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	<title>Ana Caetano, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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	<description>Bem-vindos à plataforma “Simply Flow by Fátima Lopes”, totalmente dedicada à saúde e bem-estar.</description>
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	<title>Ana Caetano, autor em Simply Flow by Fátima Lopes</title>
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		<title>É Carnaval, ninguém leva a mal!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 05:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[WORK-LIFE BALANCE]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica construtiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“É Carnaval, ninguém leva a mal!” é uma expressão que nos remete para a origem do Entrudo e nos convida a refletir sobre a dualidade entre o tempo para limites e o tempo para a ausência deles. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/e-carnaval-ninguem-leva-a-mal/">É Carnaval, ninguém leva a mal!</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>“É Carnaval, ninguém leva a mal!”</em></strong><strong> Quem nunca ouviu esta expressão? Remete-nos para a origem do Entrudo e convida-nos a refletir sobre a dualidade entre o tempo para limites e o tempo para a ausência deles. Ora vejamos…</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A origem do Carnaval</strong></h2>



<p>As origens do Carnaval remontam à Grécia e ao Império Romano, onde o excesso de folia surgia como ritual de transição entre a escuridão e a luz, do inverno para o verão. Mais tarde, surgem os rituais católicos do Natal e da Páscoa, em que o Carnaval (o Entrudo, ou a entrada) antecede cerca de 40 dias o domingo de Páscoa: o período da Quaresma. Assim, os três dias de Carnaval são uma herança de uma tradição de celebração pagã, que é aproveitada para aliviar tensão antes do início do jejum e rigor da Quaresma. Talvez agora não nos faça sentido, mas se imaginarmos os tempos em que os rigores dos rituais religiosos eram marcantes, <a href="https://agencia.ecclesia.pt/portal/95982-2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a pausa de três dias remete-nos para <strong>a importância dos momentos de libertação e exagero</strong></a>. </p>



<p>No mundo ainda existem rituais em que durante o Carnaval se pode dizer mal dos que detêm poder nas comunidades… e isso é muito salutar. Lembro-me do que aprendi sobre isso quando fiz um workshop sobre <em>“A arte do palhaço”</em>, uma das formações mais sérias que fiz na vida. Descobri que este personagem que faz rir os outros, o palhaço, tem raízes no bobo da corte, o único que naquele meio tinha autorização para gozar com o rei. Assim, o humor assume um aspeto valiosíssimo nas comunidades:<strong> quem tem poder, tem responsabilidades acrescidas</strong>. E quem o exerce não deixa de ser humano, pelo que inevitavelmente falha. Mas é delicado para os que o rodeiam apontar falhas e, mais ainda, sofrer as duras consequências. É neste contexto que surge o bobo da corte, na forma de uma piada, para (re)lembrar <strong>a importância da humildade e da aceitação da nossa humanidade</strong>. Por isso: <em>“No Carnaval ninguém leva a mal”</em>. No Carnaval…reparem como está circunscrito no calendário o tempo para as críticas. No resto do ano é para levar a mal se formos desrespeitados, abusados ou se os nossos limites forem invadidos. Todavia <strong>é indispensável distinguir os conceitos que refletem a opinião dos outros sobre nós: Crítica Construtiva, Crítica Corrosiva, Maledicência e os Mexericos</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as diferenças entre Crítica Construtiva, Crítica Corrosiva, Maledicência e os Mexericos?</strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-cmQvR' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><em>“De bom vinho, bom vinagre.”</em></strong></h3>



<p>A <strong>Crítica Construtiva</strong> pode ser difícil de aceitar, mas, se assenta na ideia de nos ajudar a melhorar e ou a crescer, é bem-vinda. É um ato de coragem aceitar a crítica, refletir sobre o que diz de nós, ponderar se faz sentido fazer alguma alteração na nossa forma de estar e seguir em frente. Ajuda-nos a ser a nossa melhor versão.</p>



<p>A <strong>Crítica Corrosiva</strong>, ou crítica pela crítica, é perigosa porque normalmente pretende humilhar-nos e enfraquecer-nos. Fazer a distinção do “<em>Trigo do Joio”</em> da Crítica protege-nos de relações e ambientes tóxicos. Daí a necessidade de ouvir e refletir sobre esse tipo de apreciação. Na dúvida, <a href="https://simplyflow.pt/o-que-sao-os-mecanismos-de-defesa-psicologicos-e-como-funcionam/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">proteja-se</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><em>“Nas costas dos outros vejo as minhas.”&nbsp;</em></strong></h3>



<p>A <strong>Maledicência </strong>é comum e não se trata apenas de falar de nós na nossa ausência&#8230; Se, por acaso, tivermos falhado – e falhamos porque somos humanos &#8211; é natural zangarmo-nos devido à injustiça do golpe desferido à nossa reputação.&nbsp;</p>



<p>A pura maledicência é gravíssima, ao ponto de, na Idade Média existirem leis que estabeleciam como punição do maledicente o corte da respetiva língua. Havia duas razões para se levar tão a sério este crime:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>a difamação não escalar;</li>



<li>garantir a aplicação da lei, uma vez que quem difama pode desencadear o julgamento de alguém em praça pública, que eventualmente, seja inocente. </li>
</ul>



<p>Tal transporta-nos para o atual manancial de informação circulante que simplesmente é falsa. É um crime grave: proteja-se a si e aos outros.</p>



<p>No entanto, há um detalhe delicioso sobre <strong>Mexericos</strong>: autores como <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Robin_Dunbar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Robin Dunbar</a> ou <a href="https://medium.com/@henrik.nilson/thanks-to-gossip-we-rule-the-world-but-why-are-we-so-easily-missled-3c69533a59ee" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Yuval Noah Harari</a> defendem que foram os mexericos que nos ajudaram a construir as relações sociais, criar a noção de identidade cultural, perceber em quem se pode confiar ou não, e desta forma com quem podemos cooperar e prosperar e os que devemos evitar. No nosso dia a dia temos várias versões da utilidade dos mexericos: <em>“O quê, vais trabalhar com o não-sei-quantos do departamento do 5.º andar? Ouvi dizer que é um preguiçoso, por isso estás com azar”</em>.</p>



<p>Consequentemente há que determinar quando é que estamos perante maledicência ou um mexerico potencialmente protetor. Manhoso é o termo técnico que uso para definir estas delicadezas, é muito manhoso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais uma vez, como fazemos a separação do </strong><strong><em>“trigo e do joio</em></strong><strong>”?</strong></h2>



<p>Analise cautelosamente o carácter de quem partilha a informação consigo: é de confiança ou é conhecido por ser mexeriqueiro? Há outras pessoas e situações que já partilharam o mesmo tipo de informação sobre o <em>“não sei quantos do 5.º andar”</em>? Na presença do <em>“não sei quantos”</em> não tire conclusões precipitadas. O que fez no passado não é uma profecia, pode ter sido um momento infeliz ou mal interpretado. Mas não seja tonta/o, caso identifique sinais. Seja cautelosa/o, mas não inflexível. E, sim, isto requer reflexão, ocupa tempo, gasta energia e retira espontaneidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Regressemos à importância do Carnaval…&nbsp;</strong></h2>



<p><strong>Libertar tensão e críticas, sem medo das consequências, usar o humor para fazer reparos sem colocar em causa o respeito e a cordialidade. </strong>Nesses três dias ninguém leva a mal, nos outros 362/3 usamos de ponderação e não alimentamos críticas corrosivas e maledicência.</p>



<p>Como diriam os Toltecas: <em>“Seja impecável com a sua palavra – fale com integridade. Diga apenas aquilo em que acredita. Fuja de mexericos e comentários negativos. Use o poder da palavra na direção da verdade e do amor”</em> (Dom Miguel de Ruiz , in “Os 4 compromissos”).</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-cmQvR' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>O que não volta atrás</title>
		<link>https://simplyflow.pt/o-que-nao-volta-atras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[agressividade-passiva]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação não violenta]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como pode cada um de nós proteger os outros da nossa agressividade-passiva e como neutralizar a agressividade-passiva dos que nos rodeiam?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra atirada, a palavra dita, a oportunidade perdida e o tempo que passou.”</p>
<cite>Autor desconhecido&nbsp;</cite></blockquote>



<p><strong>Quando me desafiaram a pensar no que seria importante num texto sobre comunicação não violenta, lembrei-me desta afirmação e de como as palavras ditas com a cabeça quente e sem pensar, magoam profundamente.</strong></p>



<p>Aliás há investigação suficiente sobre <a href="https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/114011/2/277452.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Experiências Adversas na Infância</a> que salientam os danos profundos que as palavras provocam na construção da identidade de uma criança, podendo prejudicar a confiança nas suas competências independentemente de se comportar (ou não) adequadamente. É comum termos alguém nas nossas relações que é impecável, boa pessoa, suficientemente inteligente para prosperar em todas as áreas da sua vida mas que duvida constantemente do seu valor, convicta de que nada do que faz está bem (dica: se não encontram essa pessoa no vosso meio, provavelmente são vocês).&nbsp;</p>



<p>Deste modo, a comunicação não violenta é absolutamente vital para manter os nossos ambientes protegidos de momentos em que, por muito que nos esforcemos, vamos ser atingidos por algo que desvaloriza quem somos …&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como diz o escritor, “viver todos os dias, cansa” e gerir tudo o que nos acontece e todas as exigências que a vida no século XXI nos impõe é, por si só, extenuante. Ambientes inseguros em que não podemos simplesmente ser quem somos </strong><a href="https://simplyflow.pt/um-amigo-chamado-cansaco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>cansam</strong></a><strong> ainda mais.</strong></h2>



<p>Ao partilhar com alguém (e que respeito muito a opinião), o entusiasmo sobre o tema deste artigo, foi-me sugerido que falasse da agressividade-passiva… Em que para além de tudo o que foi dito antes, ainda somos expostos à incerteza sobre se o que foi dito é ou não agressivo. Por vezes essa dúvida retira-nos a possibilidade de devolver a agressividade à origem, uma vez que a comunicação passiva-agressiva pauta-se por ser ambivalente (<em>“sim, mas…”</em>), disfarçada de elogio (<em>“tu até és uma pessoa inteligente, não percebo como fazes uma coisa destas”</em>) , vaga (<em>“tu sabes perfeitamente do que é que estou a falar e mais não digo”</em>) e não explícita, deixando-nos a matutar sobre o que poderemos ter feito ou dito para causar tal comentário (bem como o mal-estar que não o larga), com muitos silêncios, vulgarmente conhecidos por amuos. Agradeci a sugestão dado que a agressividade-passiva contribui muito para o desconforto continuado nas relações pessoais e profissionais. <strong>Sendo passiva, esta forma de violência passa despercebida, embora seja um veneno social.&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como nos podemos proteger da agressividade passiva?</strong></h2>



<p>Enquanto <a href="https://www.worklife.news/culture/passive-aggressive-workplace-terms/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">organizava as ideias</a> que queria transmitir sobre como nos proteger da agressividade-passiva senti-me desconfortável… <a href="https://preply.com/en/blog/most-passive-aggressive-phrases/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revi-me em muitas frases</a> que lia <a href="https://www.huffpost.com/entry/passive-aggressive-phrases-people-say-at-work_l_616462c1e4b019644427d691" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nos textos que consultava</a> sobre o tema. Até a ironia, que me agrada tanto usar, pode facilmente resvalar para o sarcasmo, o qual pode ser uma das formas privilegiadas de comunicação passiva-agressiva: ai, ai, ai, afinal é muito fácil sermos passivo-agressivos… E quem nunca amuou, que atire a primeira pedra!</p>



<p>Reformulei o objetivo das ideias a transmitir: <strong>como pode cada um de nós</strong> &#8211; depois de “arrumar” a sua casa interna &#8211; <strong>proteger os outros da nossa agressividade-passiva</strong> e, depois, <strong>como neutralizar a agressividade-passiva dos que nos rodeiam?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O grão de areia no olho do próximo e a trave no nosso olho</strong></h2>



<p><a href="https://www.biblia.pt/biblia/BPT/MAT.7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em Mateus, cap. 7, versículos 3 a 5, no famoso Sermão da Montanha,</a> Jesus adverte que em vez de nos preocuparmos pouco com o que vemos no outro e com tudo o que ignoramos que obstrui a nossa visão, devemos primeiro tratar de nós ao invés de resvalarmos para a hipocrisia.</p>



<p>Este princípio de responsabilidade sobre a nossa ação no mundo é um tema bastante valorizado na <a href="https://simplyflow.pt/psicologia-psicoterapia-ou-psiquiatra-o-que-e-mais-adequado-para-mim/">psicoterapia</a>: <strong>é usual não termos controlo sobre o que nos rodeia, mas podemos controlar como atuamos no mundo</strong>. <strong>E abdicar do nosso poder sobre o mundo deixa-nos à mercê do que acontece e de pessoas que não nos respeitam&#8230;</strong> É um risco muito elevado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relembremos: a agressividade-passiva é uma forma de dizermos o que pensamos, mas sem a coragem da frontalidade e honestidade.&nbsp;</strong></h2>



<p>Na maioria das situações não o fazemos propositadamente, principalmente se tivermos aprendido a temer o confronto ao longo da nossa vida, em especial na infância. E se às vezes faz sentido protegermo-nos, outras vezes temos de assumir o que sentimos e pensarmos nas nossas relações. Se sistematicamente não explicitamos o que queremos dizer, recorrendo a indiretas, sarcasmo ou amuos, podemos estar a praticar a agressividade-passiva. E <strong>como distinguir se é altura de nos protegermos ou de encher o peito e dizer o que vai cá dentro? </strong>Dois bons guias de ação são o contexto da relação e o momento em que acontece algo passivo-agressivo.</p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-LVe5O' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; No amor:&nbsp;</strong></h3>



<p>As nossas relações amorosas dão trabalho, e adotarmos uma atitude de frontalidade constante também as desgasta. No entanto, para que a relação cresça, temos de dizer o que sentimos verdadeiramente, de forma clara e transparente, mesmo que isso implique confronto e desconforto… Custa, mas pelo menos a relação cresce na “verdade emocional”, ao invés de ser um labirinto do que fica por dizer e na dúvida se percebemos bem o que se passou. Um exemplo disso é a frase: <em>“tu sabes bem do que é que estou a falar, és sempre a mesma coisa… e não quero falar disso”</em>. Não temos de ir a todas as batalhas, mas há algumas que temos de enfrentar. Pode ser em relação à forma como o dinheiro é gasto, escolhemos passar o tempo livre ou como são geridas as tarefas domésticas, mas há momentos em que temos de dizer claramente o que queremos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; Na amizade</strong>:</h3>



<p>A amizade é a família que se escolhe, com quem partilhamos afinidades. Frequentemente, devido à antiguidade da relação ou ao “feitio especial” daquele amigo, falhamos em pôr limites a quem nos desvaloriza, está cronicamente indisponível ou só aparece quando precisa… E aqui avaliem se são apenas os outros ou se há situações em que somos nós o amigo que não está presente, que sistematicamente tem uma ferroada para distribuir ou (ab)usa da amizade. Creio que na maior parte dos casos estamos nos dois lados &#8211; afinal e citando uma frase das redes sociais: <em>“Todo o mundo é tóxico, menos você, né, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado”</em>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>&#8211; No trabalho</strong>:</h3>



<p>Está por fazer a contabilidade dos “sapos” diariamente engolidos ao redor do planeta por causa de um colega com uma maneira de ser insidiosamente desrespeitadora, disfarçada por frases como <em>“ai, também és tão sensível, estava só a brincar”</em>, ou ações em que falha uma tarefa para manter um controlo encapotado do que se passa no local de trabalho… Na minha contabilidade “nasal”, cheira-me que são muitos, mas mesmo muitos. Porém, antes de se <a href="https://simplyflow.pt/o-crescimento-pessoal-e-a-lamuria-de-si-mesmo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">queixarem</a> verifiquem quantos “sapos” já fizeram engolir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O privilégio de ser adulto</strong></h2>



<p>A palavra “adulto” tem má reputação uma vez que muitos associam este conceito a ser chato, velho, alguém que se rendeu à rotina, que se deixou engordar e desistiu de sonhar. Não aceito esta definição porque sou uma adulta cronológica e quero manter algum glamour na minha vida.</p>



<p>Numa formação cruzei-me com o <a href="https://etq.emdrassociation.org.uk/2021/10/25/developing-and-strengthening-the-inner-adult-state/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Arun Mansukhani</a>, um psicólogo espanhol que definiu o estado de adulto como alguém que possui competências para agir responsavelmente, externa e internamente, sendo capaz de:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Acalmar-se e regular-se e a si e aos outros, aceitando ser acalmado e regulado por outras pessoas sem se sentir menorizado;&nbsp;</li>



<li>Está em contato com suas necessidades e empatiza com as necessidades dos outros;</li>



<li>Contata com suas emoções, sem se deixar dominar por elas;</li>



<li>Sintoniza-se com as emoções dos outros sem ficar sobrecarregado ou fugidio;</li>



<li>Não age de acordo com os medos de criança, sendo compassivo, autocompassivo e realista sobre o que esperar de si e dos outros;</li>



<li>Estabelece limites saudáveis para si e para os outros, e evita reagir quando está&nbsp; cansado, irritado ou magoado;</li>



<li>Compreende e admite erros, pede desculpas e repara ruturas nas suas relações.</li>
</ul>



<p>Saliente-se que <strong>o estado adulto não é um estado contínuo. Ninguém tem todas as características anteriores e age de acordo com elas a tempo inteiro, uma vez que tal é impossível</strong>. Mas quase todo o adulto cronológico pode manifestar algumas das características acima descritas, cultivá-las e ampliá-las. Assim, perante situações em que normalmente atuamos de forma passiva-agressiva, podemos ensaiar um estado adulto, gerindo as palavras que dizemos e a forma como as dizemos. Caso tenhamos de enfrentar um momento em que somos alvo de agressividade-passiva, lembremo-nos que um adulto por vezes define-se como aquele que fala o que é necessário dizer, assumindo que o resultado pode ser desconfortável, mas ainda assim avança com firmeza.</p>



<p>Acima de tudo, <strong>lembremo-nos que a comunicação não violenta depende de todos e começa connosco, porque o único ser humano que conseguimos gerir e controlar somos nós próprios</strong>.</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-LVe5O' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Quanto mais páras, mais adiantas</title>
		<link>https://simplyflow.pt/atencao-quanto-mais-paras-mais-adiantas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2024 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Atenção]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[pendulação]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhar dá trabalho e descansar ocupa tempo: articular estas duas necessidades pode ser um desafio.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/atencao-quanto-mais-paras-mais-adiantas/">Quanto mais páras, mais adiantas</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto de trabalhar, assumo que faço parte desse grupo que gosta de trabalhar. Provavelmente porque exerço a profissão mais bonita do mundo, ou seja, tenho a sorte de fazer o que gosto. Mas também tenho momentos em que sinto que trabalho demais, outras em que não consigo parar e outras ainda em que faço planos para me reformar o quanto antes… Andava às voltas nesta rotunda do que é que o trabalho significava para mim quando comprei o livro “<a href="https://www.bertrand.pt/livro/trabalho-uma-historia-de-como-utilizamos-o-nosso-tempo-james-suzman/24755930?gad_source=1&amp;gclid=CjwKCAjw_e2wBhAEEiwAyFFFo0HaROnbKVwfpBFNwi7e1lSryrd_M_1YY19Pz1ISoYL-3S9UKGs8DhoC-PgQAvD_BwE" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Trabalho: Uma História de Como Utilizamos o Nosso Tempo</a>”, de J.Suzman. Procurava uma compreensão deste binómio “atração pelo que faço/estou cansada demais para prosseguir”. Saliento dois aspetos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Os humanos e outros animais (pássaros, por exemplo), quando têm abundância de alimento e recursos “fazem coisas” que não estão diretamente relacionadas com a sobrevivência. Por exemplo, em vestígios ancestrais de presença humana na Terra, já na versão Homo sapiens, encontram-se peças de adorno feitas de conchas. Outro exemplo é o pássaro-tecelão que faz e desfaz o ninho numa espécie de procura da perfeição da arquitetura do ninho. Ou seja, quando os recursos abundam e há energia extra, muitos seres vivos desenvolvem atividades para além das necessárias à sua sobrevivência;</li>



<li>Quando surgiram as grandes cidades na Grécia e depois no Império Romano, os trabalhos começaram a diversificar-se, sendo que nelas os respetivos habitantes optavam por viver perto dos que exerciam as mesmas ocupações laborais. Construíam uma comunidade dentro da grande cidade, promovendo um sentido de pertença e identidade. </li>
</ol>



<p>Este último aspeto evoluiu de tal forma que é bastante comum, após conhecermos alguém, ocorrer o seguinte:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Qual é o seu nome?</li>



<li>Fulano</li>



<li>O que é que faz? Operador de gruas? Ah, então se calhar conhece o Beltrano que trabalha nisso.</li>
</ul>



<p>A primeira pergunta é sobre identidade e a segunda também incide sobre identidade, mas através do que se faz em comunidade.</p>



<p>Sendo verdade que muita gente retira satisfação do seu trabalho é frequente ouvir o seguinte, no decurso das consultas: <em>“Adoro o que faço, mas estou tão cansada que começo a perder o gosto e a vontade de trabalhar”</em>. E, apesar de já ter falado noutra ocasião sobre <a href="https://simplyflow.pt/dia-mundial-da-saude-mental/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o cansaço no geral e o que fazer quando se torna extremo</a>, desta vez trata-se de integrar momentos que nos ajudam a descansar e a lidar com adversidades num comum dia de trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando a impotência se cruza com a irritação, isso é frustração</strong></h2>



<p>Trabalhar dá trabalho e descansar ocupa tempo: articular estas duas necessidades pode ser um desafio. E como só erra quem trabalha (e vive), podem surgir contratempos que geram irritação. A impossibilidade de concretizarmos alguma coisa porque está fora do nosso alcance coloca-nos perante forças opostas e frustra-nos. Estes momentos podem ser contornados, é certo, mas também podem acumular-se, desgastar-nos e minar a nossa capacidade de trabalho e qualidade de vida. E do stress continuado à perda de gosto pelo que fazemos é um saltinho. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quanto mais parares, mais adiantas</strong></h2>



<p>Sugiro-lhe 4 estratégias para implementar na sua rotina extraídas do <a href="https://www.nytimes.com/2024/01/05/opinion/ezra-klein-podcast-gloria-mark.html?showTranscript=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">podcast de Ezra Klein em conversa com Gloria Mark, investigadora da função da atenção</a>:</p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-OpRlZ' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fazer pausas ao longo do dia;</li>



<li>Fazer sestas;</li>



<li>Caminhar pela natureza;</li>



<li>Atividade física.</li>
</ul>



<p>Nada de novo, não é? E o que é que a atenção tem a ver com isto?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O alcance da atenção</strong></h2>



<p>A função cognitiva da atenção é valiosíssima em termos de sobrevivência, aprendizagem, criatividade e na concretização de tarefas. Gloria Mark fez medições acerca do tempo que aguentamos sem nos distrair de uma tarefa e como isso se traduz nas nossas capacidades executivas. Concluiu que dada a atual sobrecarga de estimulação, o nosso “intervalo atencional” reduziu, ou seja, a capacidade de mantermos a nossa atenção na execução de tarefas diminuiu. Autointerrompemo-nos mais cedo e acrescentamos cada vez mais tarefas às nossas rotinas. Demoramos mais tempo a executá-las porque estamos cansados e a função biológica não pode ser ignorada ou forçada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que fazer?</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fazer <strong>pausas breves</strong> (15 min) ao longo do dia: ouvir uma música, descer as escadas até à rua, respirar profundamente, espreguiçar-se, sair do local de trabalho e deambular um pouco, focar-se nas pessoas, tomar demoradamente um café. Convém não ser muito mais do que isto para não perder o ritmo de trabalho;</li>



<li>Fazer <strong>sestas</strong>: ou, em alternativa, descobrir quando é que trabalha/produz melhor. É de manhã antes de todos acordarem ou depois, pela noite dentro? Compense com horas de sono, pois se é mais diurno terá de se deitar cedo e/ou dormir uma sesta. Se é notívago tem de compensar o sono na manhã seguinte. Pode optar por fazer algumas atividades no início da semana quando ainda sente os efeitos do fim-de-semana ou, diversamente, aproveitar as noites de 4.ª e 5.ª feiras ante a proximidade do fim de semana;</li>



<li><strong>Caminhar pela natureza</strong> ou pelo parque urbano mais perto de si. Não precisa de ser à beira da praia ou no Gerês; o importante é ter locais próximos para realizar estas caminhadas;</li>



<li><strong>Atividade física</strong>: não estou a falar de ginásio, mas de preferir as escadas ao elevador, andar a pé em pequenos trajetos em detrimento do Uber ou do carro pessoal. </li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cada uma das estratégias anteriores contribui para o fenómeno designado por “pendulação”.</strong></h2>



<p>Ou seja: trabalho intenso e focado, atenção total, e alívio desse foco de atenção. Damos atenção, aliviamos a atenção. Torna-nos mais fortes porque aumentamos a capacidade de foco da atenção para concretizar tarefas e descansamos para saborear a conclusão das mesmas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Antes de formular todos os argumentos que não lhe permitem adotar uma das estratégias acima referidas, escolha a que mais lhe agrada e encare como um desafio arranjar forma de a incluir na sua rotina. Pelo menos tente.&nbsp;</strong></h2>



<p>A sociedade atual, com tantos estímulos e solicitações, vai continuar a pedir a sua atenção e este assédio constante à sua função biológica da atenção tem um preço.&nbsp; A única pessoa que pode parar e pensar em como fazer o seu processo de “pendulação” é a própria.</p>



<p>Na capela dos ossos em Évora há um poema que pode dar um empurrão nessa decisão de cuidar do seu processo de pendulação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center"><em>“Aonde vais. caminhante acelerado ?</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pára… não prossigas mais avante:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Negócio, não tens mais importante.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Do que este à tua vista apresentado.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Recorda quantos desta vida tem passado,&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Reflecte em que terás fim semelhante.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Que para meditar causa é bastante&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Terem todos os mais nisto parado.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pondera, que influído d&#8217;essa sorte&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Entre negociações do mundo tantas.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Tão pouco consideras na da morte:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porém, se os olhos aqui levantas.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pára&#8230; porque em negócio deste porte,</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Quanto mais Tu parares mais adiantas”</em></p>
</blockquote>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-medium"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="237" height="300" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/05/poema-capela-dos-ossos-Evora-237x300.jpg" alt="" class="wp-image-22062" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/05/poema-capela-dos-ossos-Evora-237x300.jpg 237w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2024/05/poema-capela-dos-ossos-Evora.jpg 577w" sizes="(max-width: 237px) 100vw, 237px" /></figure></div>


<p></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Um amigo chamado cansaço</title>
		<link>https://simplyflow.pt/um-amigo-chamado-cansaco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://simplyflow.pt/?p=20761</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em vez de olhar para o cansaço como um inimigo, encare-o como o amigo que nos diz para termos cuidado com as opções que tomamos no nosso dia-a-dia. Não o ignore porque não vai passar sem as medidas adequadas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/um-amigo-chamado-cansaco/">Um amigo chamado cansaço</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O outono marca novo regresso ao quotidiano, um pós férias e um pré-boas festas. Mas sei que muitos de nós “já-estamos-em-esforço-e-o-ano-ainda-mal-começou-quem-me-dera-ir-já-de-férias-outra-vez”.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">A palavra “cansaço” é uma das mais usadas no consultório, nas conversas do dia-a-dia e nos anúncios que publicitam mais um suplemento para o combater. </h2>



<p>Já aqui falei de um <a href="https://simplyflow.pt/dia-mundial-da-saude-mental/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ensaio sobre o cansaço</a> na perspetiva da importância de nos cuidarmos, protegendo a nossa saúde mental. Em <a href="https://books.google.pt/books/about/Sociedade_do_cansa%C3%A7o_resumo.html?id=eS-GEAAAQBAJ&amp;source=kp_book_description&amp;redir_esc=y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“A sociedade do cansaço” o autor Byung-Chul Han</a> inicia o livro com a apresentação da praga de cada século da humanidade: as pragas, até ao desenvolvimento de medidas sanitárias e de antibióticos, os vírus, até ao desenvolvimento das técnicas imunológicas e, no século atual, as doenças neuronais.</p>



<p>No entanto, tantos alertas, análises e contraindicações do cansaço podem nos levarem à atitude típica do “Pedro e o Lobo”, isto é, em que já nem lhes prestamos atenção. Afinal que podemos nós fazer? Não podemos simplesmente “pausar” a vida quando queremos e descansar. E, depois, isto de “descansar” pode assumir uma maldição disfarçada: com menos afazeres diários, a mente pode entrar numa espiral de pensamento desgastante, tornando-se um tormento lidar com o nosso diálogo interno.</p>



<p>Assim, <strong>em que momento é que é fundamental prestar atenção aos alertas oriundos do cansaço? </strong>Quando o Lobo-cansaço ataca as ovelhas do Pedro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estar sempre cansado, viver em esforço constante e em desespero por dormir. </strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-yYH8P' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Por vezes a vida coloca-nos perante uma situação de curta duração mas ainda assim extenuante, como terminar uma tese universitária, fazer um MBA, ter um bebé, mudar de casa e/ou de país. Em situações como estas é natural sermos invadidos por um cansaço extremo durante algum tempo. <strong>A melhor abordagem para o combater é “inventar tempo para descansar”, mantendo rotinas de sono mínimas, pedindo ajuda na execução de algumas tarefas e protelar o que não é urgente, ainda que possa ser importante. </strong>Mas s<strong>e não está perante uma situação “com fim à vista” e o cansaço é contínuo, tem de refletir sobre o que pode fazer para aligeirar a “carga” que transporta e planear com detalhe os períodos de descanso</strong>.</p>



<p>Se, após ter tomado medidas para descansar o sono for leve ou difícil, as insónias uma constante e não ocorrer qualquer redução do cansaço procure um médico de clínica geral para fazer análises e/ou exames por forma a detetar eventuais causas do cansaço de origem biológica – como a falta de ferro, funcionamento deficiente da <a href="https://simplyflow.pt/os-segredos-da-sua-tiroide/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tiroide</a> até ao despiste de doenças autoimunes (onde se inclui a síndrome de fadiga crónica).</p>



<p>O cansaço persiste e não se encontrou uma explicação biológica para o mesmo: talvez esteja perante o famoso <a href="https://simplyflow.pt/nao-aguento-mais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">burnout</a>. <a href="https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/80-dos-trabalhadores-apresentam-pelo-menos-um-sintoma-de-burnout" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um inquérito realizado pelo Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis revelou que 50,6% dos trabalhadores em Portugal estão em elevado risco de burnout</a>. O importante nesta fase é<strong> procurar ajuda psicológica e/ou psiquiátrica</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O cansaço como um amigo.</strong></h2>



<p>Assim, <strong>em vez de olhar para o cansaço como um inimigo, encare-o como o amigo que nos diz para termos cuidado com as opções que tomamos no nosso dia-a-dia</strong>. Não o ignore porque não vai passar sem as medidas adequadas. E aprender a descansar também pode ser um excelente objetivo para o novo ano letivo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong><em> Quem te avisa teu amigo é.”</em></strong></p>
</blockquote>



<p>É este género de amigo que o cansaço é.&nbsp;</p>



<p><strong>Bom ano letivo e bom descanso!</strong></p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-yYH8P' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Mente Sã em Corpo São</title>
		<link>https://simplyflow.pt/mente-sa-em-corpo-sao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jul 2023 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Corpo São]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos de nós atuamos como se o corpo fosse o transportador da cabeça, sem darmos espaço ao que ele nos comunica em formato de sensações corporais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/mente-sa-em-corpo-sao/">Mente Sã em Corpo São</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Sofia, de 34 anos, tem tudo para ser feliz… pelo menos é o que ela me diz quando se senta no consultório: uma família estável, uns pais que a amam (e estes amam-na mesmo, a Sofia não está enganada), um bom emprego, com um salário adequado para preencher as suas necessidades, um marido que a ama (e também é verdade, não está enganada). Mas há um vazio que a acompanha do qual não se consegue livrar. Mesmo nos seus melhores momentos, a sensação de “vazio no peito” não a larga. Mais recentemente começou a ter problemas de dores continuadas no peito e aperto na garganta. Dorme mal e, por vezes, acorda com a sensação de falta de ar. É assídua no ginásio e pratica exercícios de <em>mindfulness</em>. Sente-se perdida sobre o que se está a passar consigo e refere que estas situações estão a retirar-lhe concentração para o trabalho e família. As consultas e exames médicos no último ano não revelaram qualquer problema físico e foi aconselhada a consultar um psicólogo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O diálogo corpo-cérebro</strong></h2>



<p>Nos últimos anos a investigação científica tem explicitado de forma crescente a interação entre corpo e cérebro. No entanto e muito antes disso, os psis (psicólogos e psiquiatras) constatavam a verdade do provérbio latino: “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mens_sana_in_corpore_sano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mente sã em corpo são</a>”. Aliás, em 1953 <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_Gendlin" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eugene Gendlin</a>, filósofo de formação, estudou, em articulação com o psicólogo <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Rogers" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Carl Rogers</a>, o que tornava bem-sucedida a psicoterapia. Gendlin ouviu horas e horas de sessões de terapia gravadas em áudio para perceber quais os pacientes que melhoravam e porquê, tendo concluído que a abordagem terapêutica em si não era a resposta… o que fazia a diferença era <strong>a forma como o paciente se relacionava consigo e com o corpo</strong>. Aqueles que tinham consciência das “sensações que sentiam” (do inglês <em>felt sense</em>) alcançavam melhores resultados em termos de alívio de sintomas e um aumento de bem-estar. Sentir a sensação? Tomemos como exemplo a emoção básica medo: dizer “tenho medo” é diferente de sentir a sensação de medo &#8211; nomear o conceito de medo é distinto de nos relacionarmos com o que está a acontecer dentro de nós por causa do medo, <strong>sentindo a sensação</strong> de medo. Gendlin desenvolveu estes conceitos numa abordagem: <a href="https://focusing.org/gendlin/docs/gol_2102.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Focagem</a> (do inglês <em>focusing</em>) tendo influenciado muitas escolas de psicoterapia, na atualidade. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O corpo, esse transportador da cabeça</strong></h2>



<p>Existe uma categorização que nos pode ajudar a compreender como diferenciar abordagens terapêuticas como “de cima para baixo” vs. “de baixo para cima (do inglês <a href="https://cptsdfoundation.org/2022/08/02/the-difference-between-top-down-and-bottom-up-therapy-and-why-it-matters/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“<em>top down</em>” vs. “<em>bottom up</em>”</a>). As primeiras partem do cognitivo e da elaboração da linguagem para reestruturar o discurso interno, com o objetivo de mudar comportamentos e a perceção da realidade. As segundas procuram a sensação sentida pela pessoa quando relata determinados acontecimentos por forma a que essas sensações se reflitam no seu corpo permitindo que se compreendam as necessidades que estão por cumprir dentro dessa pessoa. O alívio das sensações corporais permite uma clareza de pensamento que ajuda a pessoa a mudar as suas atitudes e comportamentos perante a perceção da realidade. A estas terapias também se dá o nome de experienciais: a pessoa precisa de experienciar o que está a acontecer consigo para que as emoções libertem a sua tendência de ação (medo, proteger-me; raiva, impor limites; tristeza, recolher-me; nojo, afastar-me; alegria, celebrar) que terá sido interrompida em situações do passado.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/Fj8yzVS-XJhgASfi_Qt4h49rKdlTed70vAiOBH4EB071vZG1-7K5IAqE-z0xwhf6FpiP5Yy40msYXio52vMXw9fLktA1RixokC5v27fl72v0slKaypc86sqcsh81ZEQO7DYf1TkRDEBjw4LKGkn9o-0" alt=""/></figure>



<p><a href="https://www.researchgate.net/figure/Functions-and-Action-Tendencies-of-Major-Discrete-Emotions_tbl1_240515588" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Behavioral Activation/Inhibition Systems and Emotions: A Test of Valence vs. Action Tendency Hypotheses &#8211; Scientific Figure on ResearchGate</a> (consultado a 06 de Julho de 2023)</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A caixa de correio por abrir</strong></h2>



<p>Voltemos à Sofia que está perdida dentro de si e na sua perceção do mundo. Uma das primeiras coisas que lhe peço é:<em> “Pode focar a sua atenção no seu corpo, neste momento, e dizer-me o que surge depois de partilhar comigo o que são os seus problemas?”</em>. A Sofia olha-me com ar confuso e pergunta-me: <em>“Dentro do meu corpo como?”</em>. Num texto anterior apresentei uma forma de abordar as emoções no corpo e, nesse momento, uso aquilo que a psicologia refere como  Psico-Educação, para que a pessoa tenha um guião da tarefa: <a href="https://simplyflow.pt/triangulo-da-experiencia-a-sustentavel-densidade-do-ser-ou-da-importancia-de-sentir-as-emocoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a importância de sentir as emoções</a> . A Sofia diz que não sente nada de especial, apenas um aperto no peito e à minha insistência de dar espaço a esse aperto, em silêncio, com toda a atenção focada no que está a acontecer no seu corpo, a Sofia começa a emocionar-se e olha para mim ainda mais confusa: <em>“Não sei o que é isto, mas estou com vontade de chorar, desculpe”</em>. Peço para que deixe o seu corpo expressar-se como quiser e se é através das lágrimas, permita que isso simplesmente aconteça e depois logo perceberemos melhor o que está envolvido… a Sofia permite-se chorar e sucede-se um choro silencioso, contínuo e surpreendido. Após alguns minutos de silêncio em que as lágrimas finalmente param, pergunta-me o que é que lhe está a acontecer. Antes de lhe responder, pergunto-lhe: <em>“Como está a sensação no peito?”</em>. Leva a mão ao peito, suspira profundamente e responde com ar admirado: <em>“Está calmo, está muito mais calmo… parece que estava a precisar disto, de pôr qualquer coisa cá para fora”</em>. Volta a respirar profundamente e pergunta-me, a rir, se está curada. Respondo-lhe que não está curada, mas sem dúvida que começamos um processo.</p>



<p>O que se passou então com a Sofia? <strong>Muitos de nós atuamos como se o corpo fosse o transportador da cabeça, sem darmos espaço ao que ele nos comunica em formato de sensações corporais.</strong> <a href="https://www.instagram.com/reel/CbsPBEgAE92/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estes sms e emails que o corpo envia precisam de ser “abertos e lidos” dando-lhes atenção, permitindo que as sensações se explicitem, ampliem e desvaneçam, libertando o significado de cada uma dessas mensagens.</a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O corpo não é apenas o transportador da cabeça</strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-ie7J8' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>No caso da Sofia, e após um processo terapêutico de mais de 1 ano, percebemos uma coisa sobre a sua história de vida: ao longo da sua infância ela não sentiu espaço na família para partilhar os seus medos e zangas com o mundo. A mensagem na família era: <strong>cerra os dentes e avança porque há muito para fazer</strong>. Filha de uma família de poucos recursos económicos, os pais trabalhavam muito para providenciar o melhor aos filhos. Conseguiram, por exemplo, que os filhos frequentassem uma boa escola pública por causa da morada do local de trabalho da mãe. A Sofia cedo percebeu que os colegas tinham acesso a muitas coisas que ela não tinha e, por vezes, foi gozada por não ter roupas de marca. Mas ela era boa aluna e isso foi o passaporte para uma vida que os pais só poderiam sonhar: ser “doutora”, com um bom emprego, fazer férias e aceder a cuidados de saúde privilegiados. O que também aconteceu ao longo desses anos foi a sensação de impotência sobre o que fazer com as emoções que sentia, enquanto esperava pelos pais que chegavam tarde a casa, mortos de cansaço, achava que não os podia incomodar com os seus medos, vergonhas e zangas com alguns colegas. <em>“Era injusto estar a preocupar os meus pais com isto, coitados… sempre mortos de cansaço a darem o seu melhor. Ia lá eu falar que a Susana me tinha gozado nesse dia por causa dos meus ténis serem uma imitação mal-amanhada dos all star que toda a gente usava nessa altura… engolia tudo e agarrava-me aos livros para ter uma vida melhor.”</em></p>



<p>Mas durante vários anos não se lembrou destas coisas… O que aconteceu para que o vazio se instalasse de forma tão intensa na sua vida? Descobrimos que o peso, o sufoco e o vazio coincidiam com a entrada da filha numa escola particular onde o estatuto sócio cultural dos colegas da filha era superior ao seu. Inconscientemente a Sofia estava a reviver através da filha as frustrações e medos que nunca pode explicitar num ambiente seguro na infância. A pouco e pouco no consultório, a sensação de vazio foi preenchida pela expressão das emoções encapsuladas. Apesar de agora ter os recursos, a Sofia estava a viver no presente as sensações sentidas e não explicitadas do passado. Numa das sessões em que estávamos em silêncio, a Sofia começou a rir baixinho e depois alto e com gosto. Perante o meu ar curioso, respondeu-me: <em>“Sabe uma coisa Ana, a minha filha odeia ténis de marca. Agora que posso comprar-lhe todos os ténis de marca que ela quiser, diz-me que não vale a pena porque fica igual aos outros todos e gosta de ser diferente. Usa ténis de marcas brancas para se afirmar, não tem medo nem vergonha de ser quem é… É porque se sente bem na sua pele, não é?… Bem, alguma coisa de bom fizemos como pais para ela se sentir assim!”</em>.</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-ie7J8' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Como manter a sanidade mental perante as adversidades e momentos mais desafiantes?</title>
		<link>https://simplyflow.pt/como-manter-a-sanidade-mental-perante-as-adversidades-e-momentos-mais-desafiantes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://simplyflow.pt/?p=18792</guid>

					<description><![CDATA[<p>O nosso país apresenta taxas elevadíssimas de perturbações na saúde mental, é incontornável, e isso precisa de ser aceite por nós: como povo, temos uma fragilidade que pode ter contornos genéticos e/ou contextuais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/como-manter-a-sanidade-mental-perante-as-adversidades-e-momentos-mais-desafiantes/">Como manter a sanidade mental perante as adversidades e momentos mais desafiantes?</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Jonah_Hill" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jonah  Hill</a> precisou de fazer terapia e encontrou o terapeuta <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Stutz_(film)" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Phil Stutz</a>. O resultado é um <a href="https://www.netflix.com/pt/title/81387962" target="_blank" rel="noreferrer noopener">documentário</a> de 96 min em que há uma inversão de papéis sobre quem faz as perguntas a quem. Quase todos os terapeutas, de várias nacionalidades gostaram, e quem faz terapia em vários países também gostou de ver que não é o único a procurá-la. Uma das ferramentas de Stutz é dizer verdades óbvias que precisam de ser lembradas, como, por exemplo, <em>“Dor, Incerteza e Trabalho Constante” </em>são dados adquiridos na existência humana. Assim, como manter a saúde mental perante a adversidade?</strong></p>



<p>No trabalho de Stutz pode encontrar algumas <a href="https://www.thetoolsbook.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ferramentas</a> que, inclusive, ele passou a escrito. Mas vou atrever-me a apresentar as ferramentas que mais sentido fazem no contexto da realidade portuguesa. Partilhamos muitas coisas como seres humanos, no entanto é inegável que a cultura acrescenta especificidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sobre aceitação e resignação:</strong></h2>



<p>O nosso país apresenta taxas elevadíssimas de perturbações na <a href="https://simplyflow.pt/dia-mundial-da-saude-mental/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saúde mental</a>, é incontornável, e isso precisa de ser aceite por nós: como povo, temos uma fragilidade que pode ter contornos genéticos e/ou contextuais. Ao aceitarmos que temos esta fragilidade não podemos resignar-nos e simplesmente deixarmo-nos ir. Precisamos de pôr em prática as estratégias que são veiculadas em diversas publicações e por vários autores. Precisamos de fazer isso também pelas gerações futuras, que são modeladas por nós. Para isso precisamos de ação e<em> “não deixar para amanhã o que se podia fazer hoje”</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sobre agir ou reagir:</strong></h2>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-KqOyE' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Agir implica tomar a iniciativa, que por sua vez envolve adotar comportamentos de prevenção. Para agir temos de ter energia para o fazer. Caso nos deixemos andar, entraremos na situação de reagir ao que acontece, ou<em> “correr atrás do prejuízo”</em>.&nbsp;</p>



<p>O que é curioso é ver como uma coisa pode levar à outra: deixamos andar, aceitamos que nada podemos fazer, exercitamos pouco a assertividade, até acreditarmos que não há nada ao nosso alcance para mudar… E este ciclo em repetição mina a autoconfiança, entregamo-nos a um discurso autoreferente negativo que leva à <a href="https://simplyflow.pt/depressao-o-demonio-do-meio-dia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depressão</a>. Chegados à depressão, à falta de vitalidade, tudo parece ser um esforço gigantesco… ainda podemos mudar o nosso rumo, mas com esforço ainda maior.</p>



<p><strong>Não deixe para amanhã a vida que pode viver hoje…a inércia sai cara.</strong></p>



<p class="has-text-align-center"><em>“É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bem podias fazer hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã sei que voltas a adiar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>E tu bem sabes como o tempo foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mas nada fazes para o agarrar</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Foi mais um dia e tu nada fizeste</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Um dia a mais tu pensas que não faz mal</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Vem outro dia e tudo se repete</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>E vais deixando ficar tudo igual</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bem podias viver hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã quem sabe se vais cá estar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ai tu bem sabes como a vida foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mesmo de quem diz que está p&#8217;ra durar</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Foi mais um dia e tu nada viveste</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Deixas passar os dias sempre iguais</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Quando pensares no tempo que perdeste</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Então tu queres mas é tarde demais</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Deixa lá não faças hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã tudo se há de arranjar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ai tu bem sabes que o trabalho foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mesmo de quem diz que quer trabalhar</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Eu sei que tu andas a procurar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Esse lugar que acerte bem contigo</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Do que aparece tu não consegues gostar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>E do que gostas já está preenchido</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bem podias fazer hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã sei que voltas a adiar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ai tu bem sabes como o tempo foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mas nada fazes para o agarrar</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bem podias viver hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã quem sabe se vais cá estar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ai tu bem sabes como a vida foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mesmo que penses que esta p&#8217;ra durar</em></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><em>É p&#8217;ra amanhã</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Deixa lá não faças hoje</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque amanhã tudo se há de arranjar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ai tu bem sabes que o trabalho foge</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mesmo de quem diz que quer trabalhar”</em></p>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Fonte: <a href="https://www.lyricfind.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">LyricFind</a><br>Compositor: António Variações</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-KqOyE' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Saúde Mental</title>
		<link>https://simplyflow.pt/dia-mundial-da-saude-mental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Mundial da Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://simplyflow.pt/?p=18408</guid>

					<description><![CDATA[<p>Frequentemente confundimos cansaço com preguiça porque nem nos damos tempo suficiente para tomarmos consciência do esforço que diariamente fazemos ao longo de anos para cumprir tudo o que nos é pedido.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://simplyflow.pt/dia-mundial-da-saude-mental/">Dia Mundial da Saúde Mental</a> aparece primeiro em <a href="https://simplyflow.pt">Simply Flow by Fátima Lopes</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando recuo 30 anos e me recordo de todos os que me disseram ser má ideia ingressar no curso de psicologia porque iria para o desemprego, sinto que se desenha um sorriso malandro… Se esse sorriso falasse diria algo do género: “</strong><strong><em>Até um dia de saúde mental já há! Finalmente um lugar de destaque na consciência da sociedade</em></strong><strong>”.</strong></p>



<p>A <a href="https://youtu.be/Ak5GCyBFY4E" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mente</a> pode ser definida como o processo que organiza o fluxo de informação e energia entre o corpo e o meio circundante. Porém, este processo tem sofrido desvios tais que a depressão, ansiedade, burnout e perturbações de personalidade são cada vez mais comuns ou, pelo menos, mais visíveis na sociedade. Há perturbações transgeracionais que nunca chegaram a ser entendidas ou diagnosticadas como doença mental – como sucede com aqueles que têm um familiar próximo ou de uma geração mais afastada conhecido por ter <em>mau-feitio</em>, um feitio <em>especial</em> ou ainda que vira um animal quando bebe uns copos apesar de, normalmente, ser um <em>paz de alma</em>. Muitas destas situações configuram perturbações de personalidade, depressões ou ansiedade que têm na sua origem eventos traumáticos, aliados a alguma componente genética, que poderiam ser superadas ou, pelo menos, minoradas &#8211; com reflexo numa melhoria do <a href="https://simplyflow.pt/a-importancia-do-autocuidado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bem-estar</a> do próprio e dos que o rodeiam &#8211; através da <a href="https://simplyflow.pt/psicologia-psicoterapia-ou-psiquiatra-o-que-e-mais-adequado-para-mim/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">adequada intervenção psicológica</a>. Imaginem quanta violência doméstica poderia ser evitada, quantos ciclos de maltrato poderiam ser interrompidos, quanta medicação seria deitada no lixo caso chamássemos “os bois pelos nomes”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="758" height="1024" src="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-758x1024.jpg" alt="saúde mental" class="wp-image-18410" srcset="https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-758x1024.jpg 758w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-222x300.jpg 222w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-768x1038.jpg 768w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-460x622.jpg 460w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-160x216.jpg 160w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-320x432.jpg 320w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-480x649.jpg 480w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas-640x865.jpg 640w, https://simplyflow.pt/wp-content/uploads/2022/10/Tired-Ramon-Casas.jpg 888w" sizes="(max-width: 758px) 100vw, 758px" /><figcaption>Tired, Ramon Casas (Spanish, 1866 &#8211; 1932)</figcaption></figure></div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>A sociedade do cansaço&nbsp;</strong></h2>



<p>Recentemente cruzei-me com um livro que me ajudou a perceber como atos simples se podem multiplicar em saúde mental. Do autor Byung-Chul Han, o livro “<a href="https://relogiodagua.pt/produto/a-sociedade-do-cansaco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A Sociedade do Cansaço</a>” apresenta várias ideias que nos ajudam a compreender a nossa sociedade e o desgaste continuado em que vivemos revelado, quanto mais não seja, pela crescente publicidade a suplementos energéticos e a comprimidos (de origem natural ou não) para dormir. <a href="https://observador.pt/opiniao/a-sociedade-do-cansaco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma sociedade que exige cada vez mais a superação do que fazemos a cada dia </a> deixa-nos num estado tal que nem dormir conseguimos. De uma acumulação de cansaço continuado até à depressão e burnout é um salto de pardal. Byung-Chul Han inicia o livro dizendo que cada século da humanidade tem uma determinada doença de eleição: as pragas, até ao desenvolvimento de medidas sanitárias e de antibióticos, os vírus, até ao desenvolvimento das técnicas imunológicas e, no século atual, as doenças neuronais. Pergunto: há estratégias que realmente nos ajudem a proteger desta nova praga?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A importância da lei do menor esforço</strong></h2>



<p>A verdade é que <strong>estamos cansados demais para usar novas estratégias</strong>. Para efetuar mudanças temos de ter alguma energia para sair do automático e assumir a condução manual. Assim, algumas das estratégias que lemos vezes sem conta cansam-nos ainda mais, como por exemplo:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Tomar um banho de imersão, com velas e música calma ao final do dia;</li><li>Ir ao ginásio;</li><li>Praticar meditação;</li><li>Ter um discurso positivo, entre outros…</li></ul>



<p><strong>Se já estamos cansados, algumas destas (boas) estratégias podem revelar-se mais desgastantes ou até irritantes por não as conseguirmos executar</strong>. Muitas vezes desistimos e achamos que não há remédio para o nosso cansaço, compramos um suplemento vitaminado, seguimos em frente até termos o nosso merecido burnout, para finalmente podermos descansar com aceitação social.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pare, escute e olhe</strong></h2>



<p>As minhas sugestões, inspiradas em Byung-Chul Han, são muito, mas muito básicas:</p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-bcwOP' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<ol class="wp-block-list"><li><strong>Entregue-se ao cansaço</strong>: fruto de uma sociedade que coloca o valor do ser humano naquilo que faz em vez daquilo que é, estar em ação é muito mais valorizado do que descansar. Acresce que <strong>frequentemente confundimos cansaço com preguiça porque nem nos damos tempo suficiente para tomarmos consciência do esforço que diariamente fazemos ao longo de anos para cumprir tudo o que nos é pedido</strong>. Assim, caso tenha trabalho muito e continuamente ao longo de anos é natural que esteja cansado… não é preguiça, é cansaço. Por favor, entregue-se ao cansaço, permita-se sentir o cansaço, olhe para ele como um amigo que o avisa de que está no limite. <strong>Viver em esforço constante, a cortar horas de sono e lazer não faz de si um ser mais valioso, mas antes uma bomba relógio que a prazo comprometerá a sua saúde mental</strong>;</li><li><strong>Diga “não!”</strong>: depois de ouvirmos o cansaço e a mensagem que tem para nós – como, por exemplo, “<em>trabalhar de Domingo a Domingo pode ser necessário em algumas fases da vida, mas sempre é uma doideira… Onde queres acabar, no hospital?!</em>” &#8211; chega o momento de dizer “Não!”. Muitas vezes dizemos “sim” porque queremos ser boas pessoas, valorizados pelos outros, facilitar a nossa integração numa organização… Mas também porque dá menos trabalho. <strong>Dizer “não” é um ato de afirmação perante o outro, um momento de exercício de liberdade. Diga que não mais vezes…não necessita de fazer tudo e ser um eterno voluntário nas tarefas aborrecidas</strong>: “NÃO!”;</li><li><strong>Permita-se, com elegância, enfurecer-se</strong>: existe a ideia de que a fúria e a zanga implicam gritos, murros, partir loiça&#8230; É uma forma de enfurecermos, sem dúvida, mas não é a única. A zanga legítima resulta de se ser abusado nos seus recursos, invadido no seu espaço vital, ser alvo de injustiça ou desrespeito e o movimento saudável é colocar limites ao autor da ofensa. É uma defesa legítima… <strong>A </strong><a href="https://simplyflow.pt/pelo-direito-a-zanga-e-a-tristeza/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>zanga</strong></a><strong> expressa com firmeza e elegância traz energia, verticalidade e alimenta a comunicação assertiva. Autorize a sua zanga a ocupar o seu corpo, não a engula, respire fundo, abra o peito, endireite os ombros e afirme a sua necessidade ao outro, na forma de um “não” calmo e seguro.</strong></li></ol>



<p></div>
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			</item>
		<item>
		<title>O crescimento pessoal e a lamúria de si mesmo</title>
		<link>https://simplyflow.pt/o-crescimento-pessoal-e-a-lamuria-de-si-mesmo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 13:41:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Aceitação]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Integração]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Passado cronológico]]></category>
		<category><![CDATA[Passado psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://simplyflow.pt/?p=17454</guid>

					<description><![CDATA[<p>É frequente no consultório sucederem momentos em que o paciente adquire uma nova compreensão de si próprio e consegue deixar o passado no passado, permitindo-se viver mais no tempo presente e aceitando o que de bom lhe acontece.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>As vantagens de viver no século XXI são imensas, mas uma delas é o luxo de podermos dedicarmo-nos a nós e alcançar níveis satisfatórios q.b. com a pessoa que somos e aquilo que conquistamos.</strong></p>



<p>É frequente no consultório sucederem momentos em que o paciente adquire uma nova compreensão de si próprio e consegue deixar o passado no passado, permitindo-se viver mais no tempo presente e aceitando o que de bom lhe acontece.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Passado cronológico vs. passado psicológico</strong></h2>



<p>Uma mãe dizia-me, com embaraço, como às vezes sentia inveja (sim, é mesmo esta a palavra, inveja) da filha de 17 que tinha acesso a férias na praia, na neve, iria certamente fazer o programa Erasmus e já saía à noite. Aprisionava-se naquele dilema (chamo-lhe “guerra civil”) de se alegrar por conseguir proporcionar todas essas benesses à filha e ainda assim sentir um mal-estar decorrente do sofrimento vivido na sua própria adolescência &#8211; sem dinheiro para comprar as calças de marca que todas as amigas tinham e com uns pais austeros que só depois da faculdade é que permitiram que fosse a uma discoteca.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em>“Às vezes oiço-me a falar e pareço a minha mãe! Faço birras quando o meu marido dá mais atenção à miúda do que a mim&#8230; Tento controlar-me e não consigo.”&nbsp;</em></h2>



<p>Neste caso o passado cronológico ainda é diferente do passado psicológico; ou seja: a adolescente reprimida e com poucos recursos financeiros, que habita a adulta mãe de uma adolescente, ainda existe no presente. Inconscientemente, a adulta de 45 anos que está à minha frente ainda não fez as pazes com o que não teve no seu passado.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A lamúria de si mesmo</strong></h2>



<p>O conceito “mourning the self” (a lamúria de si mesmo) traduz o TPC &#8211; Trabalho Psicológico Criativo &#8211; necessário para que o passado cronológico sincronize com o psicológico.&nbsp;</p>



<p>No caso anterior, onde a mãe se sente culpada por sentir inveja da filha, é importante que contatemos com as necessidades que ficaram por preencher na idade da adolescência, tais como: a diversão, a expansão de horizontes, o cimentar amizades, o treino de responsabilidade individual. Para tal, é importante que esta mãe se questione:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>O que eu poderia ter sido caso tivesse a liberdade de explorar quem era?&nbsp;</li><li>Que aventuras ficaram por viver?&nbsp;</li><li>Teria escolhido a mesma carreira profissional?&nbsp;</li><li>Viveria em Portugal?&nbsp;</li><li>Teria escolhido constituir família?&nbsp;</li></ul>



<p>Há fases em que este TPC <strong>pode ser frustrante para o próprio uma vez implica aceitar que determinadas condições se perderam para sempre</strong>. Por exemplo, beber uns copos a mais e falhar algumas responsabilidades aos 18 anos não tem o mesmo impacto do que ter o mesmo comportamento aos 40.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Surgem, então, sentimentos de irritação, tristeza, culpa e rancor que se analisam, integram e acalmam no espaço terapêutico.</strong> O TPC finda perante sinais de acalmia interna e capacidade de falar sobre o que não se teve a partir do ponto de vista de aceitação do seu percurso de vida.<strong> Essa integração liberta-nos para encontrarmos paz interna.</strong> A aceitação também dá espaço para ver as vantagens de termos tido aquele percurso de vida:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Tornou-me mais tolerante à frustração?&nbsp;</li><li>Mais foco em alcançar objetivos?&nbsp;</li><li>Mais gratidão perante o que se alcançou?</li></ul>



<p>A partir desta aceitação crescemos na nossa sabedoria sobre o modo como o mundo funciona e não como desejaríamos que funcionasse.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A sabedoria que só se alcança através da experiência e reflexão acerca do que vivenciamos.</strong></h2>



<p>Ficou com curiosidade? Deixo aqui uma  sugestão de TPC:</p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-maMDp' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<p>Há alguns momentos nas nossas vidas que mexem naturalmente com o nosso passado cronológico e psicológico, e que podem desafiar-nos a aceitar coisas na nossa vida: a <a href="https://simplyflow.pt/manual-de-sobrevivencia-para-o-natal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">época natalícia</a>, o nosso aniversário, as férias, mudar de casa e/ou de emprego, terminar uma relação, apaixonarmo-nos. Nestes momentos alguns fantasmas do passado podem voltar para nos criticar acerca de alguma coisa que fizemos ou não fizemos. Contate com essa situação, sensação, pensamento e permita que se expresse no seu corpo (em outro momento já apresentei um tutorial de <a href="https://simplyflow.pt/triangulo-da-experiencia-a-sustentavel-densidade-do-ser-ou-da-importancia-de-sentir-as-emocoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como o fazer</a>).</p>



<p>Se surgiu alguma coisa que o frustra, que traz arrependimento ou que percebe que já não há nada a fazer, imagine o que gostaria de dizer ou fazer a essa frustração/arrependimento/oportunidade perdida. Se ajudar, imagine que lhe escreve um email, uma sms, fala ao telefone com isso e lamente o que perdeu ou exagerou. Tire alguns momentos para sentir o que acontece no seu corpo, e integre isso. Estar na companhia de um café, chá, copo de vinho, uma paisagem agradável ou uma música que gosta, ajuda muito neste contato com o passado e regresso ao presente.</p>



<p>Se tivesse de sugerir uma música para este momento seria, sem dúvida: “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Hqc-NWlNJQ" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Non, Je Ne Regrette Rien</a>” (Não, não lamento absolutamente nada), de Edith Piaf. </p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;<em>Não absolutamente nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, eu não lamento nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nem o bem que me fizeram</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nem o mal, isso tudo me é indiferente</em></p>



<p class="has-text-align-center"></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não absolutamente nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, eu não lamento nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Está pago, varrido, esquecido</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não me importa o passado!</em></p>



<p class="has-text-align-center"></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Com as minhas lembranças</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Acendi o fogo</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Minhas mágoas, meus prazeres</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não preciso mais deles</em></p>



<p class="has-text-align-center"></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Varridos os amores</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Com todos os seus tremores</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Varridos para sempre</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Vou recomeçar do zero</em></p>



<p class="has-text-align-center"></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, absolutamente nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, eu não lamento nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nem o bem que me fizeram</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nem o mal, isso tudo me é indiferente</em></p>



<p class="has-text-align-center"></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, absolutamente nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Não, eu não lamento nada</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pois a minha vida, pois as minhas alegrias</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Hoje, isso tudo começa contigo!</em>&#8220;</p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-maMDp' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Imitar os melhores para se encontrar o melhor em nós</title>
		<link>https://simplyflow.pt/imitar-os-melhores-para-se-encontrar-o-melhor-em-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Cristiano Ronaldo]]></category>
		<category><![CDATA[Imitação]]></category>
		<category><![CDATA[Imitar]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[Work-Life Balance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de uma pandemia assistimos a algo que é um dos piores pesadelos da humanidade: a&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de uma pandemia assistimos a algo que é um dos piores pesadelos da humanidade: a guerra, 70 anos após o fim da última verificada na Europa. E uma das coisas que mais tem impressionado o mundo é a extrema coragem do povo ucraniano. Que força perante um inimigo que é em tudo superior: em número de militares, armamento, dimensão e experiência militar. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tem sido unanimemente considerado como um dirigente exemplar. Quem diria que um comediante encerrava tanta força e espírito de liderança? O seu exemplo inspira muitos dos seus conterrâneos a lutar pela independência.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A imitação como processo de sobrevivência</strong></h2>



<p><strong>Os modelos de mestria e de pragmatismo são grandes aliados da sobrevivência e desenvolvimento no planeta Terra.</strong> Por exemplo, um bebé gorila passa dois anos com a mãe gorila para aprender, entre outras coisas, quais as plantas comestíveis e quais as venenosas. Outros exemplos incluem os <a href="https://youtu.be/RDLuKVjaTIc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">animais domésticos</a> e, claro, nós, seres humanos. </p>



<p>Assim, os nossos primeiros modelos de vida são os pais, os familiares próximos, mais tarde os professores e, mais recentemente, os <em>influencers</em>. O que devemos ter em mente é que <strong>a imitação faz parte da nossa sobrevivência e superação</strong>. Não é à toa que a publicidade procura associar os seus produtos a pessoas famosas que levem outros a adquirir esses mesmos produtos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E quando não existem modelos que possamos imitar?</strong></h2>



<p>Um dos desafios que se pode colocar, principalmente quando somos mais jovens, é ausência, na nossa vida, de modelos que possamos imitar&#8230; Às vezes os membros diretos da família não têm as características que nos ajudam no contexto em que vivemos.&nbsp;</p>



<p>Por exemplo, no acompanhamento de vários lusodescendentes no estrangeiro detetei um aspeto repetitivo nas suas histórias: os pais tinham imigrado para terem uma vida melhor. Sabiam trabalhar e trabalhavam muito, mas não tinham competências linguísticas ou sociais para perceberem os serviços de imigração, as reuniões de professores nas escolas ou, simplesmente, viajar nesse país desconhecendo a língua. Sentiam-se isolados, aflitos e sozinhos. Imaginem uma criança de 7 anos a fazer a tradução de português para sueco nos serviços de matrículas numa escola, entre uma funcionária austera e uma mãe que não percebia nada do que era dito. Ou uns pais que não entendiam de que se queixava o filho em França quando este tinha tudo o que precisava para se sair bem na escola e não conseguia obter bons resultados&#8230; Eles, que nada tinham tido na infância, tiveram de adaptar-se à escola&#8230; Talvez o filho fosse muito exigente ou estivesse mal-habituado. Nada disso: estes lusodescendentes apenas não podiam reproduzir os comportamentos da família num ambiente em que não faziam sentido (ser criado como católico num país luterano, por exemplo). Mas ao imitarem comportamentos de membros da sociedade em que se encontravam inseridos ouviram dos seus pais a acusação de que negavam a sua cultura de origem. Confuso, muito confuso.</p>



<p>Mas há outros exemplos: pais que têm formação nas áreas científicas e não percebem os filhos que escolhem as áreas artísticas, pais que proporcionaram aos filhos uma educação superior, tendo uma origem sociocultural pouco diferenciada (working class), pais de filhos portadores de deficiência ou com necessidades educativas especiais, ou prodígios&#8230; são muitos, mas mesmo muitos os exemplos.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Identidade vertical e a identidade horizontal</strong></h2>



<p><a href="https://www.themarginalian.org/2013/06/12/andrew-solomon-far-from-the-tree/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estes conceitos</a> são referenciados no livro de Andrew Solomon: “<a href="https://www.quetzaleditores.pt/produtos/ficha/longe-da-arvore/19197747" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Longe da árvore</a>” (este conceito é uma adaptação de um provérbio anglo-saxónico que refere que um fruto não cai longe da árvore, uma versão do nosso “tal pai, tal filho”). Ao longo de vários capítulos fala e documenta como as diferenças entre pais e filhos podem deixar um fosso em que os pais não conseguem compreender as especificidades de um filho surdo quando ouvem bem, ou os desafios colocados por uma filha anã num mundo construído para a estatura média.</p>



<p>Assim, não há uma <strong>identidade vertical</strong>, em que aquilo que eu sou é refletido diretamente na minha descendência. Estes filhos só conseguem ter uma noção de pertença e de identidade num grupo que partilhe as suas características e daí a <strong>identidade horizontal</strong>. O livro de Andrew Solomon reflete bastante no luto que os pais fazem de não terem o filho desejado, em como isso os desafia no ato de amar quem é tão diferente de si. Aquilo que observo nestes filhos toca noutro ponto: a culpa de não cumprirem as expetativas dos pais e de procurarem outros grupos onde se sentem mais compreendidos. Uma das coisas em que se sentem desafiados é encontrarem<strong> modelos de vida que os inspirem no seu contexto diário</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um modelo para a vida</strong></h2>



<p>Alguns destes lusodescendentes começaram a falar de alguém que era para eles uma inspiração: Cristiano Ronaldo. É verdade, o jogador da bola por muitos considerado o G.O.A.T. (<em>Greatest Of All Time</em> e não “cabra”, que me confundiu durante algum tempo, confesso).</p>



<p>Alguns destes descendentes que “caíram longe da árvore” amam profundamente os seus pais, mas encontram no Ronaldo uma inspiração para o seu quotidiano. Porquê? Vejamos: </p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-M9m4x' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<ol class="wp-block-list"><li>Deixaram de ver a pequenez do país como limitador de sucesso. O Ronaldo não vem de um país pequeno, mas de uma ilha minúscula no oceano Atlântico! Se ele conseguiu chegar ao topo do mundo, qualquer um consegue;</li><li>Ter poucos recursos económicos não é uma restrição, mas, sim, um incentivo que aguça a vontade de trabalhar;</li><li>A mãe do Ronaldo não percebe de futebol, mas percebe de amar e proteger os filhos. Mais do que frequentar as escolas certas e as atividades extracurriculares adequadas, a força do amor numa família pode ser a “poção mágica” de que precisamos;</li><li>O foco no trabalho, em se ser bom naquilo que se faz, advém da força de vontade;</li><li>É verdade que o Ronaldo tem um talento especial e uma boa genética que lhe permite enfrentar grande esforço físico e manter-se ao mais alto nível competitivo aos 37 anos. Mas sem trabalho, nem o talento, nem a genética têm grande utilidade;</li><li>É, foi e será alvo de críticas. Jogou anos em Madrid com muitos espanhóis a não lhe perdoarem o facto de ele ser português… Recordemos um jogo importante entre Portugal e Espanha no campeonato europeu de 2016. Um dia antes a Autoridade Tributária espanhola levantou suspeitas sobre os seus impostos… inoportuno este prazo, talvez com o foco na sua destabilização. Ele marcou 3 golos e empatou o jogou. Às provocações respondeu com o seu trabalho em campo;</li><li>Faz sacrifícios pelos seus objetivos, seguindo uma rotina rígida de treino, alimentação e descanso.</li></ol>



<p>Estes são apenas alguns dos motivos que inspiram admiração naqueles que o escolhem como modelo de mestria. <strong>Mesmo quando falha é um exemplo de como mantém a motivação e regressa ao trabalho.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem escolhe imitar?</strong></h2>



<p>Assim, quando vejo algumas pessoas perdidas no seu caminho de vida, recordo que <strong>temos um exemplo inspirador que podemos imitar</strong>. Tal como a partir de março de 2022 vou trazer o exemplo do Volodymyr Zelensky para ilustrar que <strong>qualquer um perante condições adversas pode escolher imitar um líder ou um fraco</strong>.</p>



<p><strong>Escolha criteriosamente os seus modelos e, acima de tudo, tente superá-los!</strong></p>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-M9m4x' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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		<item>
		<title>A importância de sentir as sensações agradáveis</title>
		<link>https://simplyflow.pt/a-importancia-de-sentir-as-sensacoes-agradaveis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caetano]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Feb 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MENTE SÃ]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[emoções agradáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Mente Sã]]></category>
		<category><![CDATA[sensações agradáveis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As emoções desagradáveis são mais comuns e mais exploradas no nosso quotidiano do que as agradáveis e é muito importante repor esse equilíbrio para aprendermos a autorregulação, tão necessária no nosso dia a dia.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente numa consulta alguém me dizia que estava muito feliz porque tinha-se interessado por uma pessoa que a tratava muito bem, respondia às SMS, cumpria aquilo que tinha sido combinado, trabalhava. Corria tudo tão bem que a deixava feliz. Perguntei-lhe como era a sensação de felicidade, de se sentir bem, uma vez que essa sensação muda de pessoa para pessoa.&nbsp;</p>



<p>&#8211; <em>“É bom, mas estou com medo de estar enganada e …”</em> &#8211; respondeu-me.</p>



<p>&#8211; <em>“É bom como?”</em> &#8211; Interrompi de imediato.</p>



<p>&#8211; <em>“Então é bom, só isso e estou com medo…”</em></p>



<p>&#8211; <em>“Diga-me mais sobre esse bom: é bom tranquilo, é com paz, é bom espaço para respirar, é bom suave, é bom com energia, é bom com entusiasmo. É bom como?”</em> &#8211; Interrompi novamente sem cerimónias.</p>



<p>&#8211; <em>“Ai, lá vem a terapeuta com essas perguntas estranhas.” </em>&#8211; E riu-se abanando a cabeça.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="emocoes-agradaveis-o-que-sao"><strong>“Emoções agradáveis, o que são?”</strong></h2>



<p>Dediquei tempo na minha formação a aprender a subtil arte da interrupção do discurso nas consultas, por várias razões, uma delas para acentuar os momentos em que as pessoas estão a relatar um acontecimento que revela bem-estar. A maioria das vezes não se dedicam a sentir a sensação, desperdiçando energia preciosa que mais tarde procuram em situações que oferecem prazer imediato sem, no entanto, conseguir que o bem-estar permaneça. A diferença entre estes dois conceitos pode ser consultada <a href="https://simplyflow.pt/o-prazer-e-a-felicidade-farinha-do-mesmo-saco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<p>Assim, quando peço para sentir a sensação de bom, tranquilo, orgulho, alegria, vejo que é a primeira vez que algumas pessoas estão a dar atenção ao que se passa no seu corpo pelo lado das emoções agradáveis.&nbsp;</p>



<p><a href="https://simplyflow.pt/ano-novo-vida-nova/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">As emoções desagradáveis são mais comuns</a> e mais exploradas no nosso quotidiano do que as agradáveis e é muito importante repor esse equilíbrio para aprendermos a autorregulação, tão necessária no nosso dia a dia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="a-neurociencia-afetiva"><strong>A Neurociência Afetiva</strong></h2>



<p>Jaak Panksepp, professor na Washington State University, que ajudou a criar o novo campo da <a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4825903/mod_resource/content/2/Panksepp%20consci%C3%AAncia%20animal%20%281%29.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">neurociência afetiva</a> ao longo do século XX, “desenhou” um mapa onde identificou <strong>sete sistemas emocionais centrais do nosso cérebro: busca, raiva, medo, desejo, cuidado, tristeza e brincadeira</strong>. Ao longo de milhões de anos, esses afetos ou sentimentos guiaram mamíferos para localizar comida, lutar com inimigos, evitar predadores, reproduzir-se, cuidar da descendência, dotar os mais novos da capacidade de se aproximarem dos cuidadores e envolverem-se com os outros.</p>



<p><strong>Imagine estes sistemas emocionais primários como o paralelo aos</strong> <strong>5 gostos básicos do paladar: doce, amargo, salgado, azedo e </strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Umami" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>umami</strong></a>. Embora à nascença não saibamos diferenciar o salgado do bacalhau do doce da mousse de chocolate, sabemos que são distintos e satisfazem necessidades diferentes. Conforme a nossa cultura e o nosso desenvolvimento, aprendemos a distinguir a diversidade de doces e salgados. O mesmo sucede com a nossa aprendizagem emocional, sendo que <strong>só aprenderemos a distinguir a diversidade das sensações agradáveis se consagrarmos tempo e atenção para as sentir e integrar no quotidiano</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="como-sentir-as-sensacoes-agradaveis"><strong>Como sentir as sensações agradáveis?</strong></h2>



<p><strong>Há três coisas fundamentais neste processo: tempo, corpo e tomada de consciência.</strong></p>



<div class='yrm-content yrm-content-1' id='yrm-86oJr' data-show-status='false'>
			<div id='yrm-cntent-1' class='yrm-inner-content-wrapper yrm-cntent-1'></p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Tempo:</strong> as emoções agradáveis levam mais tempo para serem sentidas dado serem mais difusas. As emoções desagradáveis são rápidas porque entre o perigo e a ação necessária para nos protegermos, a rapidez é fundamental: fugir (medo), atacar (raiva), cuspir (nojo), recolhimento (tristeza), pedem prontidão na resposta. <strong>As emoções agradáveis, como a contemplação, satisfação, orgulho, alegria, entusiasmo, pedem tempo. É importante abrandar o nosso ritmo, parar o fluxo do pensamento e das palavras e dirigir a atenção para o que está a passar-se no nosso corpo</strong>;</li><li><strong>Corpo:</strong> o palco onde ocorrem as emoções, reage aos estímulos internos e externos e diz-nos se estamos num sítio agradável, onde queremos permanecer, ou desagradável, de onde queremos sair. <strong>Só o corpo pode sinalizar em que estado nos encontramos, mas precisa de tempo para explicitar o que lhe está a acontecer. As sensações corporais são como SMS e e-mails que o corpo envia à consciência: temos de abrir essas mensagens para sabermos o que se passa</strong>;</li><li><strong>Tomada de Consciência:</strong> quando damos atenção ao que está a acontecer no momento presente, no local onde estamos, o “aqui-e-agora”, começamos a registar a informação no cérebro. <strong>A investigação refere que são precisos 30 segundos para que uma nova ligação sináptica surja e esse novo dado passe da memória a curto prazo para a de longo prazo</strong>. Dessa forma, conseguimos aumentar o nosso reportório de comportamentos.</li></ul>



<p>Regressemos à sessão de terapia que foi inteiramente dedicada a sentir as sensações de se ser bem tratado numa relação que principia:</p>



<p>&#8211; <em>“Sinto tranquilidade nesse bom, parece que o peito acalma, os ombros baixam, respiro melhor </em>[acompanha com uma respiração profunda]<em>&#8230; tenho vontade de sorrir&#8230; há uma sensação de paz&#8230; estou leve.”</em></p>



<p>&#8211; <em>“Podemos ficar um pouco nessa sensação de leveza? Vou contar 30 segundos no relógio, se quiser pode fechar os olhos, e sinta só a sensação que acabou de descrever&#8230; deixe-se absorver por isso&#8230; estou aqui à sua espera.”</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="uma-sensacao-que-se-estranha-e-depois-entranha"><strong>Uma sensação que se estranha e depois entranha</strong></h2>



<p>Passados 30 segundos (ou mais), as pessoas relatam uma expansão, uma sensação estranha, algo novo… e<strong> esta sensação que se estranha e depois entranha permanece no corpo</strong>. Mesmo quando as condições internas e externas mudam, já não se pode des-sentir… e <strong>passamos a conseguir identificar melhor os momentos de bem-estar, tornando-se mais fácil alimentar as sensações agradáveis, que funcionam como amortecedores em momentos de stress</strong>.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quando olho para mim não me percebo. </p><p>Tenho tanto a mania de sentir </p><p>Que me extravio às vezes ao sair </p><p>Das próprias sensações que eu recebo. </p><p>O ar que respiro, este licor que bebo, </p><p>Pertencem ao meu modo de existir, </p><p>E eu nunca sei como hei de concluir </p><p>As sensações que a meu pesar concebo. </p><p>Nem nunca, propriamente reparei, </p><p>Se na verdade sinto o que sinto. Eu </p><p>Serei tal qual pareço em mim? Serei </p><p>Tal qual me julgo verdadeiramente? </p><p>Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu, </p><p>Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.” </p><cite>Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa), in “Poemas”</cite></blockquote>



<p></div>
		</div><div class='yrm-btn-wrapper yrm-btn-wrapper-1'><div class='yrm-content-gradient-1 yrm-content-gradient'></div><span title='' data-less-title='' data-more-title='' class='yrm-toggle-expand  yrm-toggle-expand-1' data-rel='yrm-86oJr' data-more='Ler mais' data-less='Ler menos'><span class='yrm-text-wrapper'><span class="yrm-button-text-1">Ler mais</span></span></span></div>
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