Hoje é o meu pai a escrever

Fátima Lopes // Março 19, 2017
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Pedi ao meu pai que falasse sobre o significado do dia do pai. E aqui está. Espero que gostem.

“Falar do dia do pai, para mim, sempre foi uma mistura de sentimentos, umas vezes dolorosos e outras vezes de grande alegria, satisfação e realização.

Explico o porquê desta dualidade.

Não cheguei a conhecer o meu pai. Faleceu quando tinha 4 para 5 anos, após andar entre Hospital e casa quase sete anos. Do meu pai não tenho lembranças, como é natural. Em casa de minha mãe raramente se falava do meu pai, evitando-se o desgosto da sua perda. A minha mãe dirigiu todas as suas forças para ser pai e mãe dos seus sete filhos menores. Portanto, a figura do pai nunca fez qualquer sentido na minha vida, até ao dia em que o fui.

Na minha criação, o meu pai fez-me muita falta, como grande referência, o farol para me guiar e ajudar a definir os melhores caminhos, a dar o conforto, o calor e o abrigo, que só um pai sabe oferecer. Assim, a palavra pai foi para mim oca e sem sentido durante muito tempo.

Talvez por tudo isto, vivi a infância construindo em mim um sentimento de revolta e de amargura, em especial durante a escola primária, pela simples razão que os meus amigos tinham pais e avós. Dos progenitores, apenas conheci e vivi com a minha mãe. GRANDE MULHER.

Saí de casa da minha mãe aos 16 anos e nunca mais regressei. Estive no serviço militar durante quatro anos, casei-me durante esse período e fui pai pela primeira vez aos 26 anos.

Guardo com muito amor e carinho o momento em que vi pela primeira vez a minha primeira filha. Era pai. São momentos de felicidade que jamais se esquecem, tal a intensidade da sua gravação na vida. Tomei consciência que a partir daquele dia outra vida se iniciava. Preocupava-me não saber se tinha os conhecimentos necessários para ser um bom pai. Referências não existiam. Qual o caminho para ser um pai presente, exemplar, mentor, guia e orientador do caminho que a filha devia seguir?

Não sei se tão nobre missão foi totalmente conseguida. Foi, decerto, aquela que me pareceu ser a melhor para levar por diante tanta responsabilidade.

Humildemente, reconheço que da minha inexperiência consegui construir uma família maravilhosa com a minha mulher, as nossas duas filhas e três netos, que me amam e por quem sempre fiz e continuarei a fazer tudo, até ao limite das minhas forças.

Ser pai e já avô é esplendoroso e todos os sacrifícios são largamente compensados pela alegria de ver crescer uma parte de nós.

Hoje, o dia do PAI tem significado.”

Lisboa, 19 de Março de 2017

 

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