A importância de viveres a tua vocação

Hugo Morais // Dezembro 26, 2023
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vocação
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Vocação é um termo derivado do verbo no latim “vocare” que significa “chamar”. Por definição é um talento ou habilidade natural, que leva o indivíduo a exercer uma determinada carreira ou profissão que lhe vai dar prazer.

Dada a definição do que é a vocação, sugiro este pequeno exercício de 2 questões para vos levar a refletir: 

  1. Vamos pensar em 10 jovens que conhecemos, quantos diriam que é importante viver a sua vocação? Provavelmente mais de 8 certo? Ou seja, mais de 80% dos jovens que conhece entendem ser algo importante;
  2. Agora vamos pensar em 10 adultos que conhecemos, quantos efetivamente estão a viver a sua vocação ou já a identificaram? Provavelmente menos de 3 certo? No entanto, desse grupo de 10 adultos, quantos em jovens consideravam ser algo importante? E o que será que aconteceu entretanto?

Julgo neste momento todos termos chegado à relevante reflexão que estas 2 perguntas nos direcionam:

A partir de quando ou em que momento das nossas vidas, é que viver/identificar a nossa vocação deixa de ser uma prioridade para nós?

A maioria de nós, enquanto jovens, reconhecemos a importância de viver a nossa vocação. No entanto, não é uma preocupação imediata: “Logo temos tempo para pensar nisso”. Mas… se é algo importante porque haveremos de deixar para mais tarde? Será que as mais de 2h/dia em média que os adolescentes gastam nas redes sociais serão mais relevantes? E se reduzíssemos para metade esse número, e a outra metade for dedicada a descobrirmos o tal talento ou habilidade natural? E porque haveríamos de excluir os adultos desta busca? Existe alguma data de validade para descobrirmos as nossas aptidões naturais? Claro que não! Então porque não dedicar 30 minutos do meu dia ou 1h do meu sábado ou do meu domingo a essa busca? É assim tão impossível?

O que acontece na maioria das vezes é que a vida vai tomando o seu rumo e as responsabilidades apoderando-se do nosso tempo. Concluímos um curso ou começamos uma carreira e, à medida que os anos vão passando, a nossa vocação deixa de estar presente no nosso imaginário, passando a emergir apenas em conversas superficiais de esplanada de café, em que se debitam umas ideias das coisas que poderíamos ter sido ou alcançado e que nunca irão ver a luz do dia. Aquilo que em tempos era algo importante deixa de o ser, substituídos por argumentos como: “Tenho responsabilidades e contas para pagar”; “Já não tenho idade”; “Tem riscos associados”; “Mudar agora dá muito trabalho”; “Faltam-me apoios ou recursos”; “Não tenho tempo”… E esses argumentos ficam inscritos nas paredes da nossa consciência como outdoors publicitários não nos permitindo mais sonhar.

Serão esses argumentos assim tão válidos? Claro que sim. São argumentos a ter em conta, mas serão mesmo impeditivos de vivermos a nossa vocação? Claro que não. Quantos exemplos existem de pessoas que mudaram a sua vida numa fase mais adiantada? Não serão estes argumentos antes desculpas para ficarmos na nossa zona de conforto? Sim porque entre a insatisfação do meu dia a dia e o risco do desconhecido, o que escolhemos nós? Optamos pelo desconforto conhecido, sempre tem menos riscos.

A partir daí acreditamos que vivermos a nossa vocação passa a ser um bónus, um luxo, a que só alguns, com sorte, terão acesso. E pergunto: Mas quem disse? Porque haveremos de aceitar isso? Porque haverás tu de aceitar que esta é única verdade do teu caminho? 

Dediquem mais tempo aos vossos sonhos!

A intenção desta reflexão não é o de deixarem tudo de um momento para o outro e passarem a trabalhar e fazer apenas e só aquilo que mais gostam. É, sim, o de não desistirem nunca de viverem o vosso sonho. Dediquem-se a ele nas horas vagas, procurem as respostas nas horas vagas. Vai levar mais tempo do que aquilo que pensavam? Vai, mas e então? Ao menos estão nessa direção, e acreditem que muitos dos vossos melhores momentos da semana irão passar a ser os que estão relacionados com este processo de descoberta. 

Os nossos dias têm 24h, ora a escolha passa por passarmos mais de metade do tempo que estamos acordados ao longo de toda a nossa vida a cumprir uma obrigação e uma lista de tarefas, ou numa atividade em que nos sentimos entusiasmados, realizados e felizes. 

Deixo-vos, então, este minuto para responderem à seguinte questão: o que vos impede de uma parte da vossa semana ser dedicada à busca do vosso propósito? Não interessa o quanto, o que interessa é começar. É pouco o que tens para dar? Que seja. Mas começa! Sente que já estás no teu processo e começa! 

Vocação é sinónimo de grandiosidade e sucesso?

Um raciocínio que surge muitas vezes a vivermos a nossa vocação é associá-la a algo grandioso, a grandes feitos, a ganhar muito dinheiro, a ser o/a melhor/a do mundo em alguma atividade. Mas porquê? Quem disse que viver a vocação tem de ter esta grandiosidade?

Recordam-se da definição com que começámos este artigo? Vocação é um talento ou habilidade natural que leva o indivíduo a exercer uma determinada carreira ou profissão que lhe vai dar prazer. Não está na definição que nos vai trazer dinheiro, fama, grandiosidade. Tudo isso pode vir a ser uma boa consequência, se isso fizer parte dos teus planos, mas não deve ser a tua motivação porque se assim for existe um grande risco de nunca encontrares a tua verdadeira vocação. Lembra-te, teres sucesso numa determinada área não implica estares a viver o teu propósito.

Como identificar e viver a minha vocação?

Existe uma teoria que diz que todas as pessoas têm o seu próprio nº de horas para descobrir a sua vocação, como exemplo alguns podem lá chegar ao fim de 40h, outros 400h e outros podem ser mais de 4000h. Agora quem vai lá chegar primeiro? Depende. Quem nunca começar pode simplesmente ter ficado à porta de a ter descoberto. Por isso, sem pensar nas horas necessárias, mais vale começar já não acham?

Em termos de metodologia, podemos dividir esta procura em 3 passos:

1.º Passo – Autoconhecimento

Um ponto inicial e essencial está em conhecer-nos. Para isso façam uma lista das vossas aptidões e das vossas paixões (coisas que gostam de fazer). Se essa lista for curta então está na hora de se desafiarem, de ter experiências novas, lidar com pessoas diferentes. Só assim vão conseguir mais facilmente distinguir as coisas que gostam e as coisas que são bons a fazer. Ora isso não se consegue fechados no quarto ou agarrados ao telemóvel, ou a fazer sempre as mesmas coisas, por isso vamos lá fazer uma lista de desafios, de experiências diferentes, pode ser de voluntariado, de trabalhos de verão, ou de fins-de-semana, pesquisem formações, workshops (dança, cerâmica, teatro, escrita, jardinagem, cozinha), cursos (algum software, vídeo, fotografia, design), aulas numa área que queiram explorar (alguma língua ou especialização) e não, nem tudo é pago, não se cubram já com desculpas para não se informarem, certo? Façam essa lista, coloquem já na vossa agenda quando vão começar e partilhem com quem vos rodeia, isso vai dar-vos mais compromisso.

Outro ponto importante, rodeiem-se das pessoas certas (aquelas que não querem fazer nada, não vos acrescentam nada). Não estou a dizer com isto que precisam de mudar de amigos ou de família, mas, sim, que devem procurar passar algum do vosso tempo da semana com pessoas que, tal como vocês, querem expandir-se e evoluírem, explorando o mundo a fazer coisas novas. Vão ver, há muitos, muitos mais como vocês.

Resumindo, tendo experiências variadas e estando com pessoas diferentes é que expandimos os nossos horizontes. E à medida que se vão conhecendo melhor e descobrindo o que gostam e são bons a fazer, vão complementando a vossa lista de características e de paixões.

2.º Passo – Visualização

Respondam à seguinte pergunta: “Se o sucesso estivesse garantido, qual seria o projeto que gostarias de estar envolvido/a daqui a 5 anos?”. A partir desta pergunta, visualizem quem é que vocês querem ser daqui a 5 anos, como é que desejam que seja o vosso dia a dia, em que tipo de projetos gostariam de estar envolvidos, com que tipo de pessoas gostariam de passar o vosso tempo? E escrevam o vosso dia a dia, desde o momento em que acordam. Façam essa viagem visual. O passo a passo dessa viagem vai dar-vos muita informação.

3.º Passo – Planeamento

Temos, então, o ponto de partida (as nossas aptidões e paixões) e um ponto de chegada (onde me visualizo daqui a 5 anos se o sucesso estivesse garantido), tratem agora de colocar no papel o que consideram que precisam de desenvolver, quais os passos, os degraus necessários para ir subindo até chegarem ao vosso destino. E sempre que vos ocorrer um obstáculo, ou um problema no vosso planeamento, pensem automaticamente de que forma o poderiam contornar, o que seria necessário para o ultrapassar e vão colocando uma possível solução para cada problema. Quando terminarem o vosso plano de ação, provavelmente o que era assim tão utópico, tão inatingível, irá começar a parecer possível. A expetativa instala-se e daí advém o entusiasmo para iniciarem o vosso processo, passo a passo. Foquem-se apenas no próximo passo, não no objetivo final, iniciem o vosso plano e desfrutem da viagem. Vai valer a pena! Acreditem. Let´s do this!

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