O Passado e o Presente da Cultura do Xisto – 2ª Parte

Francisco Mendonça // Fevereiro 9, 2017
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Caros Caminhantes,

Como se recordam, no nosso último artigo demos-vos a conhecer uma das mais bonitas aldeias históricas de xisto, a Cerdeira. Neste artigo vamos falar-vos da segunda de três aldeias que nos propusemos apresentar-vos. Referimo-nos ao Candal.

Ao contrário da Cerdeira (O Passado e o Presente da Cultura do Xisto – 1ª parte), o Candal está muito perto da EN236, ou melhor, é atravessado por esta bonita estrada serrana. Porém, isto não lhe retira encanto, pois boa parte da sua irrequieta malha estende-se por várias encostas acima desta estrada, desenvolvendo-se como que de um anfiteatro se tratasse.

O seu nome, Candal, poderá estar associado à arte de trabalhar a pedra, na qual os canteiros (homens que trabalhavam a pedra, graças aos quais as paredes de xisto de cada casa são um complexo emaranhado de pedras onde todas encaixam) e os pedreiros cantavam enquanto trabalhavam arduamente. “Cantar a pedra”, como se dizia e daqui poderá ter evoluído para “candar” e finalmente Candal, o local onde se canta a pedra.

No início do séc. XIX apenas o Candal e a Cerdeira, de todas as aldeias da região, escaparam ao saque do exército napoleónico. Em 1940 o Candal era uma aldeia cheia de vida, com cerca de 200 habitantes e com um total de 1200 cabeças de gado, entre cabras e ovelhas. Infelizmente, a exemplo de tantas outras aldeias, foi-se esvaziando e no início dos anos 90 já só tinha 15 habitantes permanentes.

Na sua base, perto da estrada, passa a Ribeira de Candal, que transporta as águas das cotas mais elevadas. Para além dos 5 moinhos de água, poderemos encontrar um dos ex-líbris desta aldeia, a Lojinha dos Talasnicos, uma pequena mercearia tradicional, que por si só já justifica uma visita. Contudo os talasnicos, que lhe dão o nome, são uns deliciosos biscoitos com que nos poderemos deliciar numa bonita esplanada, mesmo ao lado das águas apressadas da ribeira. É também muito perto deste espaço que se encontra o bonito e amplo chafariz do Candal, que como diz o povo, tem duas pedras, “uma para namorar e outra para passar o tempo”.

Resta dizer que tem duas pequenas unidades de alojamento e que a aldeia está cercada por grandes e bonitos sobreiros.

Na 3ª parte deste artigo vamos falar do belo percurso que liga as duas aldeias que falámos, a Cerdeira e o Candal.

Boas Caminhadas,

Francisco Mendonça

franciscomendonca@portugalwalkhike.com

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