7 Perguntas e respostas sobre Ovários Micropoliquísticos

Luis Ferreira Vicente // Agosto 19, 2020
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1. O que é a Síndrome de Ovários Micropoliquísticos?

A Síndrome de Ovários Micropoliquísticos é a alteração endócrina mais frequente nas mulheres em idade fértil. Estima-se uma prevalência entre 8 e 13%, de acordo com as populações estudadas.

2. Ovários Poliquísticos ou Ovários Micropoliquísticos?

A designação correta é micropoliquísticos porque está relacionada com múltiplos folículos de pequenas dimensões dispostos à periferia do ovário e não de múltiplos quistos. 

Os quistos, que também podem surgir nos ovários, têm de ter dimensões superiores a 20mm, que é a dimensão que atinge um folículo na ovulação. 

Nos Ovários Micropoliquísticos existem mais de 20 folículos em cada ovário, detectados por ecografia.

Ovário Micropoliquístico

3. Ovários Micropoliquísticos ou Síndrome de Ovários Micropoliquísticos?

Só é considerada Síndrome dos Ovários Micropoliquísticos quando inclui dois de três critérios:

  1. Imagem ecográfica de ovários micropoliquísticos;
  2. Alterações da menstruação. Ciclos muito longos (mais de 45 dias) ou ausência de menstruação;
  3. Critérios de hiperandrogenismo, isto é, sinais clínicos de aumento de hormonas masculinas com aumento de pelos (hirsutismo).

Nem sempre foram utilizados estes critérios, mas o Consenso de Roterdão, veio clarificar a síndrome.

4. Posso ter ovários micropoliquísticos sem a síndrome?

Verdade.

Pode existir um padrão ecográfico de ovários com múltiplos folículos à periferia, sem existir qualquer outro critério. A presença de múltiplos folículos é até um bom sinal porque se relaciona com uma boa reserva ovárica. Esse padrão, sem outro critério da definição da síndrome, não tem, assim, qualquer implicação.

Não tem de ficar preocupada apenas porque lhe disseram, no decorrer duma ecografia, que tem uns ovários micropoliquísticos. É até sinal que tem uma ótima reserva ovárica.

5. Fiz uma ecografia e disseram-me que ia ser difícil engravidar.

Mito.

Se não tem mais nenhum critério da síndrome, não é verdade.

Se tiver ciclos muito longos, com mais de 45 dias, é natural que tenha a síndrome, e aí pode ter ciclos sem ovulações. Por isso, a gravidez pode levar mais tempo. Nessa situação, o facto de não ocorrer a ovulação é que é responsável por ser mais difícil que a gravidez aconteça. Mas, a gravidez acontece sempre. Pode ser preciso fazer medicação para induzir a ovulação.

6. Como se faz uma indução da ovulação?

A indução da ovulação faz-se, numa primeira linha com comprimidos. É o tratamento com o maior sucesso em Medicina da Reprodução. Num primeiro ciclo, costuma ser aconselhado efetuar uma monitorização da ovulação através da ecografia. A ecografia dá-nos o padrão de resposta (quando será o dia mais fértil) e o risco de resposta de múltiplos folículos (e com risco de gravidez múltipla ou gemelar).

7. Que outras medidas tomar quando tenho a síndrome?

Dependendo das populações, a síndrome pode estar associada a excesso de peso e obesidade. A dieta e o exercício físico com o objetivo de redução do peso é uma medida importante, com o reaparecimento da ovulação e menstruação.

Em situações de ciclos muito longos, ou ausentes, devemos retomar as menstruações. A persistência duma estimulação continuada do endométrio pode levar a alterações graves. Para se resolver esta situação, temos duas alternativas:

  • Se não pretende engravidar, deve iniciar uma pílula contraceptiva;
  • Se quiser engravidar, deve fazer uma indução da ovulação, para encurtar o tempo até à gravidez.

Por vezes, pode estar associada uma resistência aumentada à insulina, pelo que o seu médico lhe pode prescrever um medicamento insulino-sensibilizante. Estes medicamentos são utilizados na diabetes mellitus do tipo II, para aumentar a sensibilidade à insulina. Não existe risco de desencadear hipoglicémia, porque não atua diretamente para baixar os níveis de açúcar.

Ovário micropoliquístico com imagem de corpo amarelo depois da ovulação ter ocorrido.
À direita, uma gravidez precoce in útero.

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