Persistir: a coragem para continuar

Ana Tapia // Fevereiro 4, 2022
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O que têm em comum pessoas comuns que sentem ter concretizado os seus desejos ou sonhos e cientistas como Albert Einstein, Marie Curie, empresários como Steve Jobs, Oprah Winfrey, políticos como Winston Churchill, Angela Merkel, entre muitos? Na minha opinião, todos eles partilham um poder fundamental que é a persistência que lhes permitiu alcançar o êxito e o sucesso, nalguns casos num contexto de grande adversidade. Enquadra-se nesta categoria dos persistentes? Como se manifesta a sua perseverança? Pode desenvolver essa capacidade de persistir? Continue e obterá a resposta a estas e outras questões que talvez façam alterar a sua perspetiva sobre o que implica persistir.

Deixe-me contar o segredo que me conduziu ao meu objetivo:

a minha força residiu unicamente na minha tenacidade.”

Louis Pasteur

É uma pessoa persistente?

Se é uma pessoa persistente é alguém que não desiste até atingir o seu propósito, o seu objetivo. Pode ser apelidado(a) como perseverante, dotado(a) de uma enorme tenacidade, focado(a), orientado(a) para os resultados, resiliente ou ambicioso(a). Qualquer que seja o atributo que lhe atribuam estas são algumas das palavras que indicam a força de ser persistente de que alguns podem dispor naturalmente, enquanto outros precisam de mais energia e esforço para a cultivar.

Sim, é verdade que pode desenvolver a sua capacidade de persistir para que sinta uma maior realização e possa ter um impacto mais positivo no seu trabalho e nas diversas áreas da sua vida em geral. As situações, o contexto, a falta de meios, podem não ser fatores favoráveis para que consiga o que mais deseja. Os obstáculos, as dificuldades, os desafios constantes intrometem-se entre si e o que mais aspira, mas se resistir, se persistir, se não desistir e se tiver um rumo, nalgum momento o vento passará a ser-lhe mais favorável.

Desafios são presentes que nos forçam a procurar um novo centro de gravidade.

Não lute contra eles.

Encontre uma nova maneira de resistir!”

Oprah Winfrey

No trabalho que desenvolvi com o meu colega consultor José Soares Ferreira, um dos comportamentos ou atitudes chave do comportamento empreendedor[1]  era a persistência ou a orientação para os resultados que são duas das componentes críticas do que chamamos de resiliência. Para ter resiliência precisa de persistir, porque se não o fizer, não consegue ter a tenacidade, a perseverança, nem conhecer a sua capacidade de resistência que aqueles que não desistem tão bem conhecem. Por isso precisa de encontrar, muitas vezes, novos centros de gravidade.

A persistência é o caminho do êxito.”

Charles Chaplin

Para encontrar um novo centro de gravidade, nos desafios, obstáculos, nas contrariedades  que a vida lhe coloca no trabalho, na saúde, nas relações com os outros, na perceção (ou realidade) de falta de competências, dinheiro, bem-estar, no isolamento, precisa de encontrar novas forma de resistir à pressão, necessita de encontrar forma de lidar com os problemas, superar os obstáculos, tratar as adversidades sem perder o equilíbrio e a auto-estima, pois só assim conseguirá persistir no melhor caminho que tem como resultado alcançar seus propósito ou objetivos de vida. E para tal tem uma moeda com duas faces: a persistência e a resiliência.

Qual é o seu grau de resiliência/persistência?

Se quiser ter resposta a esta questão atribua um dos seguintes valores às perguntas em baixo:

o valor 1 (um) – se manifesta a atitude ou comportamento, mas só algumas vezes; 
o valor 2 (dois) – se evidencia a atitude ou comportamento muitas vezes; 
o valor 3 (três) – é típico em si na maioria das situações ou quase sempre.
  1. Demonstro uma atitude controlada através do tom de voz, da atitude e da mímica corporal em situações geradoras de ansiedade?
  2. Cumpro as metas com eficiência e eficácia mesmo quando tenho de cumprir prazos apertados?
  3. Mantenho a capacidade de trabalho quando sob pressão de tempo, cansado(a) ou em desacordo com o tema?
  4. Mantenho-me concentrado(a) na tarefa ou objetivo apesar de eventuais distrações?
  5. Aceito as críticas dos outros encarando-as como oportunidades?
  6. Controlo a impulsividade evidenciando um bom domínio das emoções, de forma a não comprometer o cumprimento das metas?
  7. Mantenho a calma perante a falta de controlo dos outros ou quando confrontado(a) com comportamentos mais agressivos?
  8. Mantenho o ritmo de trabalho/concretização de objetivos em situações de oposição, falta de meios ou tensão?
  9. Não desisto quando alguém me diz que algo não vai funcionar ou que é uma má ideia?

O valor que obtiver ao somar os pontos que atribuiu a cada uma das questões dá-lhe uma medida do seu grau de persistência/resiliência, sendo que o valor máximo é 27.

Como avaliar os resultados?

Se quiser saber o que fazer para desenvolver a sua persistência, reveja a pontuação que deu a cada pergunta, confirme se o valor corresponde realmente à realidade. As perguntas a que respondeu “3” revelam que é para continuar, as restantes são indicações que deve rever ou alterar o seu comportamento nessas situações.

Imagine que na maioria das situações onde quase sempre é típico em si: cumprir as metas mesmo quando os prazos são apertados; trabalhar sem comprometer o ritmo (ou resultado) quando está em desacordo; ter capacidade de concentração apesar das distrações; manter o ritmo (ou o resultado) em situações de falta de meios; persistir quando lhe dizem que não vai funcionar, eu diria que evidencia vários aspetos que são bastante reveladores de persistência.

Contudo, se se descontrola facilmente, se suscetibiliza com as críticas não as encarando como formas de aprendizagem e pistas de desenvolvimento, se não controla a impulsividade e tem dificuldade em manter a calma, a sua capacidade de persistir vai ser bastante afetada, por isso é que é importante olhar para estes ou outros fatores que podem afetar a sua capacidade de persistir e não desistir.

Coragem, continue. 

O que está entre si e o que mais deseja, por vezes é uma tentativa mais ou algo que pode ser mínimo, mas para o saber precisa da coragem de continuar, pois como dizia Winston Churchill: “O sucesso não é definitivo, o fracasso não é fatal”. O que conta é a coragem para continuar.

 Sorria, respire e vá lentamente.”

Thích Nhất Hạnh

[1] Referencial de formação pedagógica continua de formadores – Competências Empreendedoras –  IEFP, 2011

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