O stress existe. O problema é como lidamos com ele.

Sonia Pinote Bernardes // Dezembro 7, 2022
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Já parou para pensar que, desde que existimos como espécie humana, somos obrigados a fazer escolhas, consoante o ambiente que nos rodeia. Alguns Homens primitivos ao lidar com predadores, fugiram ou evitaram, outros enfrentaram, de acordo com as suas capacidades, mas sempre numa tentativa de adaptação e sobrevivência da espécie. O nosso corpo e a mente adaptam-se e evoluem dependendo das experiências.

Nestes momentos contemporâneos não é diferente em termos biológicos, cognitivos e comportamentais. O ser humano cresce e desenvolve-se sem se aperceber que está apenas a sobreviver.

Atualmente, vivemos numa sociedade onde tudo ocorre em pequenos e fugazes instantes. 

Constantemente somos postos à prova, com novos desafios em que dissimulamos com facilidade a nossa fragilidade e esquecemos-nos de que somos humanos, vestimos boas roupas e utilizamos as mais fantásticas tecnologias. Por outro lado, somos geneticamente diferentes, com histórias e memórias distintas. E para tal, adaptamos-nos às nossas circunstâncias de acordo com o que pensamos, sentimos e acreditamos

“Stress” é a palavra que normalmente utilizamos para expressar algo que nos incomoda, que perturba, que destabiliza ou simplesmente condiciona a  nossa zona de conforto.  

Não existe uma única receita para gerir todas estas sensações, que ultrapassam a forma como pensamos e existimos e, nesta perspetiva, tomamos consciência que começa por ser algo pessoal e intransmissível.  

Com tanta informação, temos conhecimento de muitas estratégias, e se algumas fazem sentido e funcionam, outras nem tanto… dependem, por exemplo, da fase de vida que nos encontramos e/ou com quem a partilhamos. Por exemplo: uma mãe ou um pai com vários filhos, com problemas em gerir o seu tempo profissional e/ou pessoal, as estratégias que escolhe não são as mesmas que as de um/a jovem recém-licenciado/a, sem filhos e sem companheiro/a.

O primeiro passo para gerir o stress é o autoconhecimento. 

É fácil estarmos perdidos ou confusos. No percurso da nossa vida sofremos influências, aquilo que vivemos e sentimos pode conduzir-nos para muito longe do que realmente somos. É fundamental compreender esta transformação. Algumas experiências podem nos ter feito sentir muito medo e, desde então, fazem com que nos comportemos de forma a controlar tudo à sua volta para não voltarmos a sentir aquela sensação de desconforto. 

Nesta perspetiva, o primeiro passo para gerir o stress é o autoconhecimento, ou seja, encontrarmos respostas em nós próprios, isto é: quem sou eu no presente; como me vejo; quais os meus pontos fortes e aqueles em que sou mais frágil.

Neste exercício de autorreflexão, uma das atitudes mais facilitadoras é a da aceitação de quem somos e de que não controlamos tudo o que nos acontece. 

Não controlamos, por exemplo, fenómenos da natureza, o trânsito ou a raiva do vizinho, ou seja, não dominamos as imprevisibilidades. O corpo, numa tentativa de sobrevivência, codifica as emoções sentidas e emite sinais de alerta perante estas situações. Estes sinais podem ser sintomas físicos, como uma dor de cabeça, uma dor no estômago, uma tensão nas costas, dificuldade em adormecer ou acordar no meio da noite, entre outros. Podemos treinar a consciência corporal, entender estes sinais e aprender a descodificar estas mensagens. 

A prática de uma atividade física – como pilates, yoga, dança ou outra atividade mais capacitada – pode servir para conhecer melhor o meu corpo. E nesta consciência pode tornar se mais claro as verdadeiras causas que nos incomodam. Pode passar por uma dificuldade em comunicar com o parceiro/a, um conflito com colega/chefe, um processo de luto, entre outras. Ou seja, situações que todos nós podemos viver ou sentir. O que será diferente é a forma como cada um de nós irá dar significado às suas experiências.

O psicólogo pode ser uma ajuda fundamental para clarificar este caminho da mente. Porém, a nossa atitude é decisiva. 

Frases como a que a minha mãe me transmitiu “sorrir para a vida para a vida nos sorrir”, sempre ajudaram a olhar para os problemas como desafios e não como ameaças, assim como a forma como acreditamos em nós pode modificar a resolução dos problemas, a gestão do nosso stress

Se para uns o passado é algo que os atormenta, dificilmente vão saborear o presente. Se para outros o que vai acontecer no futuro os perturba e os deixa em ansiedade, também vai ser difícil aproveitar o momento presente. Ou seja, ao ler este texto, pode verificar se é uma pessoa que carrega memórias e já trouxe para si imagens do passado ou se está mais preocupado/a por verificar que ainda tem tantas coisas para fazer. Estas duas sensações impedem de desfrutar o que está a ler. O truque, neste momento, pode ser sorrir, suspirar e continuar a olhar para as palavras, ou seja, desfrutar este presente, em mindfulness e da escolha que fez ao ler este artigo.

Caso ainda tenha dificuldade em gerir o pensamento enquanto está a ler este artigo, por ter mil e uma coisas para fazer e pensar sobre isso, sugiro que treine a gestão de prioridades, organize o seu dia a dia, escreve numa agenda o que é importante para si e o timing para as concretizar

Quando falamos em lidar com o stress, não posso deixar de acrescentar que, para além desta autorresponsabilização, somos seres sociais. Nem todos tivemos a oportunidade de desenvolver capacidades para fazer amizades ou de comunicar, no entanto é possível fazer escolhas com as quais desenvolvemos essa competência. 

Podemos simplesmente começar por pedir apoio, obter informações sobre atividades, sobre a forma como outros resolveram alguns problemas, seja no seio familiar, entre colegas e amigos, na comunidade, ou através de linhas de ajuda como o SNS 24. Estratégias eficazes resolvem problemas. Se fizermos como alguns antepassados, que evitaram ou compensaram o stress com estratégias que aliviam, mas não resolvem, sabemos que os resultados podem não ser os melhores, e aí até podem surgir dependências, como excesso de consumo de álcool, de tabaco, de outras substâncias aditivas, uso excessivo do telemóvel, dos jogos, entre outras formas de compensar a frustração.

O stress existe e faz com que evoluamos. O problema são as escolhas que fazemos e como as utilizamos. 

Numa sociedade uns vão evoluir, outros nem tanto, mas tudo correrá bem desde que cada um esteja consciente das consequências das suas escolhas.

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