva… Em que para além de tudo o que foi dito antes, ainda somos expostos à incerteza sobre se o que foi dito é ou não agressivo. Por vezes essa dúvida retira-nos a possibilidade de devolver a agressividade à origem, uma vez que a comunicação passiva-agressiva pauta-se por ser ambivalente (<em>“sim, mas…”</em>), disfarçada de elogio (<em>“tu até és uma pessoa inteligente, não percebo como fazes uma coisa destas”</em>) , vaga (<em>“tu sabes perfeitamente do que é que estou a falar e mais não digo”</em>) e não explícita, deixando-nos a matutar sobre o que poderemos ter feito ou dito para causar tal comentário (bem como o mal-estar que não o larga), com muitos silêncios, vulgarmente conhecidos por amuos. Agradeci a sugestão dado que a agressividade-passiva contribui muito para o desconforto continuado nas relações pessoais e profissionais. <strong>Sendo passiva, esta forma de violência passa despercebida, embora seja um veneno social.&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como nos podemos proteger da agressividade passiva?</strong></h2>



<p>Enquanto <a href="https://www.worklife.news/culture/passive-aggressive-workplace-terms/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">organizava as ideias</a> que queria transmitir sobre como nos proteger da agressividade-passiva senti-me desconfortável… <a href="https://preply.com/en/blog/most-passive-aggressive-phrases/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revi-me em muitas frases</a> que lia <a href="https://www.huffpost.com/entry/passive-aggressive-phrases-people-say-at-work_l_616462c1e4b019644427d691" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nos textos que consultava</a> sobre o tema. Até a ironia, que me agrada tanto usar, pode facilmente resvalar para o sarcasmo, o qual pode ser uma das formas privilegiadas de comunicação passiva-agressiva: ai, ai, ai, afinal é muito fácil sermos passivo-agressivos… E quem nunca amuou, que atire a primeira pedra!</p>



<p>Reformulei o objetivo das ideias a transmitir: <strong>como pode cada um de nós</strong> &#8211; depois de “arrumar” a sua casa interna &#8211; <strong>proteger os outros da nossa agressividade-passiva</strong> e, depois, <strong>como neutralizar a agressividade-passiva dos que nos rodeiam?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O grão de areia no olho do próximo e a trave no nosso olho</strong></h2>



<p><a href="https://www.biblia.pt/biblia/BPT/MAT.7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em Mateus, cap. 7, versículos 3 a 5, no famoso Sermão da Montanha,</a> Jesus adverte que em vez de nos preocuparmos pouco com o que vemos no outro e com tudo o que ignoramos que obstrui a nossa visão, devemos primeiro tratar de nós ao invés de resvalarmos para a hipocrisia.</p>



<p>Este princípio de responsabilidade sobre a nossa ação no mundo é um tema bastante valorizado na <a href="https://simplyflow.pt/psicologia-psicoterapia-ou-psiquiatra-o-que-e-mais-adequado-para-mim/">psicoterapia</a>: <strong>é usual não termos controlo sobre o que nos rodeia, mas podemos controlar como atuamos no mundo</strong>. <strong>E abdicar do nosso poder sobre o mundo deixa-nos à mercê do que acontece e de pessoas que não nos respeitam&#8230;</strong> É um risco muito elevado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relembremos: a agressividade-passiva é uma forma de dizermos o que pensamos, mas sem a coragem da frontalidade e honestidade.&nbsp;</strong></h2>



<p>Na maioria das situações não o fazemos propositadamente, principalmente se tivermos aprendido a temer o confronto ao longo da nossa vida, em especial na infância. E se às vezes faz sentido protegermo-nos, outras vezes temos de assumir o que sentimos e pensarmos nas nossas relações. Se sistematicamente não explicitamos o que queremos dizer, recorrendo a indiretas, sarcasmo ou amuos, podemos estar a praticar a agressividade-passiva. E <strong>como distinguir se é altura de nos protegermos ou de encher o peito e dizer o que vai cá dentro? </strong>Dois bons guias de ação são o contexto da relação e o momento em que acontece algo passivo-agressivo.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; No amor:&nbsp;</strong></h3>



<p>As nossas relações amorosas dão trabalho, e adotarmos uma atitude de frontalidade constante também as desgasta. No entanto, para que a relação cresça, temos de dizer o que sentimos verdadeiramente, de forma clara e transparente, mesmo que isso implique confronto e desconforto… Custa, mas pelo menos a relação cresce na “verdade emocional”, ao invés de ser um labirinto do que fica por dizer e na dúvida se percebemos bem o que se passou. Um exemplo disso é a frase: <em>“tu sabes bem do que é que estou a falar, és sempre a mesma coisa… e não quero falar disso”</em>. Não temos de ir a todas as batalhas, mas há algumas que temos de enfrentar. Pode ser em relação à forma como o dinheiro é gasto, escolhemos passar o tempo livre ou como são geridas as tarefas domésticas, mas há momentos em que temos de dizer claramente o que queremos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; Na amizade</strong>:</h3>



<p>A amizade é a família que se escolhe, com quem partilhamos afinidades. Frequentemente, devido à antiguidade da relação ou ao “feitio especial” daquele amigo, falhamos em pôr limites a quem nos desvaloriza, está cronicamente indisponível ou só aparece quando precisa… E aqui avaliem se são apenas os outros ou se há situações em que somos nós o amigo que não está presente, que sistematicamente tem uma ferroada para distribuir ou (ab)usa da amizade. Creio que na maior parte dos casos estamos nos dois lados &#8211; afinal e citando uma frase das redes sociais: <em>“Todo o mundo é tóxico, menos você, né, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado”</em>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; No trabalho</strong>:</h3>



<p>Está por fazer a contabilidade dos “sapos” diariamente engolidos ao redor do planeta por causa de um colega com uma maneira de ser insidiosamente desrespeitadora, disfarçada por frases como <em>“ai, também és tão sensível, estava só a brincar”</em>, ou ações em que falha uma tarefa para manter um controlo encapotado do que se passa no local de trabalho… Na minha contabilidade “nasal”, cheira-me que são muitos, mas mesmo muitos. Porém, antes de se <a href="https://simplyflow.pt/o-crescimento-pessoal-e-a-lamuria-de-si-mesmo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">queixarem</a> verifiquem quantos “sapos” já fizeram engolir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O privilégio de ser adulto</strong></h2>



<p>A palavra “adulto” tem má reputação uma vez que muitos associam este conceito a ser chato, velho, alguém que se rendeu à rotina, que se deixou engordar e desistiu de sonhar. Não aceito esta definição porque sou uma adulta cronológica e quero manter algum glamour na minha vida.</p>



<p>Numa formação cruzei-me com o <a href="https://etq.emdrassociation.org.uk/2021/10/25/developing-and-strengthening-the-inner-adult-state/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Arun Mansukhani</a>, um psicólogo espanhol que definiu o estado de adulto como alguém que possui competências para agir responsavelmente, externa e internamente, sendo capaz de:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Acalmar-se e regular-se e a si e aos outros, aceitando ser acalmado e regulado por outras pessoas sem se sentir menorizado;&nbsp;</li>



<li>Está em contato com suas necessidades e empatiza com as necessidades dos outros;</li>



<li>Contata com suas emoções, sem se deixar dominar por elas;</li>



<li>Sintoniza-se com as emoções dos outros sem ficar sobrecarregado ou fugidio;</li>



<li>Não age de acordo com os medos de criança, sendo compassivo, autocompassivo e realista sobre o que esperar de si e dos outros;</li>



<li>Estabelece limites saudáveis para si e para os outros, e evita reagir quando está&nbsp; cansado, irritado ou magoado;</li>



<li>Compreende e admite erros, pede desculpas e repara ruturas nas suas relações.</li>
</ul>



<p>Saliente-se que <strong>o estado adulto não é um estado contínuo. Ninguém tem todas as características anteriores e age de acordo com elas a tempo inteiro, uma vez que tal é impossível</strong>. Mas quase todo o adulto cronológico pode manifestar algumas das características acima descritas, cultivá-las e ampliá-las. Assim, perante situações em que normalmente atuamos de forma passiva-agressiva, podemos ensaiar um estado adulto, gerindo as palavras que dizemos e a forma como as dizemos. Caso tenhamos de enfrentar um momento em que somos alvo de agressividade-passiva, lembremo-nos que um adulto por vezes define-se como aquele que fala o que é necessário dizer, assumindo que o resultado pode ser desconfortável, mas ainda assim avança com firmeza.</p>



<p>Acima de tudo, <strong>lembremo-nos que a comunicação não violenta depende de todos e começa connosco, porque o único ser humano que conseguimos gerir e controlar somos nós próprios</strong>.</p>



<p></div>
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