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	<title>Céu Salgueiro, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Céu Salgueiro, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>Ser voluntária em tempos de pandemia</title>
		<link>https://simplyflow.pt/ser-voluntaria-em-tempos-de-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Céu Salgueiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[WORK-LIFE BALANCE]]></category>
		<category><![CDATA[Céu Salgueiro]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quer com as pessoas com quem me fui cruzando nas ruas ao fazer as “voltas”, quer nos centros de acolhimento de emergência que ainda hoje se encontram abertos, fomos aprendendo a expressarmo-nos e a abraçarmo-nos sem nos tocarmos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/ser-voluntaria-em-tempos-de-pandemia/">Ser voluntária em tempos de pandemia</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dias antes do anúncio da primeira morte em Portugal devido à COVID-19 e, por conseguinte, do primeiro confinamento obrigatório, fui uma das pessoas que se recolheu em casa. Estava a colaborar como voluntária num projecto de organização do arquivo da <a href="https://www.cvidaepaz.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comunidade Vida e Paz</a> e a entidade decidiu avançar para o teletrabalho.</p>



<p>Estive sem sair de casa durante cerca de 4 semanas após o decreto do estado de emergência, com excepção da ida ao supermercado e, claro, da ida à volta quinzenal que fazia há 10 anos.</p>



<p>As “voltas da noite” consistem em rotas efectuadas por equipas de voluntários da Comunidade Vida e Paz que percorrem, numa carrinha, as ruas da cidade de Lisboa com o objectivo de estabelecerem uma relação de confiança com as pessoas em situação de sem abrigo, oferecendo uma pequena ceia e alguma roupa, mas o propósito maior é o de as motivar para a mudança de vida e fazer o seu encaminhamento para os técnicos que as poderão acompanhar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Com o confinamento praticamente tudo parou, como sabemos, e a intervenção na rua não foi excepção.&nbsp;</strong></h2>



<p><strong>Quase todas as organizações de apoio à população sem abrigo deixaram de prestar a sua assistência alimentar ou de outra natureza, tendo a Comunidade sido a única a permanecer. </strong>De início, em conjunto com duas outras organizações, as quais cederam alternadamente as suas refeições, sendo que a Comunidade distribuía-as pelas ruas às pessoas através de muitas dezenas de voluntários. Após algum tempo, esta situação deixou de ser sustentável e a Comunidade teve de procurar alternativas. E fez um apelo à sociedade civil. Este foi o início de um período absolutamente ímpar e marcante &#8211; o que teve de sofrimento trouxe em beleza.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por um lado, ao longo de vários meses, com tudo fechado e a vida paralisada, fomos confrontados com incontáveis rostos de desespero, fome e desalento.&nbsp;</strong></h2>



<p><strong>Tantas e tantas pessoas que perderam os seus empregos, as suas casas ou quartos e se viram na situação inesperada de ir para a rua pedir ajuda.</strong></p>



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			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>E enquanto na rua víamos as filas de pessoas a pedirem comida a crescerem desmedidamente, e a suplicarem-nos para não as abandonarmos, por outro lado <strong>muitas entidades, empresas e cidadãos foram oferecendo os seus donativos</strong> tão generosamente à Comunidade.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apenas graças a este enorme e massivo esforço colectivo foi possível continuar a ir todas as noites ao encontro de quem por nós esperava, levando não somente alimentos, mas tanto conforto. E foram tantos os voluntários que persistiram e outros que se fizeram presentes!</strong></h2>



<p>Paralelamente, e à medida que fui vendo a situação a agravar-se ao longo daquelas 4 semanas de confinamento,<strong> enquanto voluntária senti-me profundamente impelida a fazer algo mais num período tão grave e de tão grandes carências e incertezas</strong>. Assim, voltei a contactar a <a href="http://www.servethecity.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Serve The City</a>, à qual estive ligada entre 2012 e 2016, e ofereci-me para ajudar no que fosse necessário. Também ela dedicada aos mais vulneráveis e excluídos, viu vários dos seus projectos suspensos devido aos riscos de contactos, mas teve a magnífica capacidade de se reinventar num curto espaço de tempo, adaptou-se a novas e tão desafiantes circunstâncias e continuou a servir a Cidade.&nbsp;</p>



<p>Com a Serve The City comecei a ir aos vários centros de acolhimento de emergência que a Câmara Municipal de Lisboa tão meritoriamente abriu para retirar as pessoas sem abrigo da rua e integrei uma equipa de dinamização de actividades nesses mesmos locais, criando oportunidades de estímulo afectivo e cognitivo, de sentido de pertença e inclusão. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quer com as pessoas com quem me fui cruzando nas ruas ao fazer as “voltas”, quer nos centros de acolhimento de emergência que ainda hoje se encontram abertos, fomos aprendendo a expressarmo-nos e a abraçarmo-nos sem nos tocarmos.&nbsp;</strong></h2>



<p><strong>Criámos uma nova linguagem gestual e corporal e uma outra forma de comunicação se gerou do fundo das nossas vontades em estarmos juntos.</strong></p>



<p>Até hoje, e desde meados de Abril de 2020, não mais parei. Até <strong>aumentei e significativamente a minha contribuição </strong><a href="https://simplyflow.pt/ser-voluntaria-na-noite-de-natal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>voluntária</strong></a>. <strong>Não podia ser de outra forma</strong>. Acabei por ver fechar o meu negócio, também passei pelos meus desafios na sequência da onda de choque que a pandemia provocou, mas tive uma rede de apoio que muitos não têm, por força das mais variadas circunstâncias.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Não nos compete a nós julgar e muito menos condenar. Apenas ajudar e ser solidário.</strong></h2>



<p>Para mim, <strong>ser voluntário é mostrar-se disponível na hora da chamada, estar presente nos momentos mais difíceis e dar-se sem questionar ou racionalizar. Mais do que um dever cívico, é um imperativo humano.</strong></p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-ozGjq' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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		<title>Ser voluntária na noite de Natal</title>
		<link>https://simplyflow.pt/ser-voluntaria-na-noite-de-natal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Céu Salgueiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Dec 2018 10:55:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[WORK-LIFE BALANCE]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade Vida e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Solidariedade]]></category>
		<category><![CDATA[Voluntariado]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sou alentejana, vim estudar para Lisboa aos 17 anos, e não tenho um historial trazido da&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Sou alentejana, vim estudar para Lisboa aos 17 anos, e não tenho um historial trazido da infância ou adolescência que esteja ligado ao conceito formal de voluntariado, a não ser ter assistido, ao longo de toda a minha vida, aos atos de solidariedade dos meus pais junto de pessoas, maioritariamente vizinhos, que passavam dificuldades. A minha mãe nunca conseguiu dizer que não a alguém que lhe pedia ajuda, nem fechou a porta de casa sem ter ido “desencantar” alguma coisa que pudesse dar para aliviar as suas carências. Quanto ao meu pai, esteve ligado aos Bombeiros Voluntários, desde cedo e até ao fim dos seus dias, tendo connosco partilhado infinitas histórias de sofrimento e perda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 2004 que tenho feito viagens de férias a alguns países africanos de língua portuguesa e desde o início achei perfeitamente natural levar na mala mais do que os biquínis e a roupa colorida para usar à noite. Na primeira vez em Cabo Verde arrastei o nosso grupo de amigos para os bairros de lata, e na minha estreia em S.Tomé e Príncipe tive a sorte de me cruzar no caminho de umas pessoas pertencentes a uma ONG portuguesa na área da cooperação, tendo com elas visitado algumas escolas e feito distribuição de bens.</span></p>
<h2><b>Em 2010, tornei-me voluntária. </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas em 2010, quase à beira de fazer 40 anos, tornei-me voluntária na Comunidade Vida e Paz. </span><span style="font-weight: 400;">Tal não se deveu a um qualquer despertar repentino ou rebate de consciência causado pelo avançar da idade, mas antes a algo que se foi instalando interiormente, naturalmente, a pouco e pouco, e que culminou na tomada de decisão em dar o passo. Ou, simplesmente lembrei que era preciso ir mais longe, mas aqui ao lado.</span></p>
<h2><b>E, porquê a Comunidade Vida e Paz?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Sempre que via alguma reportagem na televisão retratando os voluntários que saíam à noite para ir ter com pessoas em situação de sem abrigo, sentia uma vontade imensa de estar lá. Sempre que via uma notícia sobre aquela Festa de Natal gigante que dura 3 dias, sentia necessidade de fazer parte da equipa e contribuir. </span></p>
<h2><b>Iniciei um caminho de enorme aprendizagem e crescimento. </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do momento da minha entrada, iniciei um caminho de enorme aprendizagem e crescimento que até hoje não cessou de me moldar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comecei por integrar as Equipas de Rua que fazem as voltas à noite. </span><b>A Comunidade tem por missão ir ao encontro de pessoas em situação de sem abrigo ou em vulnerabilidade social, com o propósito de criar uma relação de confiança que faça despertar nelas o desejo de mudar de vida. Para tal dispõe de um exército de cerca 500 voluntários divididos em 56 equipas, os quais saem rotativamente, de 15 em 15 dias, pela cidade de Lisboa, percorrendo 4 circuitos fixos (as chamadas “Voltas”), permitindo à Comunidade estar na rua desde 01 de Janeiro até 31 de Dezembro, sem faltas, nem férias ou feriados que interrompam esta presença diária.</b></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8237" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182.jpeg" alt="" width="480" height="480" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182.jpeg 480w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-150x150.jpeg 150w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-300x300.jpeg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-460x460.jpeg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-100x100.jpeg 100w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-160x160.jpeg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_4182-320x320.jpeg 320w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></p>
<h2><b>Como actua um voluntário da Comunidade Vida e Paz?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de darmos o nosso tempo, e tantas vezes que não o medimos a não ser pela estrita necessidade do outro em estar connosco, em desabafar ou mesmo despejar em nós as suas frustrações profundas, </span><b>damos a nossa compreensão e o nosso carinho, sem discriminação, sem julgamento, sem qualquer condenação. Tentamos abrir caminho nas suas vontades e corações para que outros passos sejam dados, com vista à reconstrução de um novo sentido de vida</b><span style="font-weight: 400;">. Para isso encaminhamos as pessoas que assistimos, cerca de 450 em cada noite, no total das 4 Voltas, para os técnicos que compõem uma equipa multidisciplinar, na área social, e, esses sim, estão habilitados a fazer a entrevista necessária para identificação da problemática de cada pessoa e, em conjunto, definirem um projeto com futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este caminho, em regime de internamento, passará por uma fase terapêutica, nos casos em que existem problemas de adições, na qual se trabalha a recuperação física, psicológica e espiritual, à qual se segue a fase de inserção, com vista à aquisição e treino de competências pessoais, sociais e profissionais indispensáveis à sua reintegração na sociedade.</span></p>
<h2><b>Qual a missão da Comunidade Vida e Paz?</b></h2>
<p><b>Como eu gosto de dizer, a Comunidade tem uma missão que vai de A a Z, ou seja, está presente em todo o circuito: desde a ida para a rua ao encontro das pessoas, passando pela sua recuperação e até à sua reintegração. </b><span style="font-weight: 400;">É algo único!</span></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8236" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp.jpeg" alt="" width="640" height="427" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp.jpeg 640w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp-300x200.jpeg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp-460x307.jpeg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp-160x107.jpeg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp-320x214.jpeg 320w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/cartão-cvp-480x320.jpeg 480w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<h2><b>A minha experiência como voluntária na Comunidade Vida e Paz:</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tanta coisa a acontecer, urgia conhecer no terreno toda a dimensão da atividade da Instituição. Não me podia confinar à minha volta, e ao meu circuito, e às minhas saídas quinzenais. Assim, desde cedo comecei a infiltrar-me nas carrinhas de outros voluntários que ia conhecendo, fazendo-me de convidada, e fui experimentar cada um dos 4 circuitos das Voltas, as vezes que conseguia e me apetecia, bem como a Volta das Famílias. Sim, porque </span><b>a Comunidade também tem o seu foco nas famílias carenciadas, apoiando-as ao nível das suas necessidades básicas, mas com vista à reestruturação do agregado</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro que, a seguir, se tornou imperativo para mim visitar o </span><b>Espaço Aberto ao Diálogo</b><span style="font-weight: 400;">, o tal local onde se encontram os técnicos que trabalham lado a lado e em conjunto com as pessoas sem abrigo. Não podia cingir-me a falar insistentemente na rua em algo que eu própria não conhecia e, assim, lá fui, e foi lá que conheci os rostos de quem ajuda a abrir asas quebradas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo se passava com os </span><b>Centros Terapêuticos e de Inserção</b><span style="font-weight: 400;"> – como poderia falar sobre o seu potencial regenerador ou propor a alguém uma saída que implica um esforço e um tempo muitíssimo consideráveis, sem que soubesse como tudo isso ia acontecer? E, assim visitei cada uma das 3 infraestruturas que a Comunidade dispõe em vários pontos do País, com um total de mais de 220 camas de internamento. E, após a primeira ida </span><b>sentimos necessidade de voltar, e voltar, não só para rever pessoas que conhecemos e acompanhámos na rua (muitas das vezes irreconhecíveis, pois já sem as marcas cruéis de uma vida sem teto nem abrigo), mas também para as ouvirmos nos seus testemunhos pungentes</b><span style="font-weight: 400;">. Aí, abrem-se-nos ainda mais, e, através das suas experiências, tão variadas e tantas vezes em resultado de um acontecimento perfeitamente aleatório, percebemos claramente que a fronteira que nos separa desse outro lado não é assim tão distante ou impossível… Foi, e tem sido, uma experiência tremenda estar nos locais onde decorre essa transformação de vidas humanas e sentir a força e coragem desses homens!</span></p>
<p><b>Chegado o Natal no meu primeiro ano de voluntariado, lá marquei presença na Festa que aquece os corações de cerca de 1400 pessoas na época mais doce do ano, mas que pode igualmente ser tão dura para quem se encontra órfão de afetos. Até hoje não faltei a uma única, por mais obstáculos que surjam</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8238" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal.jpeg" alt="" width="640" height="427" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal.jpeg 640w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal-300x200.jpeg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal-460x307.jpeg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal-160x107.jpeg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal-320x214.jpeg 320w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/Festa-Natal-480x320.jpeg 480w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8239" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380.jpeg" alt="" width="480" height="640" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380.jpeg 480w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380-225x300.jpeg 225w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380-300x400.jpeg 300w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380-460x613.jpeg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380-160x213.jpeg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2018/12/IMG_6380-320x427.jpeg 320w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro está que, quando surgiu um novo tipo de intervenção na rua, eu tive de o abraçar. Com a </span><b>Equipa Técnica de Rua</b><span style="font-weight: 400;">, reunindo voluntários e um técnico do Espaço Aberto ao Diálogo, a Comunidade desenvolve o contato e aprofunda as relações. Sem as habituais ceias e agasalhos que se levam para oferecer e que nos facilitam o caminho, somos só nós e a nossa palavra que servem para desenvolver o desejo de mudança. Sentimo-nos mais envolvidos e vivemos e partilhamos em grupo todos os passos relevantes: rejubilamos com os sucessos e, nos demais casos, alimentamos a esperança no futuro!</span></p>
<h2><b>Ser voluntário implica um compromisso sério. </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Pertencer às equipas de rua, “fazer Voltas” como dizemos, implica um nível de compromisso sério, tal como deve ser, no fundo, em todo o tipo de voluntariado. Neste caso em particular,</span><b> implica sair de casa no Verão ou no Inverno, com 40 graus ou chuva fria intensa, após um dia bom ou mau, seja ele comum ou calhe numa data especial</b><span style="font-weight: 400;">. Sempre achei, como tantos outros voluntários que conheço, que a minha disponibilidade não deve depender da agenda, humores ou festas, mas, sim, do meu compromisso pessoal, que assumi de livre vontade e me guia, respeitando as pessoas que nos esperam e a equipa da qual fazemos parte.</span></p>
<h2><b>Ser voluntária na noite de consoada. </b></h2>
<p><b>Foi por tal razão que, quando a minha Volta calhou na noite de Carnaval, eu não faltei; quando coincidiu com a noite dos Santos Populares, não fui festejar; quando veio o 31 de Dezembro, não marquei planos para a passagem de ano e quando chegou ao dia 24 de Dezembro, fiz Volta na mesma. Foi o mais difícil, devo confessar, pois embora eu sempre tenha avisado a minha família que não iria faltar quando esse momento surgisse, eis que chega a hora de o concretizar e torna-se complicado de aceitar pelos demais. Não fiz a ceia de Natal no Alentejo, como sempre, voltei mais cedo para Lisboa e à hora habitual estava na sede da Comunidade para fazer volta, tal como outros colegas meus.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, para além da questão do compromisso, que levo muito a sério, há ainda um outro factor relevante que me impedia de faltar – passo todos os anos a noite da consoada com a minha família, tendo a bênção de ainda estar completa naquela altura e não ter sentido qualquer perda direta, pelo que aquela seria, muito provavelmente, a única vez  em que eu teria um argumento válido, e tão justificado, para me ausentar num momento que se reveste de tamanha importância para qualquer família. Ademais, seria para estar junto de quem nada possui e tanto precisa de afeto. Para reencontrar caras conhecidas e amigas no mesmo dia de sempre, à hora de sempre, ou então para confortar novos rostos perdidos na noite vazia da cidade. Assim sendo, nunca foi algo que requeresse muita reflexão nem dúvida da minha parte.</span></p>
<h2><b>Ser voluntária já não é uma simples opção. </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Por vezes acusam os voluntários de fazer voluntariado para sua satisfação e proveito próprios. E, porque não? </span><b>A alegria de conseguir mudar, ou pelo menos tocar, a vida de alguém, mesmo que seja em número reduzidíssimo, faz com que eu volte todas as semanas, todas as Festas. Faz com que partilhe o meu número de telefone e abra a minha vida pessoal ainda mais, para ser amiga e confidente e estar mais disponível do que nas Voltas. Faz com que o ser voluntária já não seja uma simples opção. </b><span style="font-weight: 400;">Vejo-me como um pequeno elo de uma corrente enorme, a qual precisa de estar unida para ser útil, forte e produzir o efeito a que se destina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vejo o voluntariado como uma parte de mim, indissociável da minha existência e sinto-me incompleta se não mantenho a minha prática regular. Para mim, que colaboro ainda com outras organizações, é mesmo um modo de viver, seja Natal ou Carnaval.</span></p>
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