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	<title>Renato Bessa de Melo, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<title>Renato Bessa de Melo, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>O Cancro do Pâncreas</title>
		<link>https://simplyflow.pt/o-cancro-do-pancreas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Bessa de Melo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[Cancro do Pâncreas]]></category>
		<category><![CDATA[Pâncreas]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Bessa de Melo]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cancro do pâncreas é uma doença com um mau prognóstico. Mas, hoje são concentrados nesta patologia grandes esforços a nível de investigação por toda a comunidade científica.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/o-cancro-do-pancreas/">O Cancro do Pâncreas</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O pâncreas é uma glândula anexa do aparelho digestivo que se encontra localizada na parte superior do abdómen, atrás do estômago. Divide-se em três partes: cabeça (lado direito), corpo (secção central) e cauda (lado esquerdo). A parte da cabeça encontra-se em íntima relação com o duodeno, via biliar (o canal onde passa bílis, produzida no fígado) e alguns vasos importantes que vão para o intestino.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O pâncreas desempenha duas funções no nosso organismo.&nbsp;</strong></h2>



<p>A primeira é uma função exócrina ao ser<strong> responsável pela produção de enzimas digestivas que vão fazer a digestão de alimentos e permitir a sua absorção</strong>. A segunda é endócrina,<strong> produz várias hormonas fundamentais para o normal funcionamento do corpo humano</strong>. A mais conhecida é a insulina, que é responsável pela regulação dos níveis de açúcar no sangue.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O cancro do pâncreas ocorre quando se formam células malignas no tecido pancreático.&nbsp;</strong></h2>



<p>O termo “cancro do pâncreas” corresponde genericamente ao adenocarcinoma do pâncreas, que é o tumor maligno do pâncreas mais frequente, e que se forma a partir das células exócrinas (que produzem as enzimas digestivas). Esta não é a única neoplasia maligna do pâncreas, apesar de representar 95% de todos os cancros do pâncreas. Também podem existir tumores neuroendócrinos do pâncreas, que representam 5% dos tumores pancreáticos, e têm na maioria dos casos um comportamento menos agressivo do que os adenocarcinomas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Epidemiologia</strong></h2>



<p><strong>O adenocarcinoma do pâncreas é uma das neoplasias com pior prognóstico na Europa.</strong> A sobrevida média dos doentes após o diagnóstico é inferior a seis meses. Mundialmente, ocupa o 3.º lugar nas mortes por cancro, a seguir ao pulmão e cólon, e em Portugal é a 3.ª neoplasia maligna do sistema digestivo mais frequente.&nbsp;</p>



<p>A incidência do cancro do pâncreas tem vindo a aumentar, sobretudo nos países desenvolvidos. Apesar de todos os progressos no tratamento, ao contrário do que acontece na maioria dos cancros, o número de mortes tem vindo a crescer todos os anos. Em Portugal, em 2017, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxa de mortalidade era de 15.1/100 000 habitantes.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sinais de alarme&nbsp;</strong></h2>



<p>Habitualmente, <strong>o cancro do pâncreas não apresenta sintomas na fase inicial</strong>. É ‘silencioso’ até uma fase avançada e os sintomas variam com a localização do tumor no próprio órgão.&nbsp;</p>



<p><strong>Os sintomas são, na maioria das vezes, relativamente inespecíficos</strong>, como: <strong>dor abdominal</strong> com irradiação para a região dorsal, que não desaparece com a mudança de posição; <strong>perda de apetite</strong>; <strong>emagrecimento</strong> sem causa aparente; ou, <strong>cansaço</strong>. Pode ainda surgir <strong>coloração amarelada dos olhos e pele </strong>(icterícia) se o tumor envolver a cabeça do pâncreas e provocar obstrução da drenagem biliar (por invasão da via biliar, que leva a bílis do fígado para o intestino). A icterícia pode associar-se a <strong>urina de cor escura </strong>(vinho do porto), <strong>fezes de cor clara</strong> ou <strong>comichão</strong> (prurido).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Diagnóstico</strong></h2>



<p><strong>O diagnóstico do cancro do pâncreas é habitualmente feito através do exame físico e exames complementares</strong>, tais como:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Ecografia abdominal</strong>: muitas vezes é a opção inicial por ser um exame simples, acessível, não invasivo e inócuo. No entanto, devido à sua localização e a existência de interposição gasosa pode não ser possível visualizar o pâncreas na sua totalidade;</li><li><strong>Tomografia computadorizada</strong> (TC) ou <strong>ressonância magnética</strong> (RM): são métodos de imagem com excelente pormenor na avaliação do pâncreas (se realizados com contraste endovenoso) e muito importantes para diagnóstico e estadiamento (avaliar a localização, extensão e relação com outros órgãos);</li><li><strong>Ecoendoscopia</strong>: técnica que permite visualizar, através de uma sonda de ecografia de alta resolução colocada na extremidade distal de um aparelho de endoscopia, todo o pâncreas através do estômago e duodeno (porção inicial do intestino). É de grande utilidade no diagnóstico e estadiamento local, com a vantagem de permitir a realização de biópsias essenciais para o diagnóstico definitivo e estabelecimento de plano terapêutico;</li><li><strong>Tomografia de emissão de positrões</strong> (PET FDG): este exame permite, após a injecção endovenosa de um produto radioativo, detetar células metabolicamente ativas, como é o caso das neoplasias malignas. Pode ser útil na detecção de lesões metastáticas (lesões à distância) em que a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada não são conclusivas.</li></ul>



<p>As <strong>análises sanguíneas</strong>, nomeadamente os marcadores tumorais, não devem ser usados para o diagnóstico de tumores. Após o diagnóstico, se elevados, <strong>podem ser úteis para a avaliação de resposta à terapêutica e seguimento dos doentes</strong>. O seu uso indiscriminado e para rastreio não está indicado.</p>



<p><strong>O correto diagnóstico e avaliação da extensão da doença são essenciais para se poder definir a estratégia terapêutica para o doente.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prevenção e comportamentos de risco</strong></h2>



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<p><strong>Não são conhecidas as causas para o desenvolvimento de cancro do pâncreas. </strong>Apenas conhecemos alguns<strong> factores de risco </strong>para o desenvolvimento do mesmo, sendo que os principais são:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>tabagismo</strong>: é o principal fator de risco identificado, aumentando o risco de cancro cerca de duas a três vezes;</li><li><strong>alcoolismo</strong>: os indivíduos com elevado consumo de álcool, especialmente aqueles que desenvolvem formas de pancreatite crónica, têm risco aumentado de vir a ter cancro do pâncreas;</li><li><strong>obesidade</strong>: indivíduos obesos têm um risco ligeiramente superior em desenvolver cancro do pâncreas;</li><li><strong>pancreatite crónica</strong>: geralmente associada ao consumo de álcool e tabaco, é um fator de risco adicional;</li><li><strong>doentes portadores de determinado tipo de quistos (mucinosos) do pâncreas, nomeadamente os IPMN (Neoplasia intraductal mucinosa)</strong>;</li><li><strong>predisposição familiar</strong>: o risco de desenvolver cancro do pâncreas é superior nos familiares de 1º grau (pais, irmãos ou filhos) que tenham ou tiveram a doença (particularmente quando esta surge antes dos 50 anos). Estes doentes têm indicação para rastreio de cancro do pâncreas, assim como, doentes com determinadas mutações genéticas que aumentam o risco deste cancro.</li></ul>



<p>Qualquer comportamento ou condição que aumenta a hipótese de ter uma doença é um fator de risco. <strong>É fundamental tentar hábitos de vida saudáveis e controlar os fatores de risco preveníveis.&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tratamento do cancro do pâncreas</strong></h2>



<p><strong>O tratamento do cancro do pâncreas vai depender de vários factores: características do tumor</strong> (por exemplo, o seu grau de diferenciação e características histológicas), <strong>localização do tumor no pâncreas, estadiamento local </strong>(invasão de estruturas e órgão adjacentes) <strong>e à distância</strong> (presença de metástases),<strong> e do doente </strong>(sua condição física global e doenças associadas).&nbsp;</p>



<p><strong>A abordagem terapêutica tem de ser individualizada. O tratamento não é único e só a combinação de várias modalidades é capaz de tratar de forma adequada o cancro do pâncreas.&nbsp;</strong></p>



<p>O tratamento vai passar por quimioterapia, cirurgia e eventualmente radioterapia. Estes tratamentos devem ser adequados ao tumor individual. Por exemplo, a extensão e tipo de cirurgia vai depender da localização do tumor. Lesões da cabeça do pâncreas tem indicação para duodenopancreatectomia cefálica e doentes com lesões da cauda tem indicação para pancreatectomia distal, quase sempre associada a esplenectomia (retirada do baço). Em alguns casos pode estar indicada a realização de pancreatectomia total. A cirurgia pancreática pode comprometer as funções do pâncreas e os doentes podem desenvolver diabetes ou insuficiência exócrina (incapacidade de efectuar a correcta digestão dos alimentos) após a cirurgia e necessitar de medicação para corrigir estas alterações. Por outro lado, a quimioterapia vai depender das características histológicas e moleculares das células do tumor.</p>



<p><strong>O tratamento do cancro do pâncreas é complexo e multimodal. Deve ser efectuado por equipas especializadas e multidisciplinares </strong>que incluam, entre outros, Cirurgia Geral, Gastroenterologia, Oncologia Médica, Radio-Oncologia, Imagiologia e Anatomia Patológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O futuro</strong></h2>



<p>O cancro do pâncreas é uma doença com um mau prognóstico. Mas, <strong>hoje são concentrados nesta patologia grandes esforços a nível de investigação por toda a comunidade científica</strong>. O foco deve estar na adopção de um estilo de vida saudável, um alto índice de suspeição que permita um diagnóstico atempado e, por fim, um tratamento multimodal e personalizado. O esforço de todos pode permitir avanços significativos no combate e tratamento desta doença.</p>



<p></div>
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