Como fazer uma horta em casa?

Equipa Planetiers // Junho 22, 2018
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Mais do que moda, ter uma horta em casa é uma forma fácil de aumentar a qualidade de vida do teu lar e das pessoas que nele habitam. Se por um lado é uma ótima maneira de aproveitar o tempo, contribuindo para a redução do stress e dando uma nova energia positiva à tua casa, por outro, é uma forma de poupar dinheiro, gerar saúde e tornar a tua dieta bem mais sustentável.

Uma horta urbana, controlada por ti, não contribui para a produção de resíduos ou desperdício, para o desmatamento, aquecimento global, poluição ou trabalho escravo, ainda associados a algumas culturas e produções agrícolas atuais. E, para além de tudo isso, com uma horta em tua casa consegues garantir pratos saborosos e nutritivos, utilizando ingredientes frescos e biológicos, colhidos na hora e convocados diretamente para os teus cozinhados.

Vamos a isso! Por onde começo? 

Queres fazer a tua horta e não sabes como começar? Deixamos-te abaixo algumas dicas super úteis para facilitar o processo!

Escolher o Espaço

Qual o espaço disponível que tens para a tua horta? Dentro ou fora de casa, este espaço depende muito entre casos. Qualquer espaço com solo pode ser reaproveitado, seja parte do teu jardim, um espaço público que mereça uma nova vida ou um espaço verde partilhado pelo condomínio. Mas, dentro de casa também se fazem hortas! Através de uma horta vertical ou um espaço vazio da tua casa, podes sempre cultivar os teus legumes – um espaço de 5, 10 ou 20 m2 já te garantem uma produção considerável.

Mais importante do que o tamanho é a localização. É bom que este espaço tenha incidência solar direta durante parte do dia (a maioria das hortícolas exige 5 a 6 horas de exposição solar diária) e um ponto de água a uma distância próxima. Aconselha-se que a tua horta tenha uma exposição a poente, que te garante mais horas de sol durante o verão e te permite ter a opção de cultivar muito mais diversidade de hortícolas.

Onde vou plantar? 

Dependendo do tipo de espaço, a melhor forma de organizares a tua horta pode variar. Agrupar o solo é uma forma de facilitar o crescimento e manutenção da tua horta.

Se a tua horta é exterior, há que delimitar e utilizar suporte à volta do solo, para que os canteiros se mantenham de pé e o solo não seja levado pela chuva. Se a tua horta é urbana, podes organizá-la em vasos reciclados, suportes de cultivo cool, floreiras verticais ou canteiros especiais que te fazem poupar água e tratam da tua horta por ti.

É importante também organizar o espaço em parcelas, que serão um ponto chave da rotação de culturas, e guardar um local próprio para as sementeiras – um canteiro específico se for uma horta exterior ou vasos e tabuleiros no caso de uma horta urbana, que devem ser etiquetados e semeados de forma organizada.

Como enriquecer o solo? 

O solo é um dos pontos essenciais que vai decidir se a tua horta terá sucesso. Todos os nutrientes que farão as tuas plantações crescerem são fornecidos pelo solo e, portanto, é importante ter atenção à fertilidade do mesmo.

Se estás a pensar utilizar um solo encontrado na rua, o facto de ter algumas plantas pode indicar fertilidade. Contudo será sempre melhor enriquecer o solo que vais utilizar nas tuas plantações.

Um solo considerado “bom” precisa apenas que lhe adiciones composto orgânico produzido por ti, 1 a 2 vezes por ano. Este composto orgânico pode ser produzido em casa, reaproveitando os restos de comida para gerar composto, comprado em lojas da especialidade, ou através de algumas espécies de plantas que depois de crescidas podem ser podadas e utilizadas nos solos.

Já um solo pobre terá de ser enriquecido e preparado com recurso a húmus de minhoca, composto agrícola, feito por ti ou de compra, adubos biológicos ou alguns sacos de substrato hortícola já preparados.

É importante não exagerar na adubação – com uma razão de 50 g por m2 – e não utilizar adubos NPK, que têm um efeito muito rápido nas plantas, mas que reduzem a fertilidade do solo através de acidificação, tóxicos, destruição da bioestrutura e aumento da erosão. Ao imobilizar nutrientes, os alimentos obtidos através do uso destas substâncias chegam ao nosso prato com menos qualidade nutricional, menos duração e excesso de nitratos e oxalatos.

Vamos plantar! 

Calma, antes de passar à ação, há que escolher o que vais plantar. Esta escolha deve ser feita tendo por base os teus gostos, o que se usa mais lá por casa, condições e dimensão do espaço. Por outro lado, se a simetria dá pontos no design, na agricultura urbana não tanto: a diversidade é crucial para o equilíbrio da tua horta!

Diferentes tipos de vegetais devem ser plantados em conjunto, de acordo com a sua função e garantindo que estes têm exigências de nutrientes e espaço diferentes – quanto mais biodiversidade mais proteção contra pragas e menos pobre o solo.

É bom juntar espécies repelentes de insetos, como o alecrim, citronela e hortelã, a hortícolas mais frágeis ou cultivar espécies com um poder de atração muito superior que distraiam as pragas das hortícolas que realmente nos interessam. Estas relações de alelopatia entre as espécies são uma forma de manter a tua horta o mais natural e sustentável possível.

Mais do que diversidade, Rotatividade! 

De forma a manter o nível de fertilidade do solo estável, há que rodar nas culturas plantadas no mesmo espaço após cada ciclo de cultivo – este é um dos conceitos principais de uma agricultura sustentável.

Esta rotatividade deve acontecer entre culturas com exigências distintas. Para facilitar, dividimos-te em 4 grupos o tipo de culturas entre os quais deves rodar: Folhas e Frutos (tomate, beringelas, couves), Aliáceas (alho-francês, cebola, chalota), Raízes (cenouras, rabanetas, batatas) e Leguminosas (ervilhas, favas ou feijões).

Deves também ter atenção a melhor época para plantar cada espécie e integrar essa informação no planeamento da rotatividade das parcelas da tua horta urbana.

Para este planeamento tens também de ter em conta quando precisas das colheitas – ao plantar várias porções de leguminosas no mesmo dia, podes esperar que a colheita seja concentrada na mesma altura – provavelmente será mais útil semear parcelas com intervalos de 2 semanas e garantir assim uma colheita mais prolongada no tempo.

Agora sim, vamos plantar! 

Apesar de ser um hobby que exige alguma dedicação e criatividade, ter uma horta em casa traz-te milhões de benefícios. Para além dos já foram referidos, a realização de produzires os teus próprios legumes vale tudo. É também uma forma de dar a conhecer uma outra realidade aos mais novos da família e criar relações mais próximas com o nosso planeta e saúde.

Se neste momento, em qualquer alimento que compramos, não conseguimos garantir com 100% de certeza a sua composição, ter uma horta urbana devolve-te o controlo e a confiança de que o que estás a comer é livre de químicos, tóxicos ou substâncias químicas que não fazem sentido estarem associadas a comida.

Estão prontos para serem os próximos agricultores urbanos do vosso bairro? Com estas dicas e mais outras, a tarefa torna-se fácil, acessível e super divertida.

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