A arte do greenwashing

Leila Teixeira // Agosto 10, 2020
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Sabe identificar quando um produto não é tão “verde” quanto o pintam?

Não podemos negar que a sustentabilidade está na moda. Com os crescentes sinais de alarme sobre o que andamos a fazer à nossa casa comum, tem-se assistido a uma nova tendência de mercado: os consumidores estão a tornar-se mais exigentes, mais conscientes e mais criteriosos nas suas compras, o que, por sua vez, potencia o aparecimento dos mais variados produtos que se auto intitulam «verdes», «amigos do ambiente» e «sustentáveis», com o objetivo de passarem pelo novo crivo apurado dos consumidores. Como jogadoras atentas que são, as empresas aperceberam-se cedo desta tendência e as estratégias de venda passaram a ser definidas tendo por base estas características, enaltecendo-as e, muitas vezes, embelezando informações específicas sobre um determinado produto. Infelizmente, aquilo que deveria ser algo positivo é, na maioria das vezes, ofuscado pelos interesses de uma indústria que tem os dias contados. Esta tendência assustadora de nos tentarem vender «gato por lebre» é chamada de greenwashing.

A arte do greenwashing

Apesar de, provavelmente, já ter ouvido falar deste conceito e saber mais ou menos do que se trata, será que consegue identificar casos de greenwashing quando os vê? Existe uma série de questões às quais pode (e deve) estar atento e, para nos ajudar nesta tarefa inglória, o projeto TerraChoice apresentou-nos, em 2013, os principais «pecados» praticados por governos e empresas nesta batalha pela conquista dos consumidores. Conheça os principais.

Conheça os três principais tipos de greenwashing que estamos mais habituados a ouvir:

  1. Pecado dos atributos omitidos – que se verifica sempre que se destaca apenas um benefício ambiental, «esquecendo» convenientemente os restantes. Por exemplo, afirmar que um produto é biodegradável, quando, (1) ainda não existem estudos suficientes que o comprovem (fazendo a ligação com o «pecado» seguinte), e (2) é ignorado o facto de se estarem a utilizar recursos alimentares para os produzir;
  2. Pecado da falta de provas – verifica-se quando são enaltecidos determinados benefícios ambientais de um produto, sem que os mesmos estejam (ou possam) ser comprovados. Nesta categoria podem encontrar-se, por exemplo, produtos de cosmética que dizem que são livres de determinada substância química, quando não existe nenhuma certificação que o comprove, ou publicidade como «a lâmpada mais eficiente do mercado» ou «produto não testado em animais», mais uma vez, sem forma de aferir a veracidade destes argumentos;
  3. Pecado da promessa vaga – quando existe, por exemplo, a banalização de certos atributos como «produtos livre de químicos» (bem, como assim?…), «100% natural» (quando urânio, arsénio e outros venenos são também considerados «naturais», já que existem na natureza), «verde» ou «amigo do ambiente».

Dito de outra forma, existe greenwashing quando as empresas se apropriam de certas características de um produto, que podem ou não ser benéficas para o ambiente, e as utilizam como vantagens de venda, através da sua inclusão em estratégias de marketing, de publicidade e de relações públicas. Por outras palavras, é a manipulação de determinada informação, de forma a que daí advenha uma vantagem de mercado para o seu produtor ou para a empresa que o comercializa.

Nem sempre é fácil percebermos quando aquilo que nos estão a dizer não corresponde à verdade – bem, pelo menos a toda a verdade. Por isso mesmo, no meu livro «Defender o Futuro – Manual para o Cidadão Consciente», pode encontrar esta e outras das principais «Mentiras Verdes» que nos tentam vender quando falamos de sustentabilidade, explicadas de forma simples, mas extremamente esclarecedora. O preço oculto das nossas coisas, a obsolescência programada ou o mito da reciclagem são algumas delas e pode ter a certeza que nunca mais irá olhar para estas questões da mesma forma depois de perceber como funciona realmente o mercado e descobrir todas as coisas que ninguém quer que saiba. 

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