Sou “Mãe chata, com prazer”

Bárbara Ramos Dias // Maio 3, 2020
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Este artigo, é para ti, que tal como eu, corre, grita, stressa, chora, abraça e depois pede desculpa. Beija, ralha, dá regras, limites, mas também brinca. Diz “não”, quando tem de o fazer. 

Sim, sou uma “mãe chata”, com muito prazer.

E conto já com um grupo bastante grande, de “pais chatos” que se juntaram a mim. Nesse grupo, dou dicas para lidar e comunicar com os miúdos de melhor forma, partilharmos as nossas vivências, dúvidas e incertezas. Surgem perguntas como: “Será que estou a ser boa mãe?”; “Sou só eu que não deixo o meu filho fazer…”. 

Livra-te da culpa e do peso, de ser “má mãe”.

Livra-te da culpa e do peso, de ser “má mãe ou mau pai”, e mergulha comigo. Todos fazemos o melhor que sabemos e conseguimos. Ninguém nasce ensinado. E sabes o melhor? Temos a vida toda, para errar e aprender a fazer cada vez melhor.

Faz, hoje, melhor que ontem e amanhã  melhor que hoje!

Nós, pais, temos grande poder na família. Porque eles são o espelho do nosso comportamento. Entra em casa com um sorriso e abraço, em vez de a gritar “os TPC, o banho, és sempre a mesma coisa…”. Vais ver como tudo muda. Experimenta!

Lembra-te sempre, só fazemos os nossos filhos felizes quando nós nos sentimos felizes. Então, não arranjes desculpas para não teres tempo para ti. 

10 Premissas da/o “mãe/pai chato”:

  1. Dizer não a um filho, é um ato de amor e coragem. Só os pais “crescidos” conseguem dizer “não”;
  2. Quando o teu filho te chamar de “chata/o”, responde: “Sou chata/o porque te adoro, se não gostasse não me importaria”;
  3. Não é não, sim é sim e talvez é talvez. Já sabes que os miúdos testam os nossos limites até cedermos. Mantém-te firme, não cedas. Não ceder às birras e manter firmeza no “não” enriquece a ideia de autoridade. Eles precisam reconhecer o papel de autoridade e hierarquia. Além disso, ouvir “não” ajuda no pensamento crítico e na procura de caminhos alternativos aos desafios da vida;
  4. Limites e balizas originam crianças seguras. Muitos pais, dizem-me: “Não posso estar sempre a dizer não… Estou tão pouco tempo com ele…”. Errado! Impor limites, obrigar a cumprir com as obrigações e todas as regras da família, ajuda-os a lidar com frustração na vida adulta. Ao contrário do que possas pensar, miúdos que crescem com regras firmes são adultos conscientes e capazes de ser independentes. Por isso, alegria e equilíbrio;
  5. Não te importes de ser chata/o! Afinal alguém tem de fazer o “trabalho sujo”…. Questiona: “Lavaste os dentes? Tomaste banho? Fizeste os TPC?”. Incentiva a dizer as palavras mágicas básicas de educação e agradecimento. Controla as horas de chegada, o facto de dormir cedo, de ter uma alimentação saudável, tempo que passa na net. Valoriza os momentos de família, como o jantar. Impõe os horários e regras das refeições. Estes são cruciais para se tornarem adultos responsáveis.  Preocupa-te. Pergunta quem são os amigos, onde foi, com quem foi. Ensina a ser honesto, a respeitar, a ter bons modos a cumprir a sua palavra.
  6. Mas, atenção, não confundir rigidez com assertividade, com falta de paciência e maus tratos;
  7. Substitui a crítica pelo elogio. Eles aprendem o que ouvem. Se estás sempre a dizer “Nunca fazes nada de jeito… assim não vais chegar a lado nenhum, nunca vais ser ninguém”, é isso que ele vai aprender.  Se pelo contrário, disseres “Sei que te esforçaste, para a próxima vais conseguir fazer melhor”, então irá esforçar-se para ser e fazer cada vez melhor. Ou seja, não incutas a perfeição, mas, sim, o esforço;
  8. Não impinjas as tuas ideias, mas, sim, expõe e ouve a sua opinião;
  9. Tenta ser otimista, rir, passear, haver tempo para brincar, é isso que vai ficar nas suas memórias, não aquilo que lhes compramos;
  10. Reforça sempre que for preciso: “Sou chata/o com prazer”. A/O “mãe/pai chata/o” é o melhor que um filho pode ter. Acredita! É disso que o teu filho precisa.

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