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	<title>Cláudio Ramos, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Cláudio Ramos, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>As dores do crescimento, quando já somos crescidos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2020 07:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[WORK-LIFE BALANCE]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ano, não há um dia que não me tenham dito “cresceste tanto”, referem-se ao nível&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Este ano, não há um dia que não me tenham dito “cresceste tanto”, referem-se ao nível profissional. A algumas dessas pessoas tento explicar que o crescimento de que falam não aconteceu este ano. A outras nem vale a pena explicar porque não iriam entender&#8230;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O crescimento que damos de repente aos olhos do público, dentro de nós acontece há muito tempo.&nbsp;</strong></h2>



<p>É, mais ou menos, o mesmo quando, um dia, olhamos para os nossos filhos e percebermos que cresceram depressa demais no meio do crescimento que nós próprios vamos fazendo. Eles, tal como nós, também foram crescendo&#8230; Nós é que só reparamos naquele dia, tal como as pessoas só agora reparam no nosso crescimento.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Muitas vezes &#8211; e acho isto de verdade &#8211; a nossa maneira de crescer é muito diferente do que as pessoas acham, sentem ou imaginam.&nbsp;</strong></h2>



<p>Sempre tive dentro de mim muito presente onde queria chegar, como profissional e, acima de tudo, como pessoa. O crescimento pessoal é o que mais me preocupa e inquieta, o outro vem por acréscimo e é quase sempre fruto do anterior. Se pensarmos bem, somos um todo e só somos felizes quando estamos bem em todas as nossas partes.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Nunca concordei muito com o dito popular que diz que “só a dor faz crescer”.&nbsp;</strong></h2>



<p>Não acho nada isso. Acho que podemos crescer sem dor, mas é inevitável deixar marcas, cicatrizes, coisas que vão ficando no caminho e que fazem parte da nossa bagagem, aquela que carregamos às costas até chegarmos onde queremos quando sabemos onde queremos chegar.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acredito que muita gente vagueia pela vida demasiado tempo sem dor, nem coisa nenhuma, porque não tem foco, nem sabe onde quer chegar.&nbsp;</strong></h2>



<p>Eu sempre soube, e, talvez por isso, percebi logo que o caminho não seria fácil. Não foi. Não é. Mas, é o que eu escolhi e a melhor maneira de lidar com ele é encarar a verdade toda nos passos que dou na direcção daquilo que eu entendo ser o meu crescimento.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Só sabemos que estamos na direcção certa quando chegamos à noite e, apesar das marcas marcadas no corpo e na alma, sentimos que valeu a pena.&nbsp;</strong></h2>



<p>Adormecemos tranquilos e convencidos que é o melhor para nós, mesmo que o resto do mundo ache o contrário.&nbsp;</p>



<p>Parte do meu crescimento pessoal passou por relativizar muito o que acha o mundo sobre o que decido. Não foi fácil, porque a profissão que me expõe em excesso e me alimenta permite que todos opinem sobre os passos que dou. Mas, a certeza do que faço não me deixa toldar pelas opiniões que chegam e raramente preciso de alguém para tomar a decisão que acho certa para mim. Sou assim em quase tudo, incluindo nas mudanças profissionais que me levam ao crescimento, como aconteceu recentemente.&nbsp;</p>



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<p>O meu objectivo é que tudo corra como sonhei e preparei mas, há sempre uma parte da história que não depende de nós – não precisamos ir muito longe para ver o que está a acontecer no mundo por conta de uma pandemia que nos apareceu para descontrolar tudo e nos obriga a pensar. Universo à parte, claro que em qualquer passo forte que se dá na direção que escolhemos há uma dor – esta aceito – a dor de crescimento, que nos tira horas de sono porque crescer é feito de escolhas e qualquer escolha feita deixa para trás coisas que fizeram parte de nós e que não necessariamente as queríamos afastar. Pelo contrário, muitas vezes queríamos estar ali, ficar presos àquela sensação, àquela noção de estabilidade, de conforto a uma espécie de amor, porque a rotina é uma espécie de amor, mas que não nos preenche na totalidade e depois de algum tempo já nos sentimos apertados no espaço e os pensamentos já são maiores para caberem onde estamos, precisamos, por isso, dar passos na direcção do crescimento.&nbsp;</p>



<p>Imaginem uns sapatos de que gostam muito, não estão gastos ainda, mas já não servem. Não os deitamos fora. Guardamo-los num lugar precioso porque nos trazem boas memórias da caminhada que fizemos juntos, mas não podemos continuar a andar com eles. Já não nos são confortáveis. Isto não é mau, é apenas uma mudança de sapatos, de estilo, de caminho&#8230; Aceitamos que os colocamos ali de lado, calçamos outros e seguimos em frente. A dor de deixar os sapatos de lado é aquilo a que chamo ‘dor de crescimento’, mas que é profundamente necessária para chegarmos onde queremos de forma saudável e, acima de tudo, verdadeira, sem a dor física no dedo do pé.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sempre achei que a principal verdade do caminho tinha de a saber eu.&nbsp;</strong></h2>



<p>Eu é que tenho que estar confortável com o meu caminho e eu é que tenho que sentir nele verdade.&nbsp;</p>



<p><strong>Não podemos achar que crescemos a agradar aos outros, isso é mentira.&nbsp;</strong></p>



<p>Somos como somos e se os outros gostarem de nós assim, ótimo, ficam agregados para a vida independente do caminho que fizermos com os novos sapatos, que mais dia menos dia, também serão postos numa outra caixa, porque é preciso voltar a trocar porque se darão outros passos para crescer.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Crescer faz parte de todos nós, é um direito que temos e uma obrigação fazê-lo porque senão passamos pela vida e corremos o risco de olhar para trás e a única coisa que nos aparece à frente é a palavra ‘arrependimento’.&nbsp;</strong></h2>



<p>Sabem como é, não é? Claro que sim! Todos já deixamos de fazer uma ou outra coisa porque achamos que não era o momento ou iríamos decepcionar alguém. Não pode ser. Quando o nosso coração nos pede para crescer, não o podemos trair. Devemos seguir o que diz e seguir em frente.&nbsp;</p>



<p>Eu sou muito rápido nas decisões que tomo, assumo todas as responsabilidades e muitas vezes nesta vida tomei decisões das quais me arrependi logo a seguir, mas assumi as responsabilidades porque isso é crescer também e saber lidar com os contras das expectativas que tínhamos para determinada situação.&nbsp;</p>



<p>Acho que depois dos quarenta levamos as dores do crescimento mais a sério, mas também depois dos quarenta senti a necessidade de abrandar nas escolhas, ser mais selectivo nas pessoas e menos tempestivo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A idade, além de rugas e cabelos brancos, traz-nos ensinamentos contra os quais andamos uma juventude inteira a lutar sem sabermos que esta coisa maravilhosa chamada ‘vida’ mete tudo no lugar certo na hora certa.&nbsp;</strong></h2>



<p>Quando eu era muito jovem dizia a quem me rodeava: “Vou ser apresentador de televisão”. Eu vivia num lugar longe de Lisboa &#8211; onde tudo acontecia &#8211; e a reação da maioria das pessoas a quem contava isto era o riso. Agarrava no riso e fazia-lhe frente. Crescia.&nbsp;</p>



<p>Quando era jovem e comecei a trabalhar na rádio dizia sempre que era o caminho para a televisão. Quando contava isto, colegas meus encolhiam os ombros e riam-se. Agarrava no riso e fazia-lhe frente. Crescia.</p>



<p>Quando, depois dos vinte anos, cheguei à televisão como comentador e disse que queria o lugar de apresentador, companheiros de trabalho davam-me palmadinhas nas costas, diziam que sim com ar condescendente e riam-se. Agarrava no riso e fazia-lhe frente. Crescia&#8230; Por isso, quando de repente todas as pessoas olham para mim e se sentem surpreendidas porque cheguei onde queria, só podem ficar surpresas porque não me acompanharam o caminho, porque é preciso fazer um caminho para se chegar. Ninguém chega de geração espontânea.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Há um caminho muitas vezes difícil de fazer.&nbsp;</strong></h2>



<p>Mas fez-se. Faz parte do crescimento. Sem ele, crescer não tinha graça e chegar a adulto não nos realizaria tanto. Por isso, quando este ano me dizem “cresceste tanto”, apetece-me dizer-lhes: “<strong>Não cresci este ano. Venho crescendo há vinte, vocês é que só repararam agora na urgência de viverem apenas o vosso crescimento, esqueceram-se de olhar à volta</strong>”. Podia chamar-lhe egoísmo individual, mas prefiro achar que é a distração dos tempos modernos. </p>



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<p class="has-small-font-size">Nota: Fotografia destaque por <a href="https://www.instagram.com/fuifotografar/">Verónica Silva</a></p>



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