Doença Celíaca e Alimentação

Maria Santana Lopes // Maio 16, 2017
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No dia 16 de maio celebra-se o dia da doença Celíaca. A estimativa presente de prevalência na população em geral na Europa e Estados Unidos da América é de aproximadamente 1%.

A doença celíaca (DC) é uma doença autoimune que ocorre em indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten, uma proteína presente nos cereais trigo, centeio, cevada e aveia.

A DC caracteriza-se por um estado de inflamação crónica da mucosa intestinal que reverte aquando da exclusão do glúten da alimentação e reincide após a sua reintrodução na dieta. Na base da inflamação crónica estão reacções imunológicas complexas que vão induzir alterações na mucosa do intestino delgado, conduzindo à diminuição da absorção de nutrientes e aumento do risco de morbilidade e malignidade.

Até à data, o único tratamento disponível para a DC consiste na prática de uma dieta isenta de glúten (DIG) que se deve manter para toda a vida. A eliminação do glúten da alimentação vai resultar na regressão das lesões intestinais e na recuperação do organismo.

Nas crianças, os sinais e os sintomas de má absorção podem tornar-se óbvios alguns meses após a introdução dos cereais na alimentação. As manifestações características da DC clássica: diarreia, irritabilidade, letargia, distenção abdominal, atraso de crescimento, diminuição do apetite, perda de peso e atrofia muscular.

Uma vez confirmado o diagnóstico de DC, o único tratamento consiste na prática de uma dieta isenta de glúten para toda a vida. Até à data, não existe ainda tratamento farmacológico para esta doença.

O glúten deve ser totalmente excluído da dieta já que as manifestações clínicas e as complicações podem surgir mesmo com quantidades mínimas desta proteína.

A DIG baseia-se na exclusão dos cereais trigo, cevada, centeio e aveia da alimentação, bem como dos seus híbridos, nomeadamente o triticale e o kamut e de todos os produtos derivados.

Apesar da DIG parecer, na sua essência simples, na prática, ela é desafiante para os doentes, familiares e até para os profissionais de saúde. Para além das fontes óbvias de glúten como o pão, as tostas, as massas, os produtos de confeitaria e pastelaria, as bolachas e os tradicionais cereais de pequeno-almoço, o glúten pode encontrar-se numa grande variedade de outros produtos alimentares.

É fundamental que o doente celíaco se assegure que os alimentos que consome não contêm glúten na sua composição, sendo, por isso, muito importante a leitura atenta dos rótulos dos produtos alimentares.

Qualquer referência na rotulagem aos cereais agressores e aos seus derivados ou designações como, por exemplo, farinha, espessantes, malte, extracto de malte, amido, amido modificado, cereais, emulsionantes, estabilizantes, proteínas vegetais, proteínas vegetais hidrolisadas, goma vegetal constituem sinais de alarme que devem levar os doentes celíacos a rejeitar o produto.

Os cuidados a ter com a alimentação não passam simplesmente pela exclusão do glúten. É igualmente essencial garantir-se a prática de uma alimentação completa, variada e equilibrada que forneça ao organismo todos os nutrientes necessários.

Um Nutricionista pode ajudá-lo a tirar as dúvidas sobre a dieta restritiva e orientá-lo para saber como substituir os itens que não podem entrar na dieta.

Os doentes celíacos podem encontrar à sua disposição vários Alimentos Específicos sem Glúten (AESG), incluindo, pão, tostas, bolos, bolachas, biscoitos, crepes, pizzas, bases para pizzas, massas, sobremesas e também farinhas adequadas para confecção caseira. A compra destes alimentos não é de todo fundamental, é possível fazer tudo em casa e até mais saudável. Mas claro são práticos par as alturas mais complicadas.

A disponibilidade destes produtos aumenta o leque na escolha alimentar dos celíacos, contribuindo para a variedade da dieta.

Refira-se, no entanto, que os AESG poderão ser mais ricos em gorduras e açúcares e, consequentemente, em energia, do que as versões convencionais, de forma a favorecer o sabor, a textura, a aparência e a aceitação generalizada destes alimento. Além disso, são geralmente mais dispendiosos do que os alimentos com glúten.

Após suspender o consumo da proteína de trigo, cevada e centeio, a mucosa do intestino começa a recuperar-se Em geral, o órgão fica novo em folha dentro de 1 a 2 anos depois do corte total de glúten.

Não deixe para amanhã aquilo que a sua saúde agradece que comece hoje. O desafio é ficarmos todos mais saudáveis!

Fontes bibliográficas:

  1. Associação Portuguesa de Celíacos.
  2. Associação Portuguesa de Nutricionistas.

Maria Santana Lopes

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