Qual a relação entre a liberdade e a responsabilidade?

Cláudia Morais // Agosto 12, 2019
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Que escolhas faríamos se tivéssemos liberdade total – no amor, no trabalho, na vida? É possível falar de liberdade sem falar de responsabilidade? Ou será que até as pessoas aparentemente mais livres vivem sob um conjunto de responsabilidades?

Liberdade e responsabilidade

A liberdade é um dos valores que mais apreciamos. Sentimo-nos mais entusiasmados e felizes quando temos liberdade para escolher o nosso caminho – seja ele amoroso, profissional ou religioso. Sabe-nos bem saber que podemos escolher onde queremos viver, com quem queremos viver, como é que queremos viver. Sabe-nos bem podermos decidir se queremos uma relação de compromisso ou uma série de relações descomprometidas, se queremos ou não ter filhos. Gostamos da ideia de sermos donos do nosso nariz e de podermos escolher o modelo do nosso carro, a forma como nos vestimos ou aquilo que comemos. Gostamos de nos sentir livres, mas será que isso significa que desejamos uma vida sem responsabilidades?

A verdade é que, para a maior parte de nós, isso simplesmente não faz sentido. Não há liberdade de escolha sem que haja consequências. Quando saímos de casa dos nossos pais, até podemos gritar aos sete ventos que, agora sim, somos livres para fazermos as nossas escolhas sem ter de dar satisfações a ninguém. Mas, esta escolha implica um vasto conjunto de responsabilidades – somos nós que temos de pagar as contas a horas, somos nós que temos de limpar a casa. Quando adquirimos o nosso primeiro carro, percebemos que à liberdade de nos movimentarmos, sem os constrangimentos das boleias, se associa a responsabilidade de contratar um seguro, assegurar a manutenção e cumprir com as regras de trânsito.

Crescer com liberdade e responsabilidade

Quando vivemos sob a autoridade dos nossos pais é fácil apontar-lhes o dedo e queixarmo-nos da rigidez das regras. À medida que amadurecemos e, sobretudo, quando somos pais, damo-nos conta de que a liberdade que se dá aos filhos tem de andar de mãos dadas com a responsabilidade e com as regras. Verificamos que a liberdade sem regras é um caminho fácil para a frustração, para a desmotivação e para que se corram riscos desnecessários.

Quando oferecemos aos nossos filhos a liberdade de fazerem determinadas escolhas ao mesmo tempo que exigimos o cumprimento de certas responsabilidades, estamos a ajudá-los a lutar pela própria felicidade. Estamos a mostrar-lhes que, na vida, temos a enorme felicidade de fazer escolhas, mas precisamos de conseguir olhar para a realidade como ela é e reconhecer que cada escolha acarreta consequências – para nós e para as pessoas que queremos que façam parte da nossa vida.

É esta aliança poderosa que nos permite olhar para o mapa da nossa própria vida e perceber que todos os caminhos têm consequências boas e más. Olhamos para a possibilidade de trabalharmos por conta própria ou por conta de outrem e percebemos que cada alternativa tem vantagens e desvantagens. Percebemos que um patrão tanto tem uma liberdade invejável, como tem responsabilidades que o trabalhador por conta de outrem não tem. Damo-nos conta de que, se quisermos ser “donos do nosso tempo” e trabalhar a partir de casa, sem horários para cumprir, podemos ser “obrigados” a trabalhar fora de horas ou a responder a e-mails no meio de um compromisso familiar. Olhamos para a possibilidade de fazermos poupanças (ou não) e percebemos que cada escolha implica liberdade e responsabilidade. E, damo-nos conta de que só somos verdadeiramente livres quando assumimos as nossas responsabilidades com maturidade.

Amor, liberdade e responsabilidade

Para a maior parte das pessoas, o amor só faz sentido se permitir a liberdade de cada um. Enquanto psicóloga e terapeuta familiar, posso assegurar que o amor verdadeiro é a maior fonte de liberdade que possa existir. Quando construímos uma relação emocionalmente íntima e segura com alguém que nos aceita exatamente como nós somos, e que nos incentiva a concretizar os nossos sonhos, em vez de nos aprisionar e de nos condicionar, somos tão felizes quanto é possível ser. Mas, isso não significa que haja amor sem responsabilidade. 

Somos responsáveis por aqueles que cativamos. Isso significa que não podemos simplesmente fazer aquilo que nos apetece sem pensar nas consequências. Não podemos dizer tudo o que pensamos da forma mais rude que houver. O amor não é isso. Amar é prestar atenção aos sentimentos do outro e fazer escolhas que o/a protejam. Amar é ceder, é dar satisfações e é reconhecer que há um bem maior e mais gratificante do que a possibilidade de pensarmos apenas em nós e no nosso umbigo. Amar é pensar nas consequências de cada gesto e agir com responsabilidade para que ambos possam sentir-se livres e respeitados.

Se pudesse mudar qualquer coisa na sua vida, o que é que mudaria? O que é que o/a faria sentir-se absolutamente livre? E, que consequências estaria disposto(a) a assumir em nome dessa escolha?

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