Lixo, lixo e mais lixo

Fátima Lopes // Fevereiro 20, 2020
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A convite do José Pedro Vasconcelos, para o seu programa “Depois vai-se a ver e nada”, fomos fazer uma reportagem no Centro de Reciclagem Amarsul. O Zé conhecendo as minhas preocupações ambientais e a minha entrega à luta por um planeta mais saudável, achou que esta era uma experiência importante. E tinha toda a razão. Uma coisa é ver na televisão, outra coisa é estar lá, confrontarmo-nos com montanhas e montanhas de lixo e perceber a dureza do trabalho que ali é feito.  

A primeira visão quando se entra num pavilhão de lixo é avassaladora.

Sentimo-nos pequenos de tamanho, mas gigantes na capacidade de produzir lixo. Há um sentimento de culpa que atravessa toda a equipa. Mesmo os que há muito adoptaram práticas amigas do ambiente, sentem que podem fazer mais e melhor. Dei por mim a passar em revista os meus hábitos em casa e fora dela, para perceber o meu grau de participação naquilo que estava ali à minha frente. Ainda por cima com uma informação adicional que aumentou a minha preocupação: aquele lixo tinha sido produzido só pelas freguesias do concelho do Seixal e correspondia a apenas 3 dias! Como assim? Aquilo tudo em apenas 3 dias? Isso mesmo!

Impossível não pensar no ambiente depois desta visita. Impossível não aderir às causas ambientais. Só a inconsciência total e absoluta, o justificaria.

A entrada para um dos tapetes onde se fazia a separação daquele lixo foi outra experiência que me impressionou. O cheiro nauseabundo em que aquelas mulheres trabalham, sim eram só mulheres, impõe respeito. Eu senti que se entranhava nas narinas e na roupa. Estive nos tapetes apenas uma hora. Elas estão 8h e não se queixam. Têm família, filhos e precisam de pôr pão na mesa. E fazem-no separando bem o lixo que nós separámos mal. A reciclagem é bem feita pelas mãos destas mulheres, que zelam pela saúde do planeta. 

Sustentabilidade e comprometimento com o meio ambiente

Fala-se muito em sustentabilidade, mas ela não existe sem comprometimento com o meio ambiente. Todas as crianças deviam visitar um centro como aquele, para crescerem adultos diferentes de todos aqueles que diariamente atentam contra o planeta, produzindo quantidades absurdas de lixo e/ou não o separando ou separando-o mal. E ouro sobre azul, seria as crianças levarem os pais e explicarem, como só elas o sabem fazer, usando a linguagem do coração. Talvez assim haja esperança.

Nota: Fotografias por Verónica Silva

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