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	<title>João Mouta, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>A importância do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Mouta]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Feb 2019 08:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[João Mouta]]></category>
		<category><![CDATA[luta contra o cancro]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Celebra-se hoje o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro. Assinalar este dia como sociedade é&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Celebra-se hoje o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro. Assinalar este dia como sociedade é muito importante, por várias razões. Em primeiro lugar, trata-se de uma oportunidade para homenagearmos todos aqueles que faleceram com cancro, mas sobretudo todos os sobreviventes, e todos aqueles que, diariamente, convivem com o cancro, seja pessoalmente, seja através de familiares ou amigos afectados pela doença. Em segundo lugar, é uma oportunidade para falarmos abertamente sobre cancro e o seu impacto na nossa sociedade, nas nossas famílias, contribuindo assim para a mitigação de um estigma social que, infelizmente, ainda persiste.</span></p>
<h2><b>Mas o que é afinal o Cancro?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Habitualmente falamos de cancro como sendo uma doença. Na realidade, </span><b>o cancro é uma constelação de doenças</b><span style="font-weight: 400;"> muito diferentes entre si, mas que partilham algumas características comuns. O nosso organismo é, na verdade, um conjunto de células, que são os constituintes básicos dos nossos órgãos e sistemas de órgãos, e que, no seu conjunto, desempenham as funções necessárias à nossa sobrevivência. O cancro surge quando uma destas células normais do nosso organismo se </span><b>transforma numa célula anormal</b><span style="font-weight: 400;">, adquirindo a capacidade de se multiplicar de forma desordenada, invadindo os tecidos normais adjacentes, e adquirindo o potencial de se espalhar a órgãos distantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta transformação pode ocorrer sob a influência de agentes externos, como agentes químicos e físicos, mas pode também resultar de mutações genéticas que ocorrem de forma esporádica no processo normal de divisão celular, ou seja, como fruto do acaso. Em situações bastante raras (cerca de 5% de todos os cancros), a doença ocorre em pessoas que são portadoras de alterações genéticas hereditárias, com potencial para serem transmitidas de pais para filhos.</span></p>
<h2><b>O impacto do cancro no Mundo e em Portugal</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O cancro é, verdadeiramente, um </span><b>problema de Saúde Pública</b><span style="font-weight: 400;">. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) &#8211; </span><a href="http://gco.iarc.fr/"><span style="font-weight: 400;">Globocan, 2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; estimam em mais de 17 milhões os novos casos anuais de cancro no Mundo e, em quase 9,5 milhões as mortes anuais por cancro no Mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estima-se que um em cada 5 homens e que uma em cada 6 mulheres venha a ter um diagnóstico de cancro ao longo da vida. O cancro do pulmão é o mais frequente (12,3% de todos os casos de cancro no Mundo), a par do cancro da mama (12,3%), seguidos de perto pelo cancro colorrectal (10,9%), pelo cancro da próstata (7,5%) e pelo cancro do estômago (4,9%). O cancro do pulmão é também o mais mortal (18,6% de todas as mortes por cancro o Mundo), seguido pelo cancro colorrectal (9,3%), cancro do estômago (8,2%) e cancro do fígado (8,2%).</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em Portugal, estima-se que sejam diagnosticados aproximadamente 58 mil novos casos de cancro todos os anos, e que quase 29 mil pessoas morram anualmente por cancro; aproximadamente 155.500 pessoas vivem no nosso país, a cada momento, com alguma forma de cancro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No nosso país, o cancro colorrectal é o mais frequente (17,6% de todos os novos casos de cancro diagnosticados todos os anos), seguido pelo cancro da mama (12%) e pelo cancro da próstata (11,4%). Já relativamente à mortalidade é o cancro do pulmão o mais mortal (17,3% de todas as mortes por cancro no nosso país), seguido do cancro colorrectal (11,3%) e do cancro do estômago (8,4%).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1972, o cancro é a segunda causa de morte mais frequente em Portugal (</span><a href="https://www.pordata.pt/"><span style="font-weight: 400;">Pordata, 2017</span></a><span style="font-weight: 400;">), logo após as doenças cardiovasculares, devendo nos próximos 10 a 20 anos tornar-se na principal causa de morte no nosso país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cancro é uma doença predominantemente relacionada com o envelhecimento e com os estilos e hábitos de vida. O envelhecimento populacional que se projecta para as sociedades ocidentais, e os países desenvolvidos de uma forma geral, bem como a aquisição, por parte das populações dos países em desenvolvimento, de novos hábitos e estilos de vida (dieta ocidental, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool), levarão a um brutal aumento da incidência (projectam-se 29,5 milhões de novos casos de cancro no Mundo em 2040) e da mortalidade do cancro no Mundo (16,5 milhões de mortes por cancro no Mundo em 2040). Estima-se que os custos directos e indirectos do cancro no Mundo, em 2030, atinjam o impressionante número de 458 mil milhões de dólares americanos. </span><b>Torna-se, assim, fundamental que actuemos agora na abordagem deste problema.</b></p>
<h2><b>Luta contra o cancro – Em que ponto estamos?</b></h2>
<p><b>A Luta contra o cancro é possível, e está centrada nos momentos em que podemos ter influência no processo de desenvolvimento da doença ou no seu desfecho: a prevenção, o rastreio, o diagnóstico precoce, e o tratamento.</b><span style="font-weight: 400;"> A maioria dos sistemas de saúde, sobretudo nos países desenvolvidos, tem desenvolvido esforços no sentido de melhorar a abordagem destes vários momentos, sobretudo através do desenvolvimento e implementação de planos nacionais dedicados à doença oncológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De uma forma geral, e por via destes esforços, nas últimas décadas temos assistido a uma diminuição do contributo do cancro para a mortalidade por doenças não comunicáveis. Esta diminuição é relevante do ponto de vista da Saúde Pública, mas é fortemente contrariada pelo envelhecimento da população (sobretudo nos países desenvolvidos); pela escassez de sistemas de saúde organizados; impossibilidade ou dificuldade de acesso ao rastreio, diagnóstico precoce e tratamento; e pela aquisição de hábitos e estilos de vida típicos dos países desenvolvidos (sobretudo nos países em desenvolvimento).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, e apesar da prioritização da Luta contra o cancro pela OMS, dos esforços e do investimento realizados, o cancro continua a ser uma das principais causas de morte no Mundo, suplantando, em muitos países, as doenças cardiovasculares.</span></p>
<h2><b>Prevenção do cancro – O que está nas nossas mãos?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre um terço e um pouco mais de metade dos cancros são atribuíveis a causas modificáveis e, portanto, potencialmente preveníveis. O impacto potencial de medidas de Saúde Pública dirigidas à prevenção e tratamento de factores de risco conhecidos para a ocorrência de cancro é, assim, enorme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns destes factores de risco, como por exemplo, a existência de mutações genéticas hereditárias que predispõem o aparecimento de alguns cancros, não são modificáveis. Alguns casos de cancro, por outro lado, ocorrem de forma puramente esporádica, não se identificando nas pessoas afectadas qualquer factor de risco conhecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de metade dos cancros, porém, são atribuíveis a factores de risco relacionados com:</span></p>
<ul>
<li>Agentes físicos (radiação ultravioleta resultante da exposição solar, radiação ionizante resultante de acidentes nucleares ou exposição profissional);</li>
<li>Agentes químicos (tabaco, álcool, poluição ambiental);</li>
<li>Hábitos e estilos de vida (excesso de peso e obesidade, sedentarismo, dieta);</li>
<li>Agentes biológicos (alguns vírus, bactérias e parasitas).</li>
</ul>
<p><b>Manter um peso normal ao longo da vida, evitar o consumo de tabaco e álcool, fazer uma dieta saudável, equilibrada e diversificada, manter actividade física regular, evitar a exposição solar excessiva, e cumprir as vacinas preventivas são medidas individuais que podem ajudar a prevenir mais de metade dos cancros.</b><span style="font-weight: 400;"> A implementação de programas de Saúde Pública que tenham em vista estas medidas preventivas, apesar do investimento público necessário, tem um enorme potencial para, a longo prazo, contribuir para uma melhor saúde da população, e poupanças nos custos directos e indirectos relacionados com o cancro.</span></p>
<h2><b>A importância do rastreio e do diagnóstico precoce</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da prevenção, também os programas de rastreio têm um enorme potencial para diminuir a mortalidade e, em alguns casos, a incidência de alguns cancros. Os programas de rastreio são por natureza organizados por iniciativa dos serviços de saúde, e dedicados ao diagnóstico precoce de lesões pré-malignas ou malignas, permitindo frequentemente tratamentos menos agressivos e com maior probabilidade de sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem todos os cancros devem ser rastreados; para que um programa de rastreio faça sentido, os cancros devem ser frequentes, terem elevada taxa de mortalidade ou morbilidade, uma história natural bem conhecida, e serem susceptíveis de tratamento com elevada probabilidade de cura. Os programas de rastreio do cancro da mama e do cancro do colo do útero nas mulheres, ou do cancro colorrectal na população em geral, são exemplos de programas de rastreio que demonstraram, em vários estudos, contribuir para a diminuição da mortalidade por estas doenças.</span></p>
<p><b>À semelhança do rastreio, também o diagnóstico precoce tem potencial para contribuir para a diminuição da mortalidade</b><span style="font-weight: 400;">, da morbilidade e dos custos directos e indirectos associados ao cancro. É fundamental a implementação de programas de educação para a saúde, que possibilitem às pessoas serem parte activa, de forma informada, sensata e eficaz, na vigilância da sua própria saúde, detectando precocemente sintomas potencialmente importantes, e procurando cuidados de saúde adequados atempadamente.</span></p>
<h2><b>Tratamento do cancro – Temos feito avanços?</b></h2>
<p><b>O tratamento do cancro tem conhecido, nas últimas duas décadas, avanços assinaláveis</b><span style="font-weight: 400;">. Anteriormente praticamente uma sentença de morte (ainda para mais antecipada, dado o enorme estigma que existia e levava os doentes oncológicos a viverem escondidos da sociedade, e a receberem tratamentos, quando disponíveis, em hospitais diferentes dos outros doentes), hoje é uma doença curável em mais de metade dos casos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para esta melhoria dos resultados têm contribuído, certamente, alguns avanços na prevenção (melhores conhecimentos sobre alguns factores de risco), os programas de rastreio, e o diagnóstico precoce (baseado em melhor educação para a saúde), que têm contribuído para a detecção de cancros em estádios mais precoces, em que podem ser tratados de forma mais eficaz e, frequentemente também, menos agressiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também a maioria das modalidades de tratamento do cancro têm evoluído exponencialmente:</span></p>
<ul>
<li>a <strong>cirurgia</strong> é cada vez mais eficaz, mais segura e menos invasiva, com o advento da laparoscopia e da cirurgia robótica;</li>
<li>a <strong>radioterapia</strong>, nas suas várias modalidades modernas, é cada vez mais eficaz contra a doença, e cada vez mais dirigida, poupando toxicidade aos tecidos saudáveis;</li>
<li>a <strong>quimioterapia</strong> é cada vez usada de forma mais informada, procurando-se um balanço entre os seus benefícios e os seus riscos e toxicidades, e assim uma melhor selecção dos doentes que dela podem beneficiar.</li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Um cada vez melhor conhecimento da biologia e dos mecanismos do cancro, liderado pelas universidades, grupos cooperativos e pela indústria farmacêutica, tem permitido o desenvolvimento de tratamentos dirigidos, cada vez mais eficazes, e com formas de administração mais convenientes para os doentes e os hospitais. Em alguns casos vieram revolucionar o tratamento de alguns cancros, e modificar completamente a sua história natural.</span></p>
<h2><b>Uma mensagem final</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O cancro é um problema de Saúde Pública, mas também um problema social que nos afecta a todos, seja directa, seja indirectamente, através dos nossos familiares, amigos, ou colegas de trabalho. Se pensarmos no peso crescente que vai ter para a nossa sociedade (não só social, mas também económico), torna-se urgente que façamos o que está ao nosso alcance para inverter o actual estado das coisas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma bem sucedida luta contra o cancro são fundamentais os programas públicos de educação, sensibilização, rastreio e diagnóstico precoce, mas também que cada um de nós faça a sua parte na prevenção, adoptando hábitos e estilos de vida saudáveis, e evitando exposições prejudiciais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É também fundamental o investimento público e privado na inovação terapêutica, para que as mais modernas e eficazes modalidades terapêuticas existentes possam chegar aos doentes que delas necessitam.</span></p>
<p><b>Temos que saber mais sobre cancro. Não podemos ter medo de falar de cancro. </b><span style="font-weight: 400;">Como sociedade, temos que colocar o cancro na agenda pública. Exigir às entidades financiadoras, públicas e privadas, que disponibilizem os recursos necessários para o diagnóstico e tratamento do cancro, e para o apoio e acompanhamento aos sobreviventes. É esta a importância de um dia como o 4 de Fevereiro, Dia Mundial de Luta Contra o Cancro.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Outubro, o mês do Cancro da Mama – O que podemos fazer?</title>
		<link>https://simplyflow.pt/outubro-o-mes-do-cancro-da-mama-o-que-podemos-fazer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Mouta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Oct 2018 07:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[João Mouta]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todos os anos, em Outubro, celebramos o mês do cancro da mama, ocasião que aproveitamos para&#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/outubro-o-mes-do-cancro-da-mama-o-que-podemos-fazer/">Outubro, o mês do Cancro da Mama – O que podemos fazer?</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Todos os anos, em Outubro, celebramos o mês do cancro da mama, ocasião que aproveitamos para educar e consciencializar para esta doença tão importante na nossa sociedade. Se pensarmos que aproximadamente 1 em cada 8 mulheres no Mundo virá a ter um diagnóstico de cancro da mama ao longo da vida, e que esta doença afecta predominantemente mulheres, nos anos em que são mais produtivas e assumem mais responsabilidades profissionais, familiares e sociais, facilmente compreendemos que o cancro da mama é um verdadeiro problema de saúde pública. Aproximadamente 1 em cada 100 casos, porém, ocorre em homens – o que faz com que o cancro da mama nos diga ainda mais respeito a todos.</span></p>
<h2><b>O cancro da mama é o mais frequente entre as mulheres portuguesas.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (2018) mostram que </span><b>o cancro da mama é o segundo cancro mais frequente em todo o Mundo</b><span style="font-weight: 400;"> (apenas atrás do cancro do pulmão); todos os anos são diagnosticados mais de 2 milhões de novos casos no Mundo (12% de todos os cancros). O cancro da mama é o quinto mais letal, causando mais de 600.000 mortes anuais em todo o Mundo (7% de todas as mortes por cancro). É o cancro mais frequente entre as mulheres, responsável nestas por quase 1 em cada 4 casos de cancro. </span><b>Em Portugal, é o segundo mais frequente</b><span style="font-weight: 400;"> (quase 7000 novos casos por ano, apenas atrás do cancro colorrectal),</span><b> e o quinto mais letal </b><span style="font-weight: 400;">(responsável por aproximadamente 1750 mortes por ano). Neste momento, mais de 25.000 mulheres em Portugal vivem com alguma forma de cancro da mama.</span></p>
<h2><b>A aposta na prevenção permite evitar a ocorrência de alguns cancros da mama.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos nossos dias, são frequentes as menções a formas hereditárias de cancro da mama ou ao aumento da incidência em mulheres muito jovens. Sendo estes dois temas importantes, é fundamental saber que as formas hereditárias são responsáveis por uma minoria dos casos, e que o cancro da mama é relativamente raro nas mulheres com menos de 40 anos, sendo uma doença muito relacionada com o envelhecimento. A maioria dos casos de cancro da mama são esporádicos, e ocorrem como fruto do acaso. Alguns factores de risco conhecidos para cancro da mama não são modificáveis (a idade, a história familiar, a exposição a radiações, algumas doenças mamárias benignas, menarca precoce ou menopausa tardia, nuliparidade ou primeira gravidez tardia). Outros, porém, como o tabagismo, o consumo de álcool, a obesidade e sedentarismo, e a exposição a tratamentos hormonais baseados em estrogéneos, são modificáveis. O primeiro passo para a redução do risco de vir a ter cancro da mama é assim a </span><b>prevenção</b><span style="font-weight: 400;"> – </span><b>evite o tabaco e o álcool, faça exercício físico, mantenha uma dieta saudável, equilibrada e diversificada, e mantenha o seu peso dentro da normalidade</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h2><b>A vigilância e o rastreio permitem diagnosticar cancros da mama em fases em que são curáveis.</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos hoje que os resultados do tratamento do cancro da mama estão directamente relacionados com a precocidade do seu diagnóstico. Por essa razão, </span><b>é de extrema importância a manutenção de uma adequada vigilância e a adesão aos programas de rastreio populacional</b><span style="font-weight: 400;">. A vigilância clínica é realizada pelo médico assistente (médico generalista ou ginecologista, por exemplo), podendo ser complementada pela auto-vigilância, através da auto-palpação mamária regular. A vigilância é simples e pouco dispendiosa, e permite detectar alguns cancros da mama numa fase precoce.</span><b> Além da presença de nódulos mamários, as mulheres devem estar atentas a outros sinais como alterações da secreção mamilar, a alterações da pele</b><span style="font-weight: 400;"> (como pele em casca de laranja, retracções, inversões do mamilo, sinais inflamatórios ou úlceras que não desapareçam, lesões descamativas) </span><b>e ao aparecimento de nódulos na axila</b><span style="font-weight: 400;">; caso surjam, devem contactar o seu médico. A vigilância deve, porém, ser complementada pela adesão aos programas de rastreio. A realização, em intervalos regulares, da mamografia e ecografia mamária permite detectar um grande número de casos numa fase em que os tumores não são sequer ainda palpáveis, possibilitando o tratamento atempado de lesões pré-malignas e malignas, e a redução da mortalidade associada ao cancro da mama. As recomendações das sociedades científicas não são consensuais, mas frequentemente recomendam a realização dos exames de rastreio com uma periodicidade anual, a partir dos 40 anos, e enquanto o estado geral de saúde o tornar razoável. Consulte o seu médico a este respeito.</span></p>
<h2><b>O tratamento do cancro da mama é hoje em dia totalmente individualizado.</b></h2>
<p><b>Na maioria dos casos em que é diagnosticado (&gt;95% dos casos), o cancro da mama encontra-se em estádios precoces.</b><span style="font-weight: 400;"> O tratamento do cancro da mama deve ser realizado em Unidades de Mama, serviços hospitalares dedicados ao diagnóstico, tratamento multidisciplinar e seguimento de doentes com cancro da mama. Nestas Unidades, o doente encontra uma equipa de médicos especializados nesta patologia – cirurgiões, oncologistas, imagiologistas, anatomopatologistas, entre outros – que, juntos, farão uma proposta de tratamento individualizada a cada doente. O tratamento do cancro da mama em estádios precoces é sempre multimodal, isto é, exige que sejam empregues diferentes modalidades de tratamento. Compreende a parte do tratamento local (mama e axila), habitualmente feito com recurso a técnicas cirúrgicas, com ou sem contribuição da radioterapia, e a parte do tratamento sistémico (às vezes chamado de “preventivo”), para o qual podem ser utilizados, isoladamente ou em combinação, tratamentos de quimioterapia, hormonoterapia e modernos tratamentos biológicos dirigidos. </span><b>O tratamento que cada doente realiza depende das suas características individuais, do seu risco de vir a ter uma recidiva, da extensão da sua doença, e das características biológicas do seu cancro. </b><span style="font-weight: 400;">A probabilidade de um cancro da mama ficar curado depende também destes factores mas, de uma forma geral, podemos dizer que, nos dias de hoje, a maioria das doentes com cancro da mama em estádios iniciais pode ser curada da sua doença.</span></p>
<h2><b>Dispomos de tratamentos cada vez mais eficazes para o cancro da mama avançado.</b></h2>
<p><b>O cancro da mama avançado afecta uma minoria das doentes ao diagnóstico</b><span style="font-weight: 400;">, e uma parte das mulheres inicialmente diagnosticadas com cancro da mama em estádios precoces, que vêm durante o período de seguimento a desenvolver sinais da doença noutros locais. Por definição, o cancro da mama avançado não tem cura; os principais objectivos do seu tratamento são o prolongamento e a manutenção da qualidade de vida. O tratamento do cancro da mama avançado depende de vários aspectos – o subtipo de cancro da mama, as localizações de doença, e o estado geral de saúde da doente – e pode incluir várias modalidades de tratamento (quimioterapia, hormonoterapia, tratamentos dirigidos, radioterapia, etc.). Deve sempre ser acompanhado do adequado tratamento de suporte e, sempre que possível, de cuidados paliativos instituídos precocemente. O cancro da mama avançado </span><b>não é necessariamente uma sentença de morte a curto prazo; nas últimas décadas fizemos enormes progressos no tratamento do cancro da mama avançado, de tal maneira que algumas mulheres vivem muitos anos com este diagnóstico, levando uma vida familiar, profissional e social plenas, produtivas e dignas</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h2><b>Cancro da mama – Muito pode ser feito!</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo, </span><b>o cancro da mama é um verdadeiro problema de saúde pública nos países desenvolvidos</b><span style="font-weight: 400;">. A sua incidência está a aumentar, sobretudo em virtude da alteração dos hábitos e estilos de vida e do envelhecimento da população, tal como a quantidade de pessoas que vivem com este diagnóstico. A aposta na prevenção é fundamental, e há coisas que pode fazer todos os dias – leve um estilo de vida saudável, evitando o consumo de tabaco e de álcool em excesso, fazendo uma alimentação saudável e equilibrada, e praticando exercício físico. O diagnóstico precoce é fundamental ao sucesso do tratamento do cancro da mama – esteja atenta, adira à vigilância e aos programas de rastreio do cancro da mama. </span><b>Temos feito avanços extraordinários no tratamento do cancro da mama, mas o sucesso do combate a esta doença também depende de todos nós.</b><span style="font-weight: 400;"> Cuide de si, e cuide das mulheres à sua volta.</span></p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/outubro-o-mes-do-cancro-da-mama-o-que-podemos-fazer/">Outubro, o mês do Cancro da Mama – O que podemos fazer?</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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