Exercícios para um cérebro mais inteligente

Vasco Catarino Soares // Novembro 14, 2022
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Com a vida stressante característica dos tempos actuais e com as dificuldades de controlo emocional que têm vindo a afectar, cada vez mais frequentemente, o cidadão comum e que ficam bem visíveis quando espreitamos para as redes sociais e verificamos que as pessoas se irritam e insultam com uma facilidade e frequência exageradas, senti que este era o momento certo para criar exercícios que pudessem contribuir para desenvolver a capacidade de raciocínio lógico das pessoas. Pretende-se que as pessoas conquistem uma maior capacidade para reflectir, controlar as emoções, medir consequências e planear uma resposta com vista a alcançar uma solução (o oposto ao descontrolo emocional).

Assim, criei o livro «Exercícios para um Cérebro Mais Inteligente», com 140 desafios para pessoas de todas as idades, para que se juntem e tentem resolver os problemas lá expostos. Com a família, os amigos ou até a solo, miúdos e graúdos podem divertir-se a “puxar pela cabeça” ao mesmo tempo que trabalham as competências de raciocínio lógico e de pensamento criativo. 

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No exercício da minha profissão de psicólogo, fui-me apercebendo de como é difícil para grande parte da população manter o equilíbrio entre a razão e a reacção emocional (em particular a intempestiva, ofensiva, agressiva). Não raras vezes, a razão fica em desvantagem. E isto é muitas vezes um transtorno; são respostas a problemas que criam ainda mais problemas. Pensar racionalmente é bastante mais eficaz. Em especial, quando temos de resolver problemas ou obstáculos que nos são impostos contra a nossa vontade. Além do mais, este tipo de pensamento permite-nos exercer controlo inibitório sobre as emoções (que não são a melhor resposta aos problemas, salvo raras excepções em que estamos em perigo iminente de vida). Foi por tudo isto que elaborei um programa inteiramente dedicado ao pensamento lógico (é o principal foco) e ao pensamento criativo.

Somos emocionais ou racionais?

Vou começar por dizer que somos ambas as coisas: emocionais e racionais. Porém, no início, no princípio dos tempos, os primeiros seres humanos (e assim foi durante muito tempo) reagiam ao meio circundante de modo emocional (não confundir com sentimental). Eram seres que precisavam de recolher alimentos, fugir de ameaças à sua vida (animais selvagens), atacar outros animais para alimento e tinham de se reproduzir (comportamento sexual). Ora, todas estas actividades dependiam de reacções emocionais como irritação, medo, nojo, tristeza, antecipação alegria, confiança e pouco precisavam de uma capacidade racional. Repare que neste mundo primitivo e algo hostil, o ser humano precisava destas reacções emocionais para ser rápido a responder. Um exemplo: se um homem ou mulher se deparasse com um animal selvagem, o mecanismo emocional espoletava imediatamente a resposta mais eficaz, que seria fugir. O que leva à fuga é primeiro a emoção do medo e depois acção correspondente: correr. Agora, vejamos: se o tal homem ou mulher fossem racionais e começassem a pensar no que seria melhor fazer o mais provável é que quando chegassem a uma conclusão já estivessem nas garras e dentes de um destes animais.  Por aqui já se percebe que, nessa altura, seria pouco vantajoso o pensamento racional. Por esse motivo a nossa biologia, a organização do nosso cérebro, estava preparada para este modo mais emocional de funcionar. 

Depois, ao longo dos milénios, fomos adquirindo um modo racional de pensar, para agir sobre o mundo. Esse modo racional permitiu-nos construir ferramentas e soluções para controlar o ambiente à nossa volta e garantir protecção face aos perigos e, desse modo, já não estaríamos tão dependentes das respostas emocionais. Porém, o modo emocional está tão enraizado em nós que quase tem primazia face à racionalidade: em situações de grande carga emotiva sobra pouco espaço para a racionalidade. Quando duas pessoas discutem e se zangam começa a dominar a emotividade e a decrescer a racionalidade. O ser humano é iminentemente um ser emocional; é o que nos está colado à pele. Ao ser assim, o que acontece é que toma decisões e age, muitas vezes, condicionado pela «força da emoção». 

Somos emocionais e racionais, mas a verdade é que somos seres emocionais há muito mais tempo do que racionais. E face a esta realidade ainda há muito caminho para que a espécie consiga (se tal alguma vez acontecerá) alcançar um bom nível de racionalidade; um nível que nos garanta um mundo sem guerras ou atropelos aos direitos humanos. 

Porque devemos estimular o raciocínio lógico?

Face ao que expliquei atrás (as pessoas agem mais pela emoção, com os “nervos à flor da pele”) apercebemo-nos que temos de incentivar a que as pessoas procurem explorar mais as soluções lógicas para resolver as suas vidas. Isto porque são elas que proporcionam resultados mais compensadores. Mas também percebemos que modos novos de fazer as coisas e qualitativamente diferentes do habitual (criatividade) são aquele pequeno diferencial que muda radicalmente um cenário e possibilita grandes ganhos qualitativos. Daí eu insistir nestes dois pontos e aconselhar a que se façam exercícios para estimular a capacidade lógica e o potencial criativo de cada um. A capacidade lógica e a criatividade são dois modos divergentes de abordar a realidade e o meio à nossa volta. Porém, podemos observar vários casos, ou melhor, situações, em que ambas podem encontrar-se para uma acção conjunta. Um cérebro bem exercitado nestes âmbitos tem sempre uma grande vantagem sobre o cérebro comum. 

Para entender por que motivo defendo que devemos apostar no raciocínio lógico temos antes de abordar o seu oposto: a emoção. E começo por salientar que tanto a emoção como a razão lógica são os dois grandes modos de pensar e agir sobre o meio à nossa volta. Formulamos opiniões e tomamos decisões, ora ponderando os prós e os contras, medindo as consequências de modo racional, ora deixando-nos levar pelas nossas emoções e agindo de acordo com esse estado emocional (seja ele de alegria, tristeza, decepção, raiva, etc.), sem ponderar muito as consequências possíveis. 

Quantas vezes não nos chateámos, criámos equívocos, ou dissemos palavras amargas a pessoas nossas amigas ou familiares porque nos apontaram alguma falha (que realmente cometemos)? E sobre a qual depois de pensarmos com calma (racionalmente) até somos os primeiros a admiti-la? Mas quando nos avisam disso a nossa reacção primeira é ficarmos irritados e sentirmo-nos atacados, gerando imediatamente uma resposta irada de contra-ataque, ofendemos as pessoas e dizemos algo grave e injusto de que nos arrependeremos mais tarde. O que está em jogo aqui? Razão ou emoção? Calculo que tenha respondido emoção, certo? Respondeu bem. Não é certamente um raciocínio lógico, ponderado que nos leva a insultar ou agredir pessoas. É sempre uma resposta emocional descontrolada.

É por esta razão que devemos adquirir uma maior capacidade de raciocínio lógico: para podermos analisar as situações, averiguar as opções que temos, observar as consequências possíveis e, só depois, fazer escolhas racionais. Escolhas que nos levem a boas soluções ou, não sendo tal alcançável, que não nos coloquem em maiores dificuldades. 

Se olharmos para a esfera do trabalho verificamos que não ser lógico e racional pode ter um custo elevado. Más decisões e juízos pouco informados estão entre as razões para encontrar dissabores com colegas e superiores hierárquicos. E isto levará a consequências negativas, como ostracização, intrigas, más avaliações de desempenho, perda de oportunidades de promoção, baixa remuneração e, na pior das hipóteses, despedimento. 

Ora, se no trabalho as coisas podem correr mal, na vida privada de cada um as más decisões, baseadas em respostas emocionais (descontroladas), não terão melhores resultados, e poderemos contar com discussões pouco (ou nada) produtivas, sentimentos de rejeição por parte dos que amamos, desentendimentos com os filhos, separação, divórcio, zangas e rupturas com amigos e isolamento social. 

Devemos abdicar da nossa emocionalidade?

Não! Não devemos abdicar desta nossa característica. Nós seremos sempre seres emocionais. Mesmo que quiséssemos não conseguiríamos anular a nossa emocionalidade. A emoção e os sentimentos não são algo apenas negativo e desnecessário ao ser humano. Não devemos, de modo algum, reduzir a importância das emoções e dos sentimentos na vida das pessoas. Essa importância é inegável. O ser humano não é uma máquina; não é um autómato sem emoções ou sentimentos. Essas duas facetas (emoção e razão) farão sempre parte de nós. O que devemos conseguir é estabelecer uma relação de equilíbrio que nos permita explorar e adquirir algum domínio sobre as emoções, e, em alguns casos, anular ao máximo algumas delas, consoante o prejuízo que nos possam estar a causar. Este equilíbrio é o que nos permite ter benefícios reais na gestão da nossa vida. 

De resto, devo acrescentar que o que temos de glorioso em nós é a capacidade de pensar construtivamente, de criar formas reflectidas de agir sobre as coisas e problemas, mas também aproveitar as emoções positivas que nos fazem amar e querer colaborar com os outros. É isso que nos faz evoluir e que nos torna melhores pessoas. No fundo, pessoas que procuram formas de melhorar o mundo à sua volta. 

É precisamente essa capacidade lógica de olhar para o mundo e encontrar uma maneira eficaz de solucionar problemas que quero estimular com os exercícios que estão no livro «Exercícios para um Cérebro Mais Inteligente». 

Os benefícios esperados com a realização destes exercícios são: 

  • desenvolver mais a sua competência para resolver problemas; 
  • encontrar incoerências nos enunciados que lhe são apresentados e que lhe permitam distinguir o verdadeiro do falso; 
  • aumentar a sua capacidade de análise e encarar as diferentes perspectivas da realidade; 
  • alterar a sua mentalidade para procurar soluções menos óbvias para os problemas; 
  • encarar melhor o erro e a mudança de planos; 
  • aumentar a sua capacidade para organizar informação, ideias e pensamentos de modo a encontrar soluções para problemas; 
  • aumentar a sua tenacidade e resiliência para completar desafios; 
  • aumentar a sua capacidade de observação e atenção ao significado das palavras.

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