Reencontra-te

Fátima Lopes // Outubro 26, 2020
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Conversar com o meu querido Gustavo Santos é sempre um prazer. Falámos sobre o seu mais recente livro, sobre o perdão, a fé, a autodescoberta, sobre regressar às raízes e sobretudo sobre Amor. Foi maravilhoso. Partilho convosco parte da nossa conversa. 

Entrevista a Gustavo Santos: 

1. “Reencontra-te” é o teu 12.º livro. O que o diferencia dos outros?

A intimidade com que toco no Amor. Nunca, em nenhum outro livro meu, fui tão longe, tão dentro e tão consciente no que ao Amor diz respeito. Hoje conheço-o de Norte a Sul. Trato-o por “tu”. Sou dele e dele vivo. A história que veste este livro é o relato cru da minha transformação, do reencontro com a mais bela parte de mim. É um testemunho que fica para a história porque nele mora a vitória inquestionável de um homem sobre o seu maior medo.

2. O que é o Amor para ti?

O Amor é tudo o que é incondicional. É a revelação que vive imediatamente depois da morte do medo. É o direito à liberdade de sonharmos. É a aceitação das diferenças no outro. É o dar sem depender de receber. É a Natureza.

3. O que representa para ti a família?

A família é o grande pilar da humanidade. A sociedade arruinou-o. Subvalorizou-o em detrimento da economia, da produção em escala e da escravatura humana. Mas tudo é cíclico. Em breve este modo de viver morrerá e das ruínas renascerá o espírito da fraternidade e a família, onde primeiro me perdi e agora reencontrei. Será a única jangada que nos poderá salvar da extinção. A família é a porta-estandarte do amor.

4. Neste livro falas sobre o perdão de uma forma, especialmente, honesta. Como é que se consegue perdoar?

O perdão é essencial e todos os esforços nesse sentido são vitais. Perdoar é amar. É abraçar os nossos erros, tornando-os lições e pontes para a mudança. E é saber que os outros, por muita dor que nos causem, estão, por muito pouco que seja, a dar o melhor que sabem ou conseguem naquele momento. Para nos perdoarmos é preciso acreditar que falhamos para evoluir. Para perdoarmos os outros é preciso ter a humildade de sentir uma pele que não é nossa, os seus medos, frustrações e anseios, de forma a conseguirmos justificar atitudes que, apesar de nunca sermos capazes de as ter, encontram legitimidade na história dessas pessoas. Se é difícil? É. Se vale a pena? Sempre. Compaixão em detrimento de rancor. Gratidão em vez de vitimização.

5. Falas também de coragem e de fé. Como vês o mundo atual, tendo em conta esses dois aspectos?

Vejo focos de coragem. Vislumbres de fé. E isso dá-me esperança. Lentamente, as pessoas estão a despertar. Há uma nova consciência a incomodar as raízes do medo. Hoje, mais do que nunca, exige-se mudança. Precisa-se de dor transformada em amor. Tenho muitos casos felizes à minha volta. A história da minha nova família nunca seria escrita se não tivéssemos a coragem de escutar a nossa intuição, se não acreditássemos na possibilidade infinita de sonhar e do sonho fazer realidade. Nunca seria escrita se em nós não vivesse uma fé inabalável de que, sejam quais forem as dificuldades, tudo será melhor do que alguma vez imaginámos.

6. E as redes sociais? Num determinado capítulo, referes-te a elas como a tua “última morte”. Vês alguma coisa positiva nessa experiência?

Tive de deixar morrer esse pedaço meu. E foi fácil. Não podia mudar-me para o Alentejo. Não podia querer educar os meus filhos de forma diferente, nem podia querer aprender com a Natureza e continuar com esse fardo às costas. Faltar-me-ia espaço, energia e tempo para aquilo que é verdadeiramente importante. Agora, se vejo algo positivo? O pouco que vejo, tem um preço muito elevado. Eu prefiro gastar o que tenho em algo palpável, verdadeiro e frutífero.

7. O que é a “Nova Terra” de que tanto falas nos teus últimos livros?

A “Nova Terra” é um lugar onde todos ajudam todos, constantemente e incondicionalmente. Primeiro, aconteceu em nossa casa. Depois, o nosso exemplo propagou-se e as primeiras pessoas começaram a mudar-se para Avis. Agora, muitos querem vir. É o Amor a acontecer.

8. O que te apetece dizer a quem se encontra perdido neste momento?

Apetece-me colocar-lhes a mão no peito e sussurrar-lhes ao ouvido: “Calma, está tudo como deve estar. O caminho do Amor é estreito e exigente. Tem muitos desertos, encerra muitas dúvidas, levanta muitos medos. Mas essa autodescoberta é fundamental para ti e para a própria humanidade. Importante é saber que feita a travessia, encontrarás uma comunidade de gente que fez o mesmo caminho que tu e que desse momento em diante fará parte da tua nova família. Vai! Coragem e fé”.

9. A que distância estão as pessoas de se reencontrarem?

À distância que as separa de quererem, verdadeiramente, ser felizes.

10. A Natureza é o caminho?

A Natureza é o grande caminho. Ela alimenta-nos, pacífica-nos e cura-nos. E é por isso que não podemos continuar a matar aquilo do qual dependemos. A sua biodiversidade, a sua ecologia e a sua sabedoria são constantemente violadas por indústrias criminosas que, a céu aberto, esventram o coração do planeta. Temos de ser exemplares. Em nossa casa, podemos fazer toda a diferença. Reciclar, mudar a nossa dieta, cuidar da Terra para que ela cuide de nós.

11. Tendo experiência na área, pode a nossa televisão ser, também, um caminho para as pessoas se reencontrarem?

Naturalmente. Uma nova televisão terá de nascer. É preciso reeducar as pessoas a consumir televisão. Tudo o que é supérfluo deve desaparecer e dar lugar a conteúdos de esperança, de vitórias impossíveis e de sonhos realizados. E os espaços de informação têm de mudar e contar o que se passa mesmo no mundo ao invés de só comunicarem as agruras e as maleitas que acontecem um pouco por todo o lado.

12. Qual a mensagem que queres deixar a quem te lê?

Gostava que cada um de vocês soubesse que mora uma força imensurável no vosso coração, uma força capaz de enfrentar todos os medos, superar todas as injustiças e transformar todas as dúvidas em certezas. O Amor aguarda-vos. 

Se quiser um livro com uma dedicatória personalizada não hesite em contactar o Gustavo (gustavosantos.coach@gmail.com).

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