Podemos prevenir o cancro?

Portugal Activo // Julho 29, 2022
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O cancro é uma doença cada vez mais presente na sociedade, e os fatores de risco associados ao surgimento da doença são diversos: exposição à poluição, radiação, má alimentação, sedentarismo… Considerando a importância que o exercício e a atividade física têm para o nosso organismo, alguns autores classificam o sedentarismo como o principal fator de risco modificável para o cancro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 registaram-se, em todo o mundo, mais de 19 milhões de novos casos de cancro, causando a morte a aproximadamente 10 milhões de pessoas. De facto, estima-se que 1 em cada 5 homens e 1 em cada 6 mulheres desenvolvam esta patologia durante a sua vida. Esta realidade torna-se ainda mais assustadora com os novos dados da OMS que prevêem a incidência de 27 milhões de novos casos em 2030 e 17 milhões de mortes.

Então, mas será que podemos prevenir o cancro? 

Em parte, sim. Uma vez que a doença surge de alterações genéticas celulares em muitos casos oriundos do estilo de vida humano, através de uma alimentação equilibrada, gestão dos níveis de stress, prática continuada de exercício físico e bons níveis de descanso, o risco de desenvolver células cancerígenas é consideravelmente inferior. Alguns dos mecanismos que explicam esta proteção são a melhoria da função do sistema imunitário e libertação de agentes antioxidantes e diminuição da quantidade de hormonas sexuais livres em circulação.

Exercício físico nos tratamentos oncológicos

Os tratamentos para o cancro são diversos e, tal como qualquer outro tratamento, provocam um grande número de possíveis efeitos colaterais que afetam muito a qualidade de vida do doente oncológico. 

Dos diferentes tratamentos, a quimioterapia, a radioterapia, a terapia hormonal e a cirurgia são das mais comuns.

. Quimioterapia

O exercício físico pode ter forte influência na gestão da magnitude dos efeitos colaterais provocados pela quimioterapia como:

Preserva ou melhoraReduz
·   Força e massa muscular
·   Qualidade de vida
·   Composição corporal e saúde óssea
·   Funcionalidade física
·   Função imunitária
·   Imagem corporal e autoestima
·   Cognição e qualidade do sono
·   Tempo de internamento hospitalar
·   Stress emocional
·   Número e gravidade dos sintomas e efeitos negativos do tratamento (ex. dor, fadiga, náusea, linfedema)
·   Depressão e ansiedade
·   Recidiva e mortalidade

Fonte: Tradução livre, adaptado de Exercise is Medicine

. Radioterapia

Relativamente à radioterapia, uma vez que o tratamento pode provocar fadiga, fibrose muscular, inflamação sistémica e perda de mobilidade, o exercício físico irá permitir uma redução dos seus efeitos colaterais. As pessoas que se exercitam durante os tratamentos reportam menores índices de fadiga e menos limitações no seu dia-a-dia.

. Cirurgia

Além disso, a cirurgia, dependendo do local onde é realizada, irá trazer diferentes consequências, entre as quais uma limitação na amplitude de movimentos e diminuição da qualidade de vida física e funcional. O exercício físico antes da cirurgia (durante as 2 semanas antecedentes, por exemplo), permitirá aumentar a reserva funcional que, por consequência, irá reduzir o tempo necessário para a reabilitação e promover melhores capacidades físicas funcionais. Após a cirurgia, o exercício físico promove igualmente uma melhor recuperação física e psicológica.

. Terapias hormonais

Quanto às terapias hormonais, que são utilizadas em alguns subtipos de cancro da mama, por exemplo, podem levar a alterações da densidade mineral óssea, aumento da acumulação de massa gorda e maior suscetibilidade ao desenvolvimento de outras doenças metabólicas como a diabetes. Este processo pode ser gerido igualmente com a prática regular de exercício físico.

Mesmo após os tratamentos, o exercício físico é fundamental para prevenir novas recidivas e promover saúde metabólica.

As recomendações globais para a prática de exercício são pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbio com intensidade moderada (como caminhar, correr, andar de bicicleta…) ou 75 minutos de intensidade elevada, e 2 a 3 sessões semanais de treino de força (como agachamentos, puxadas com carga…).

Importa sempre lembrar que o exercício deve ser individualizado e adaptado às condições de cada pessoa. Consulte um profissional do exercício e mantenha-se ativo(a)!

Tiago Rafael Moreira

Tiago Rafael Moreira

[Doutoramento em Ciências do Desporto, Docente IPMaia, Coordenador Quality Onco Life – Exercício Físico em Oncologia]

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