“Eu sou a tua mãe, não sou tua amiga.” Será?

Inês Afonso Marques // Junho 25, 2024
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sou a tua mãe
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Eu sou a tua mãe, não sou tua amiga.”

Eventualmente já recorreu a esta frase. Tendo recorrido, consegue recuperar o contexto em que a disse? Muito provavelmente foi num momento em que procurava recuperar algum controlo na dinâmica com a sua filha (ou filho) e foi a forma que, provavelmente já em desespero, encontrou para a relembrar de algumas regras e limites. Terá surgido como resposta a um revirar de olhos, bater de porta ou bater de pés com força no chão. Verdade? Compreendo a reação. Em todo o caso, vale a pena refletir sobre este “Sou a tua mãe, não sou tua amiga”.

O que se espera de uma mãe (ou pai)?

De forma muito simplista, espera-se que esteja atento e que cuide de todas as variáveis que podem impactar no bem-estar dos filhos, doseando a sua presença e interferência consoante a necessidade, as características e a idade dos filhos. Espera-se que garanta um contexto seguro para o filho crescer. Que ame incondicionalmente o filho, respeitando a sua individualidade. Espera-se que o oriente nos caminhos do crescer, ensinando-o a fazer boas escolhas, a distinguir o certo e o errado, a saber partilhar, a ser tolerante, a ser gentil consigo e com os outros, a ser responsável e respeitador. A ser, progressivamente, mais autónomo.

O que se espera de um/a amigo/a?

Entre outras coisas, espera-se confiança e respeito, desejam-se momentos de diversão e partilha e almejam-se aprendizagens.

Estes aspetos referidos parecem-lhe inconciliáveis?

Na verdade, os alicerces de uma amizade são também alicerces da relação entre pais e filhos. São ingredientes fundamentais que nutrem relações saudáveis, que fortalecem laços afetivos com significado.

Uma filha (ou filho) espera que a mãe confie nela, que respeite (mesmo que não concorde) os seus gostos e as suas escolhas. Uma filha espera que a mãe a escute e procure compreendê-la. Uma filha espera que a mãe crie um espaço seguro onde pode partilhar aquilo que pensa e sente, para onde pode levar todas as suas dúvidas e anseios. Espera que lhe dê conselhos, mesmo que em seguida necessite de seguir um trajeto diferente. Uma filha espera poder divertir-se com a sua mãe e partilhar com ela momentos especiais, de conexão onde a animação pode reinar. Acredite que nenhuma mãe perde a sua autoridade porque ri e brinca com os filhos, independentemente da sua idade.

Tudo isto é alcançável com comunicação, com expressão de expectativas e necessidades, com definição de limites.

Se desde sempre as regras e os limites forem explícitos, poucas vezes se verá a recorrer à frase: “Sou a tua mãe, não sou tua amiga”.

A relação entre mãe e filha/o pode e deve incluir amizade. 

Trata-se é de uma amizade que é expressa de maneira diferente da amizade entre crianças ou jovens da mesma idade. Por isso, uma mãe pode e deve ser amiga da filha. É possível e desejável.

Eu sou a tua mãe e sou tua amiga.”

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