As alergias nos portugueses

Sofia Pinto Luz // Julho 8, 2020
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3 milhões de portugueses não adoram a primavera, nem o início do verão porque  vivem agarrados a lenços de papel! 

Sabia que:

  • 1/3 dos portugueses sofre de alergia?
  • 30% dos portugueses sofrem de rinite alérgica?
  • 18% dos portugueses têm queixas de conjuntivite alérgica?
  • 10% dos portugueses têm asma?

Porque motivo as alergias têm vindo a aumentar nas últimas décadas?

A doença alérgica tem tido um aumento exponencial nas últimas décadas nos países desenvolvidos. Acredita-se que este fenómeno esteja relacionado com o aumento da poluição atmosférica, a crescente utilização de antibióticos e a diminuição do contato dos seres humanos com a terra e com bactérias. Este é um dos “preços do progresso”.

Além disto a base genética é de extrema importância. O risco de rinite alérgica aumenta 50% quando um dos pais é alérgico e ultrapassa os 80% quando ambos os progenitores o são.

Alergias de Primavera:

As chamadas “Alergias de Primavera” caracterizam-se por espirros, comichão no nariz/olhos, obstrução nasal, pingar do nariz e olhos vermelhos. Tecnicamente estes sintomas traduzem uma doença chamada Rinite Alérgica. O nosso sistema imunitário assume como inimigas determinadas substâncias (pólenes) consideradas habitualmente banais e faz disparar um alerta interno que leva a uma cascata de reações que culminam nos sintomas de Rinoconjuntivite Alérgica. 

Em Portugal os pólenes mais frequentemente implicados na doença alérgica são os das gramíneas, cuja polinização ocorre de março a junho. Outro pólen frequente é o da Oliveira que poliniza de maio a junho. A Parietária Judaica (alfavaca-de-cobra) é uma erva com dois picos de polinização anual, um primeiro em abril e maio e um segundo em setembro e outubro. As condições meteorológicas têm mudado muito nas últimas décadas o que gera alguma confusão nas estações do ano tornando-se difícil prever as épocas polínicas.

Este tipo de alergia de caráter sazonal volta a aparecer na primavera seguinte. Existe uma inflamação crónica que é ativada todas as primaveras pelos aeroalergénios que andam no ar. 

É normal ter alergias quando chega o calor?

É muito habitual a desvalorização da doença alérgica e ser quase assumido como normal ter alergias mal chega o tempo quente. A habituação a estes sintomas primaveris leva a um decréscimo importante da qualidade de vida dos doentes. Os doentes tomam anti-histamínicos de forma pontual e irregular mascarando sintomas em vez de tratar a doença. A rinite alérgica deve ser tratada pois pode evoluir para asma alérgica com o passar dos anos. 

Quando consultar um Imunoalergologista?

Se existem sintomas compatíveis com uma possível alergia, deve consultar um Imunoalergologista e fazer os exames necessários. 

Os sintomas de rinite podem ser aliviados com alguns sprays nasais e com anti-histamínicos. Muitas vezes é possível prescrever “vacinas das alergias” (Imunoterapia específica) de modo a controlar a evolução da doença, minimizar os sintomas, diminuir o uso de fármacos e inibir a evolução da rinite para a asma.

Embora não exista cura para as Alergias, existem maneiras de controlar os sintomas e ter qualidade de vida na época polínica.

Este ano os espirros foram especialmente embaraçosos para estes doentes. Não é raro, ver-se as pessoas a afastar-se de quem espirra especialmente quando se está numa fila a aguardar a vez de entrar num espaço público. Como se pode ver, nem todo o espirro é sintoma da COVID-19…

 Conselhos:

  • Informe-se sobre os pólenes que circulam no ar. Consulte o boletim polínico disponível no Site da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica;
  • Evite idas ao campo durante os períodos de grande concentração de pólenes;
  • Proteja os olhos com óculos escuros durante o dia;
  • Abra as janelas de sua casa ou de manhã muito cedo ou apenas ao início da noite;
  • Ande de carro de janelas fechadas; 
  • Ande de mota com capacetes fechados.

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