Os primeiros amores dos nossos filhos

Bárbara Ramos Dias // Fevereiro 7, 2023
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Os primeiros amores dos nossos filhos
Os primeiros amores dos nossos filhos

“Vou comprar uma caçadeira!” “Agora vão ser só cabelos brancos.” Estas são algumas frases que os pais de meninas costumam dizer quando estas chegam à adolescência. Novos desafios surgem com a adolescência de um filho, nomeadamente os primeiros namoros e muitas são as questões associadas: Como encarar? Qual a idade certa para namorar? Devo ou não conhecer o namorado? Levo lá para casa ou nem quero ver? Longe da vista, longe do coração! Tenho medo que… Afinal, como lidar com os primeiros amores dos nossos filhos?

Acredita, se conseguires manter uma boa relação com a tua filha ou filho e confiares na educação que lhe deste e nos valores que passaste, tudo vai correr bem. Quanto mais criticares, julgares ou proibires, pior será, pois eles farão exatamente o contrário, nem que seja só para te irritar ou contrariar, faz parte do processo. 

Por mais que nos preparemos para estas situações, nunca estamos, principalmente quando se trata do primeiro namoro da filha, da nossa menina. 

O mais importante é manter a calma e a razão. 

Isto para não corrermos o risco de afastar os nossos filhos, ao invés de os aproximar de nós. É crucial, mostrarmo-nos abertos e capazes de os acolher (ao casal), mesmo em situações que para nós sejam desafiantes, porque caso contrário, terão tendência a fugir de nós e a esconder-nos as coisas importantes. Ou pior, irem pedir ajuda a pessoas de pouca confiança e que se aproveitem disso!  

A postura proibitiva, em geral, não os impede de fazerem nada que nós não gostaríamos que fizessem.

Pelo contrário, pode até incentivá-los a encontrarem meios de fazer as mesmas coisas sem que saibamos e, em geral, a maioria consegue, acredite. Face a isto, vale muito a pena repensar as nossas postura.

Enquanto mãe de 3 filhos, dois deles adolescentes, e psicóloga há mais de 20 anos, penso que como pais não nos cabe apenas vivermos na ditadura do “sim” ou “não”. Também nós, pais, temos de aprender. 

Também nós precisamos saber lidar com a frustração e a incapacidade para lidar com as situações que vão chegando. Cada filho tem a sua personalidade, cada um é único, com talentos e desafios específicos, logo, para cada uma há uma forma diferente de agir, precisando medir a maturidade e modo de intervenção com cada filho. Não se trata de idade cronológica, mas, sim, da maturidade que cada um deles demonstra no stress do dia a dia.

Ser apenas contra os filhos namorarem é escolher ser contra a natureza dos acontecimentos da vida e acabar por obrigá-los a mentir ou esconder. 

E, por isso, estarão a viver em sobressalto, mentira, ansiedade e sem terem o teu apoio. Haverá alguma vantagem nisto? Claro que não! Assim, eles vão procurar colo e atenção e compreensão noutro local. Normalmente, bem pior. Então, como lidar com estes momentos quando achas que o teu filho ainda é muito jovem para namorar? Conversar é o melhor remédio

Como lidar com os primeiros amores dos nossos filhos?

Coloca as dicas que deixo em prática, de modo a que não te tornes o pior inimigo das tuas filhas ou filhos, numa altura tão importante como esta:

  1. Podes começar por perguntar“O que sentes por ele? O que achas que ele sente por ti? Não será cedo? Talvez vocês sejam ainda são muito novos… Mas, olha, o mais importante é o respeito pelo corpo e por ti própria… Não faças nada só para agradar o outro e lembra-te que o teu corpo é o teu tesouro”;
  2. Sê empática/o, não desvalorizes o que ela/e diz sentir. Às vezes, aquilo que para nós pais parece uma tontice, para eles pode ser muito sério;
  3. Cria cumplicidade, se conversarem diariamente, sem julgamentos e críticas, se mostrares interesse e mantiveres um discurso aberto e positivo, vais estar a dar abertura para que partilhem o que sentem. Esta cumplicidade vai ajudar a que se sintam mais confiantes em pedir ajuda, se for necessário. Ou até através dessas conversas, nós nos apercebermos se algo não estiver bem. Assim, manter um diálogo aberto vai dar liberdade e espaço para a partilha; 
  4. Sê exemplo. Os nossos filhos são o nosso espelho, assim, repetem o que vêm no relacionamento dos pais ou dos pais com outras pessoas. Neste sentido, vamos dar exemplo de comportamento de cumplicidade, harmonia e respeito na relação;
  5. Constrói uma base segura, ou seja, a “casa como castelo”. Embora passem pouco tempo em casa, devem sentir a casa como um porto seguro e um refúgio para onde ir em caso de perigo, caso contrário irão procurar outras companhias. Eles precisam sentir confiança, colo e segurança para partilhar as suas necessidades, medos e angústias. Partilhar e ser ouvinte não é ser o melhor amigo. É crucial manter regras e limites, isso fá-los-á sentirem mais seguros. Não mudes as regras em relação a horários, estudos e tarefas em casa só porque o adolescente começou a namorar. O namoro deve acontecer sem modificações nas responsabilidades que o adolescente já tinha;
  6. Mantém uma relação de respeito, baseada no afeto, proximidade e aceitação, ao mesmo tempo que promoves a autonomia e independência. Ao transmitir essas características, os pais ajudam o adolescente a manter relações amorosas mais saudáveis, como espelho do que aprendem e sentem;
  7. Faz acordos e incentivos. Não acordos financeiros, mas de fazer algo que eles gostem, alguma experiência, as experiências ficam, os bens materiais passam.  A melhor solução aqui é fazer entender a importância dos estudos e estabelecer trocas. Por exemplo: “Quando tiveres média de 16 podes estar mais tempo com o teu namorado”
  8. Está por perto. Convida o/a namorado/a para vir a vossa casa. Assim, consegues observar melhor a relação entre eles, ao mesmo tempo que observas a dinâmica e vais conhecendo melhor a outra pessoa. Consegues observar, perceber se é boa influência, se tens de alertar para alguma coisa, perceber se a relação é sadia ou se está tomando rumos que possam prejudicar. Mas lembra-te que preservar o espaço deles também é importante;
  9. Não proíbas. Se os pais proibirem, o adolescente provavelmente fará o mesmo, mas escondido. Manter a tranquilidade é a melhor forma para passarem por esse momento;
  10. Olha para o lado positivo, para o copo meio cheio. Muitos pais só conseguem perceber o lado negativo do namoro, mas o namoro pode proporcionar várias aprendizagens ao adolescente como habilidades de negociação e empatia, por exemplo. Além disso, o namoro pode potencializar o seu sentido de identidade, desenvolver competências sociais e habilidades emocionais. Os inícios e términos também podem promover o desenvolvimento de resiliência, ajudando o adolescente no seu desenvolvimento emocional. Nem tudo é mau;
  11. Principalmente, não te culpes por não saber muito bem como agir nas situações. Todas as mudanças e novidades exigem um tempo de adaptação, sendo o importante encarar esta nova fase como algo natural.
  12. Por fim, e não menos importante, é a visita ao ginecologista para tirar as suas dúvidas. Sim, preparar as nossas filhas para o mundo é crucial. É importante conhecerem o corpo, saberem as limitações e orientações, e saberem cuidar da sua saúde íntima.

Apoio, compreensão e atenção

Eu própria já lidei com o primeiro namoro da minha filha de 16 anos. Dou-lhes todo o meu apoio, compreensão e atenção. Gosto que venham para perto de mim e tiro todas as suas dúvidas. Agora com o filho do meio, também já começam as dúvidas e partilhas, também já tem 14 anos e começam a existir as primeiras paixões e cabeça no ar. Falar abertamente sobre a sexualidade é muito importante para que se sintam à vontade de partilhar e questionar.

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