O meu querido pai

Fátima Lopes // Março 19, 2018
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Para mim, nunca é tarefa fácil escrever sobre aqueles que amo. As palavras não me parecem estar à altura ou serem suficientemente claras para traduzir o que sinto.

As primeiras memórias que tenho do meu pai, deveria eu de ter uns 3 ou 4 anos e estava ele a cuidar de mim. Deu-me banho, vestiu-me e pôs-me a comer. Naquela altura, eram poucos os pais que participavam no cuidar dos filhos. Mas, o meu pai sempre participou. Assim, como também sempre participou na divisão das tarefas domésticas com a minha mãe.

Fui crescendo sempre com a noção de segurança bem presente porque o meu pai, tal como a minha mãe, fazia-nos sentir, a mim e à minha irmã, que havia uma estrutura forte a suportar-nos.

“O meu pai foi sempre um homem muito trabalhador, destemido e ambicioso.”

Ensinou- nos desde cedo o quanto era importante estudar e fazer do conhecimento uma ferramenta para a vida. Ele que retomou os estudos já depois de casado. Os meus pais empenharam-se sempre muito para que estudássemos. Lembro-me de nas férias grandes, quando íamos para o Algarve, brincar na água com ele a disputar um colchão. Nem sempre tinha facilidade em mostrar a grandeza do seu coração, mas são coisas que me ficaram registadas e que o definem.

Quando a minha avó materna ficou acamada, o meu pai ajudava a minha mãe a cuidar dela, em tudo. Era um trabalho duro que ele fazia sem se queixar e com um enorme carinho e amor pela minha avó. “É o meu Chico”, dizia ela, que sempre o adorou, exatamente, por a tratar como se fosse uma mãe.

Na minha adolescência esteve muito tempo a trabalhar fora de Portugal para que eu e a minha irmã pudéssemos tirar um curso superior. A minha mãe cumpriu os dois papéis, o que não foi fácil. Mas, ela é uma grande guerreira e uma mãe maravilhosa.

Já na idade adulta, o meu pai tem estado sempre presente nos momentos bons e menos bons. Como diz tantas vezes: “Eu só quero é que sejas feliz”. Eu sei que ele está sempre ao meu lado. A tal segurança da infância, permanece intacta.

“O tempo tornou-o mais sensível, emotivo e mais dado.”

Como avô é de uma dedicação fantástica. Desde o nascimento que tem acompanhado os netos de forma permanente. E o Filipe, sendo o único rapaz, alinha nas brincadeiras que povoam o imaginário do meu pai. O tempo tornou-o mais sensível, emotivo e mais dado. Hoje continua a dar colo, mas também já sabe aceitar o colo daqueles que o amam.

O meu pai tem um coração gigante e é por isso que o amo muito.

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