Basta ser

Fátima Lopes // Agosto 10, 2021
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Continuo a sentir, não só naquilo que leio, mas também nalgumas abordagens das pessoas, que ainda há uma enorme preocupação com a imagem e com a forma como os outros nos leem a partir da imagem. Seja por aquilo que vestimos, pelo estilo que adoptámos, pelos gestos que temos ou não temos, ainda continua a haver um grande peso à volta da imagem. 

O peso da imagem

Muitas vezes as pessoas são apressadamente avaliadas pela forma como se apresentam e frequentemente a imagem nada tem a ver com a leitura apressada que é feita da pessoa. 

Lembrei-me de escrever sobre esta questão do ser e do parecer porque me oponho o mais possível ao desperdício e ao consumismo desnecessário. Apercebi-me que a pandemia levou a que se pesasse tudo de forma diferente. O facto de termos tido menos acesso às lojas físicas, levou muitas pessoas a desabituarem-se de consumir só por consumir. É verdade que as vendas online dispararam, mas como nem todos gostam de o fazer, muito do consumismo desenfreado de coisas absolutamente desnecessárias, acabou por abrandar. E ainda bem.

Ser ou parecer?

Uma coisa é consumirmos algo porque precisamos, porque efetivamente é uma necessidade, outra coisa é consumir porque sim. Quando entra uma nova estação, é suposto termos sempre roupas novas e da moda? Porque não podemos repetir aquilo que já usámos centenas de vezes até nos fartarmos? As figuras públicas são muito avaliadas pela sua imagem. Se vamos a um evento e repetimos um look, o mais provável é sermos criticados. A pergunta que deixo é: e não é suposto voltarmos a usar as roupas, sapatos e adereços que temos?

Não é suposto voltarmos a usar as mesmas peças?

Não é suposto voltarmos a repetir peças, uma e outra vez, eventualmente um ano e mais outro? Onde é que está escrito que a validade das coisas é apenas uma vez ou X tempo? E há algum inconveniente em continuar a usar fora de moda? Isso é ficar escravo da cultura do parecer, com a qual eu não concordo de todo. 

Temos simplesmente de ser. Concentrar-nos em ser. 

Em viver a vida da forma que nós entendemos, com a imagem que nós escolhemos. 

Este ano, não me tenho preocupado com a repetição de looks nas fotos. Algumas das roupas já as comprei há muito tempo e nos últimos anos, elas aparecerem sempre nas fotos. Porquê? Porque continuo a gostar delas e a achar que me ficam bem. Além disso mantêm a qualidade, por isso desfazer-me delas porquê? Se eu não sinto necessidade de comprar peças novas, pouco me importa que algumas tenham aparecido uma, duas ou 50 vezes! 

Comprar só por comprar não. Desperdiçar só por desperdiçar nem pensar! 

Vai contra os meus valores, vai contra o respeito que eu tenho pelo planeta. Por isso, volto a reafirmar: basta ser! 

Não é preciso parecer. Basta ser!

E parecer não é mais do que desperdício de tudo, até de energia, e uma perda de foco de quem nós somos. 

Nota: Fotografia por Verónica Silva

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