Ralhe menos, comunique mais

Inês Afonso Marques // Outubro 16, 2022
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Sim, garanto-lhe que é possível dar por si a ralhar menos e a usar a comunicação de uma forma mais positiva e eficaz no seio da sua família. Uma comunicação aberta beneficia de forma transversal todos os membros da família. As relações tornam-se mais satisfatórias e os laços afetivos mais fortes quando a comunicação entre pais e filhos é um tema valorizado por todos.

As crianças aprendem a comunicar, em grande medida, por observação. 

Se os pais comunicam com disponibilidade e respeito, as crianças tenderão a reproduzir esse modelo. Uma criança que se sente escutada e compreendida (compreender o seu filho não significa que esteja sempre de acordo com ele) é uma criança que possui boas sementes para o desenvolvimento de uma boa autoestima. No sentido inverso, quando a comunicação entre pais e filhos é negativa e ineficaz, as crianças tenderão a sentir-se desvalorizadas e pouco compreendidas. Estas crianças tenderão a olhar para os pais como pessoas pouco disponíveis e de pouca confiança. E, no limite, as vossas interações vão estar recheadas de ralhetes pouco eficientes. 

A boa comunicação favorece também a cooperação. A boa comunicação ajuda à partilha de expectativas, dando também uma maior noção de segurança às crianças. 

A Associação Americana de Psicologia sublinha que escutar e dialogar são duas peças essenciais para relações saudáveis entre pais e filhos

Sendo possível, sabemos que nem sempre é fácil. Como não cair no ralhete depois de se pedir ao nosso filho 387 vezes para o nosso filho ir tomar banho? Como não ceder ao sermão quando ainda ontem lembramos o nosso filho para rever a sua mochila e hoje encontramos lá uma banana esquecida (pelo seu estado de decomposição há pelo menos uma semana)? Como fazer para escutar o nosso filho quando o cansaço se apodera de nós?

Como ralhar menos e comunicar mais?

De facto, todas as famílias, nalgum momento, se deparam com momentos de maior desacordo, acompanhados de alguma tensão emocional. Esses momentos de conflito, não sendo agradáveis, não têm de ser verdadeiramente disruptivos, podendo ser suavizados, recorrendo a alguns cuidados comunicacionais.

Deixo-lhe quatro cuidados a não esquecer:

1. Manter a calma – Sabemos que na teoria é sempre mais fácil, mas se pretende manter um diálogo que seja profícuo, de pouco lhe servirá atuar de modo reativo ao sabor das emoções, perdendo a calma. Se estiver a ser mesmo difícil, pode fazer uma pequena pausa, para respirar fundo e tranquilizar-se antes de retomar a conversa;

2. Um tema de cada vez – Procure dirigir a sua atenção para um assunto de cada vez. Em momentos de maior turbilhão emocional, é fácil embrulhar assuntos, fazer emergir situações do passado, e isso pode potenciar a sensação de descontrolo e, rapidamente, todos perdem o foco da situação ou do problema sobre o qual precisam de conversar; 

3. Frases que começam com «eu…» são vossas aliadas –  Para evitar reatividade de parte a parte, procure formular as dificuldades que identificam começando as frases pondo a tónica na forma como se sente. Dizer «Tu nunca pões a mesa sem ser preciso eu pedir» é diferente de «Eu sinto-me frustrada quando não ajudas a pôr a mesa das refeições». Ao iniciarmos as frases com «Eu sinto-me…» colocamos o destaque na forma como nos sentimos perante uma determinada situação, ou perante certa ação, sem recorrermos à acusação, mais propensa à reatividade e ao fechamento de portas ao diálogo. Este tipo de mensagens «Eu sinto» tende a fomentar uma comunicação mais positiva, na medida em que o outro terá menos tendência a agir impulsivamente e defensivamente, uma vez que estamos a colocar o foco na forma como nos sentimos, podendo nomear-se, de qualquer forma, qual é o comportamento ou a situação que nos provoca aquela emoção; 

4. Sinceridade sempre – Os filhos de todas as idades possuem uma capacidade extraordinária de se sintonizarem emocionalmente com os seus pais. Um «confio em ti» verbalizado com voz trémula e semblante fechado ou um «estou orgulhosa» assente num tom de voz irónico não passarão despercebidos. Não ignore a linguagem corporal.

Um estilo de comunicação aberto, afetivo e eficaz exige prática. 

Eu e a Carla Rocha estamos cientes disso! E precisamente por isso, reunimos no workshop “Ralhe Menos, Comunique Mais” as principais estratégias comunicacionais que o ajudarão a sentir-se mais confiante na educação do seu filho e (ainda) mais satisfeito na vossa relação.

Garantimos-lhe duas manhãs de formação com muita prática assente naquilo que os estudos sobre comunicação eficaz nos dizem. Poderá inscrever-se aqui.

Lembre-se de que nem sempre sairá tudo bem, mas que, acima de tudo, o mais importante é esforçar-se para, desde sempre, fomentar uma boa comunicação familiar. 

Quem ganha? A vossa relação, que assentará em laços afetivos próximos e robustos.

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