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	<title>Conceição Calhau, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Conceição Calhau, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>Os erros na alimentação saudável</title>
		<link>https://simplyflow.pt/os-erros-na-alimentacao-saudavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Conceição Calhau]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2024 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ALIMENTAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[A ilusão da comida saudável]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Calhau]]></category>
		<category><![CDATA[nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atualmente, somos bombardeados com informações sobre alimentação saudável, mas será que aquilo que consideramos ser saudável é realmente benéfico para o nosso organismo? </p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/os-erros-na-alimentacao-saudavel/">Os erros na alimentação saudável</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atualmente, somos bombardeados com informações sobre </strong><a href="https://simplyflow.pt/a-ilusao-da-comida-saudavel/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>alimentação saudável</strong></a><strong>, mas será que aquilo que consideramos ser saudável é realmente benéfico para o nosso organismo? </strong></p>



<p>Muitas vezes, mesmo tratando-se de alimentos ditos saudáveis, a prática de estar constantemente a petiscar tem consequências negativas. O hábito de comer de forma contínua pode tornar-nos resistentes à insulina e impedir que a regeneração celular se processe devidamente. Além disso, o padrão ideal de consumo de alimentos deve seguir uma “pirâmide invertida”, concentrando-se na primeira metade do dia, de modo a impedir a perda de massa muscular e consequente abrandamento do metabolismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>É comum ouvirmos que a solução para os males alimentares é aumentar o consumo de proteína, mas este conceito precisa de ser revisto.&nbsp;</strong></h2>



<p>Se retirarmos ou reduzirmos o consumo de hidratos de carbono e gordura sobra a proteína, que, ao que parece, agora é “a cura de todos os males”, logo coloca-se mais proteína em tudo!&nbsp;</p>



<p>A verdade é que a ingestão de proteína deverá estar concentrada maioritariamente nas refeições de almoço e jantar e menos nas pequenas refeições, como, por exemplo, o pequeno-almoço. Isto muitas vezes traduz-se num índice glicémico alto por serem refeições particularmente ricas em hidratos de carbono (presentes no pão, em bolo, bolachas, cereais, tostas, barras, fruta), havendo, por isso, pouca proteína nestas refeições, e, claro, pouca fibra (em regra).&nbsp;</p>



<p>Uma solução seria aumentar a quantidade de proteína vegetal, que deveria representar cerca de dois terços da nossa ingestão diária de proteína. Alimentos como leguminosas não só fornecem proteína, como também vitaminas, minerais, fitoquímicos e fibras que não estão presentes nos alimentos de origem animal e que são essenciais ao bom funcionamento do organismo. Isto porque sabe-se que o consumo excessivo de proteína animal causa desequilíbrios na microbiota intestinal com impacto negativo no sistema imunitário.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A importância da microbiota intestinal</strong></h2>



<p>Quando falamos em microbiota intestinal estamos a falar num conjunto de micro-organismos que evoluiu e que nos permitiu a nós, espécie humana, evoluir. Nós temos micro-organismos em todas as superfícies e em todas as zonas de contacto com o exterior &#8211; desde a cavidade oral e nasal &#8211; e no intestino, onde temos uma quantidade muito grande de bactérias. É por isso que se fala tanto de microbiota intestinal, que é quase entendida como se fosse um órgão, um ecossistema. No fundo, é como se tivéssemos todo um jardim zoológico a viver dentro de nós.&nbsp;</p>



<p>Algumas dessas bactérias existentes no nosso intestino têm como função emitir um sinal para desencadear o efeito de saciedade. Aparentemente, a presença destas no intestino de pessoas obesas parece ser reduzida, o que faz com que seja mais difícil sentirem-se saciadas, o que dificulta o controlo da fome.</p>



<p><strong>Uma alimentação pouco variada não permite suprir as necessidades alimentares das bactérias que compõem a nossa microbiota intestinal, que acabarão por morrer à fome e levar-nos assim à disbiose</strong> (desequilíbrio da microbiota), o que pode resultar em várias complicações de saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O mito das refeições saudáveis</strong></h2>



<p>Falando em diversidade alimentar para microbiota e falando em impacto na glicemia, o comum prato de arroz com bife de frango grelhado, para muitos sinónimo de refeição saudável é, na realidade, uma má escolha alimentar. Além de apresentar um índice glicémico elevado, o método de confeção faz com que haja uma maior perda de nutrientes que poderiam ser preservados caso os alimentos fossem preparados de outra forma.<strong> Cozidos e grelhados não são o </strong><a href="https://www.contrapontoeditores.pt/produtos/ficha/deixemo-nos-de-tretas/28633827" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>saudável</strong></a>, pois o  que estamos a fazer é a lavar os alimentos e a secá-los, sendo que ao grelhar posso ainda estar a adicionar compostos carcinogénicos aos alimentos!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tóxicos presentes nos alimentos </strong></h2>



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			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Isto levanta-nos outra questão, a do lado B dos alimentos e dos tóxicos potencialmente presentes na sua matriz. <strong>A contaminação do nosso organismo por químicos alteradores endócrinos a que estamos expostos</strong> (através da poluição ou que se encontram presentes nos alimentos ou nos cosméticos que utilizamos, por exemplo) <strong>tem importantes repercussões na saúde.</strong> Não podemos deixar aqui de referir o omnipresente plástico, que tanta preocupação global tem suscitado e sobre o qual circulam tantas informações verdadeiras e outros tantos mitos.</p>



<p><strong>Embora seja quase impossível evitar o contacto com o plástico, é possível reduzir os riscos.</strong> Como? Procurando usar plástico de boa qualidade; respeitando a sua finalidade e não lhe dar outro uso que não aquele para o qual foi testado; evitar aquecer e/ou guardar alimentos em recipientes de plástico; garantir que o plástico não é usado demasiadas vezes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vitamina D e o sistema imunitário</strong></h2>



<p>Ao contrário de todas as outras, a vitamina D tem a particularidade de ser uma hormona: é vital para o organismo e importantíssima para o seu funcionamento, mas, em termos concretos, vai funcionar como uma hormona (o que significa que é produzida num órgão e tem efeitos noutros órgãos).&nbsp;</p>



<p>Esta vitamina provém de duas fontes: pode ser obtida através da alimentação ou produzida na pele através da exposição solar. Entre as fontes alimentares contam-se os peixes gordos, como a sardinha, a cavala, os laticínios ou os cogumelos, que são ricos em vitamina D. Ao grelhar ou cozer o peixe este perderá gordura e, consequentemente, vitamina D (daí, uma vez mais, a importância do processamento culinário). Já no caso dos laticínios, acontece um de dois fenómenos: ou fazemos a evicção dos laticínios e não os ingerimos de todo, substituindo-os por bebidas vegetais, ou então ingerimos laticínios magros. Por isso, atualmente não se pode propriamente dizer que os laticínios contribuem para o aporte de vitamina D. Ainda assim, na melhor das hipóteses, a alimentação contribui com 20% das necessidades diárias estimadas. Os restantes 80% provêm da exposição solar que permite fazer a síntese de um precursor de vitamina D produzido no nosso organismo, o 7-desidrocolesterol.&nbsp;</p>



<p>Para países com latitudes acima dos 35°, torna-se muito difícil garantir uma exposição solar adequada para a ativação do precursor da pele. Portugal situa-se a 39, 40° de latitude (Lisboa e Porto) e, como tal, nunca temos uma latitude ótima. Apesar de sermos considerados países do Sul da Europa, países de sol, a verdade é que não estamos à latitude ideal para fazer essa síntese, que depende do ângulo de incidência da radiação. Por outro lado, a utilização de protetores solares com fator de proteção 15 ou 30 é capaz de impedir em 95 ou mesmo 99% a síntese de vitamina D. Isto levanta um grande problema: precisamos de apanhar sol e não usar protetor solar para sintetizar a vitamina D, mas, por outro lado, temos de usar protetor solar para diminuir o risco do cancro da pele. Além disso, o nosso estilo de vida atual, em que passamos grande parte do tempo em locais fechados é outro grande obstáculo a um aporte ideal de vitamina D, pois não passamos tempo suficiente ao ar livre.</p>



<p>É também importante notar que a via de síntese de colesterol é a mesma da vitamina D. Por isso, as pessoas medicadas com estatinas para a  hipercolesterolemia devem vigiar os seus níveis de vitamina D com cuidado.</p>



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		<title>A ilusão da comida saudável</title>
		<link>https://simplyflow.pt/a-ilusao-da-comida-saudavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Conceição Calhau]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2024 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ALIMENTAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[A ilusão da comida saudável]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Calhau]]></category>
		<category><![CDATA[nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É de importância vital aprendermos não só o que devemos de facto comer, mas, sobretudo, o porquê dessas escolhas em concreto.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/a-ilusao-da-comida-saudavel/">A ilusão da comida saudável</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A evolução da medicina, e não só, tem permitido um aumento da esperança média de vida. Hoje a nossa preocupação está numa longevidade com saúde. Sabemos que podemos viver mais anos, mas também sabemos que Portugal é um dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) com menos anos com saúde na população com mais de 65 anos: se no conjunto da OCDE a população tem em média 12 anos com saúde depois dos 65 anos, em Portugal essa média está nos 7 anos.</p>



<p>Com a crise dos sistemas de saúde que, na verdade, gastam essencialmente os recursos na doença e na emergência, prevenir, promover a saúde, mas desde logo que se nasce – ou mesmo na preparação para a concepção – será o investimento de que mais precisamos. Sabemos que isso implica uma mudança, talvez das maiores, no pensamento e ação política.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A alimentação é, sem sombra de dúvida, um dos fatores modificáveis que mais impacto tem na saúde.&nbsp;</strong></h2>



<p>É inquestionável que os hábitos alimentares inadequados constituem um dos principais fatores associados às doenças de maior prevalência. Também sabemos que com a <a href="https://simplyflow.pt/perceber-a-covid-19/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">covid-19</a> a sensibilidade e a perceção de que a alimentação é muito importante para a saúde aumentou. Como tal, temos agora uma oportunidade para a mudança da forma de estar na vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um dos dois grandes paradoxos dos dias de hoje é que nunca tivemos tanta comida ao nosso dispor e nunca nos alimentámos tão mal como agora.&nbsp;</strong></h2>



<p>Não podemos nunca esquecer que a oferta é resultado da procura, pelo que a literacia em saúde, e em particular na alimentação, deve ser uma prioridade de investimento na sociedade, se queremos mais anos com saúde e se queremos sistemas de saúde sustentáveis.&nbsp;</p>



<p>Um dos problemas de hoje é o constante ataque à indústria alimentar de forma indiscriminada e até irresponsável, pois não podemos esquecer a evolução que a tecnologia alimentar permitiu. Por exemplo, permitiu assegurar escala e, em muitas situações, segurança alimentar, pelo que temos de compreender que qualquer alteração na formulação, por pequena que seja, tem um potencial impacto de largo alcance. Ou seja, alterar a fórmula de um alimento, com um resultado final de melhor valor nutricional, pode ter muito impacto na saúde pública. Como tal, torna-se essencial o trabalho de muitos profissionais, como os nutricionistas que trabalham em várias áreas da indústria alimentar, de forma a podermos todos ter acesso a melhores produtos. O ataque cego à «indústria alimentar» não é uma atitude séria nem positiva. Claro que o contrário também é verdade – um produto menos adequado, disponível em larga escala, tem um enorme impacto na saúde – mas não podemos rejeitá-lo simplesmente por ser «processado». Pensemos, por exemplo, num alimento fermentado como o iogurte, que, mesmo sendo processado, pode ter um papel positivo. Já se estivermos a falar de, por exemplo, um refrigerante com a adição de açúcar ou de adoçante (não estou a dizer com fruta, mas, sim, com «açúcar»), este será claramente nocivo – já para não falar dos muitos produtos com sal ou gordura saturada em excesso. É importante não misturar temas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quanto mais sabemos sobre alimentação, pior as pessoas comem.&nbsp;</strong></h2>



<p>Uma das motivações para a escrita do livro “<a href="https://www.contrapontoeditores.pt/produtos/ficha/deixemo-nos-de-tretas/28633827" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Deixemo-nos de Tretas. A Ilusão da Comida Saudável</a>” é a perceção de que quanto mais sabemos acerca da nutrição, pior as pessoas comem. A democratização da informação teve aqui, como em muitas outras áreas, o efeito oposto: com tanta coisa que se diz e, em muitos casos, que se contradiz, como distinguir a banha da cobra daquilo a que devemos realmente dar ouvidos? Basta-nos uma breve incursão na Internet ou nas redes sociais para percebermos a enorme quantidade de disparates e equívocos acerca da nutrição que circulam. Na minha prática clínica, todos os dias constato que quanto mais esotérico e disparatado for um conselho alimentar, mais as pessoas aderem a ele. Se muitos deles são relativamente inócuos, como o famoso copo de água morna com limão logo de manhã para emagrecer, há outros que são um verdadeiro perigo para a saúde. Além disso, muitas vezes este acesso facilitado a conteúdos faz com que não procurem o profissional de saúde, seja o nutricionista ou mesmo o médico, e acabem por atrasar intervenções terapêuticas que seriam desejáveis, numa fé de que o que alguém diz para fazer vai trazer sucesso. Mas a verdade é que, em matéria de saúde, não se trata de fé, mas de ciência!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="654" height="1024" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-654x1024.jpg" alt="A ilusão da comida saudável" class="wp-image-22423" style="width:780px;height:auto" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-654x1024.jpg 654w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-191x300.jpg 191w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-768x1203.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-980x1536.jpg 980w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-1307x2048.jpg 1307w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-1170x1833.jpg 1170w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-585x916.jpg 585w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/07/capa_DeixemoNosDeTretas_2aEdicao-scaled.jpg 1634w" sizes="(max-width: 654px) 100vw, 654px" /></figure></div>


<p>Neste livro, não vai encontrar nenhuma dieta milagrosa nem nenhuma fórmula infalível para perder peso. Também não terá dietas disto ou daquilo, exceto em casos muito pontuais, até porque o propósito de uma dieta nem sempre visa (nem devia) o emagrecimento. O meu objetivo é pôr os pontos nos is e desmistificar algumas ideias erradas que se têm difundido relativamente à alimentação, sempre com base na ciência e investigação mais recentes.</p>



<p>Além dos temas habituais em obras do género — restringir ou não os hidratos de carbono, beber leite ou não, ou o papel dos erros alimentares no cancro —, é dado particular foco a assuntos como a microbiota intestinal ou a influência dos poluentes e disruptores endócrinos na saúde e ainda o tema da vitamina D.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Deixemo-nos de tretas &#8211; A ilusão da comida saudável</strong></h2>



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			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Em primeiro lugar e, uma vez que logo no título desta obra refiro-me a «ilusão da comida saudável», há que explicar que o conceito de «saudável» foi sendo mal utilizado e, por isso, imensamente descredibilizado. A definição de uma alimentação saudável é simplesmente aquela que promove a nossa saúde. Por outro lado, há que explicar que «alimentação saudável» já não se refere apenas à nossa, mas à populacional. Uma coisa são as recomendações populacionais e outra são as recomendações personalizadas. As populacionais, em regra, servem no fundo para cobrir grande parte das necessidades da população. Trata-se de recomendações generalistas, aplicáveis ao conjunto da população com determinadas características (idade, sexo ou nível de atividade física, entre outras). Porém, além dessas indicações, há que ter em conta as características de cada um de nós e que fazem com que haja algumas nuances diferentes. É nessas situações que faz sentido a intervenção clínica, que é personalizada.&nbsp;</p>



<p>É preciso entender que aquilo que é saudável para cada um de nós tem sobretudo que ver com a qualidade do que comemos, com a distribuição das refeições ao longo do dia e, obviamente, a forma como cozinhamos esses alimentos, como os preparamos, como fazemos a refeição e, por fim, como é evidente, a quantidade. Mas, claro está, a primeira prioridade, em matéria de alimentação, é a qualidade do que eu escolho para comer. Que processamento culinário vou aplicar? E que distribuição ao longo do dia é que determino? Não podemos nunca esquecer que dentro das variáveis modificáveis que constituem «estilo de vida» está a alimentação, mas também a atividade e exercício físico, o sono e a gestão e stress.</p>



<p>Ainda sobre o título deste livro, e para se perceber a escolha, é importante esclarecer a diferença entre um mentiroso e um treteiro: é que o primeiro sabe que está a faltar à verdade e o treteiro é o que fala, fala, sem saber bem o que diz. Eu diria até que é o perfil de quem fala do que não sabe!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A «ilusão da comida saudável» vem exatamente do que se escreve com a «alegação» de «saudável». Uma treta.&nbsp;</strong></h2>



<p>Chegamos ao extremo e equívoco de traduzir alimentos em pacotes de açúcar. Este será um dos muitos e muitos exemplos de engano. Se se apresentar uma imagem de um copo de refrigerante ao qual foi adicionado açúcar (sacarose) e, ao lado, uma imagem de pacotes ou de colheres de açúcar para uma visualização mais consciente da quantidade de açúcar que representa o volume de bebida que está no copo, isto poderá ser literacia nutricional e útil. Mas chegamos ao ridículo de o fazer para tudo e já só falta apresentarem-nos a fruta com uma tabela de colheres de açúcar ao lado. Só faltava que ao lado de uma laranja se comparasse a colheres (ou pacotes) de açúcar. Ou que, ao lado de um prato de arroz, se fizesse o mesmo. Mas é isso que vejo muitas vezes. Infelizmente, perdeu-se o senso. O bom! Fruta, arroz, pão, feijão, aveia, por exemplo, são alimentos com hidratos de carbono, sim, mas daí a representá-los com a equivalência a pacotes de açúcar é mesmo enganar.&nbsp;</p>



<p>Relativamente ao tema dos hidratos de carbono e considerando a discussão sobre ferramentas de descodificação da informação nutricional que vem nos rótulos alimentares, mais importante do que a química será a <em>bio</em>química. Ou seja, mais do que a quantidade de hidratos de carbono, a informação nutricional química, importa conhecer o impacto sobre a glicemia. Quanto vai aumentar o «açúcar no sangue» (glicemia) quando ingerir este alimento? Isto é que verdadeiramente importa: o impacto na glicemia, índice glicémico e carga glicémica do alimento ou da refeição. E isso ainda não vem no rótulo, ou pelo menos ainda não é obrigatório.</p>



<p>É nesta linha de atitude face aos hidratos de carbono e ao chamado «açúcar» que vem toda a corrente dos <em>light</em>, seja em matéria de hidratos de carbono ou de gordura. A verdade é que se substitui o açúcar por adoçante não calórico e retira-se gordura (e, com ela, as vitaminas lipossolúveis), o que no final não tem vantagem. Como tal, não devemos iludir-nos com os produtos «magros», pois em muitos casos são até desvantajosos para a nossa saúde.&nbsp;</p>



<p>Outro mito a combater é o dos «açúcares saudáveis». O mel tem mais frutose, tal como o açúcar de coco, mas, do ponto de vista químico, vai tudo dar ao mesmo. Podemos até ter um alimento «sem açúcar» porque na verdade não teve adição de açúcar (sacarose), mas se tem açúcar de beterraba, açúcar de cenoura ou açúcar de coco ou tâmaras, acaba por ser igual. Se eu tiver uma banana madura, idem. Quimicamente, é idêntico. O que não é idêntico nem comparável é comer uma colher de açúcar (ou, por exemplo, a colher que adiciona ao café) e comer um figo ou uma tâmara. Não posso sequer comparar, pois a fibra, os fitoquímicos, as vitaminas, os minerais que estão presentes nestes dois exemplos, ainda que extremos, mostra que reduzimos alimentos a químicos isolados saindo da realidade alimentar que impacta na saúde.</p>



<p>Estas alegações de «saudável» têm também outro problema — e que provavelmente se verificará em relação ao jejum intermitente —, que é as pessoas acharem que quanto mais, melhor. Ou seja, se um faz bem, dez faz melhor. Se a pessoa fizer uma refeição saudável agora e passar o dia a petiscar alimentos saudáveis, tudo isso far-lhe-á ainda melhor e, quanto mais coisas saudáveis comer, mais saudável ficará.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que devemos é alimentarmo-nos bem para alimentarmos a microbiota intestinal – este é o grande tema.&nbsp;</strong></h2>



<p>Quanto ao jejum, ou jejum intermitente, a verdade é que estamos sempre a fazê-lo, pois no dia alimentar temos interrupções alimentares. O que hoje se discute e reflete é sobre a interrupção das refeições e a importância sobretudo da pausa noturna, ainda mais quando a ciência reforçou a importância para a saúde dos ritmos circadianos, da cronobiologia. Temos relógios biológicos. Sabemos que a hora a que se faz refeição importa. Sabemos que a ingestão de alimentos no período da noite é contra a natureza humana, por isso, nada de radicalismos como saltar o pequeno-almoço, comer uma saladinha ao almoço mas depois jantar tarde. Até porque não podemos esquecer que comemos para gastar e não para repor, ou seja, do excesso de hidratos de carbono, o nosso organismo produz gordura (e/ou colesterol), mas quando estamos em jejum e precisamos de «açúcar» no sangue, não conseguimos fazer o inverso e transformar gordura em «açúcar» – quimicamente, isso não é possível.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como costumo explicar, o nosso corpo é como um edifício de escritórios ou uma fábrica, com pessoas a trabalhar o dia todo. A dada altura, será necessário que todas essas pessoas parem de trabalhar e saiam para que possa entrar a equipa de limpeza ou para se fazer a manutenção dos equipamentos.&nbsp;</strong></h2>



<p>Quando fugimos ao que é normal para nós – por exemplo, jantamos às dez da noite em vez de às sete, como de costume, ou deitamo-nos muito mais tarde do que o habitual –, estamos a criar um desfasamento, a gerar um erro do sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A nutrição é uma questão altamente complexa.</strong></h2>



<p>É de importância vital aprendermos não só o que devemos de facto comer, mas, sobretudo, o<strong> porquê </strong>dessas escolhas em concreto. E, para isso, nada melhor do que aumentar a nossa literacia em termos de alimentação, que foi o que procurei fazer com este livro. Em nome da nossa saúde, deixemo-nos por isso de tretas.</p>



<p></div>
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