5 formas de ensinar ecologia às crianças

Equipa Planetiers // Setembro 27, 2018
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Quem está habituado ao discurso ecológico sabe que um dos argumentos mais utilizados para convencer alguém a proteger o ambiente é: “Temos de mudar já. Por nós, mas principalmente pelas novas gerações”. Isto é 100% verdade. Se neste momento já vemos consequências das alterações climáticas e poluição descontrolada, as próximas gerações serão as grandes vítimas destes comportamentos destrutivos que a espécie humana tem praticado nas últimas dezenas de anos.

Para quem já luta por esta causa, pratica um estilo de vida consciente e sente que pouco mais há a fazer, desengane-se – podemos sempre inspirar e passar mensagem a outros, especialmente aos mais novos.

Se são muitas as pessoas que não tem estes cuidados ambientais, são também muitas as crianças que andam a seguir os exemplos errados.

Mas, não serão as crianças muito novas para estes assuntos ambientais?

Um estudo de ‘Kidd e Kidd’ (1997) quis aprofundar o porquê de um grupo de alunos fazer voluntariado num Museu de Conservação da Biodiversidade, na Califórnia, enquanto os seus colegas não mostravam qualquer interesse por essas causas. Depois de várias entrevistas, este estudo descobriu algo em comum: todos eles tiveram, quando eram bem mais jovens, um contacto frequente com a natureza, através de viagens de família por paisagens naturais, campismo ou relações próximas com animais domésticos.

Apesar do estilo de vida dos mais novos se estar a tornar cada vez mais sedentário e urbano, há sempre formas de dar a volta à questão sem precisar de fugir da cidade. Deixamos aqui 5 formas úteis que deves adotar para ensinar e passar esta mensagem sustentável às tuas crianças, sejam eles filhos, enteados, amigos, vizinhos ou primos afastados em 5º grau.

5 formas de passar a mensagem ecológica às crianças:

  1. Contacto com a natureza

Se “as pessoas só se apaixonam por aquilo que conhecem e só cuidam realmente daquilo que gostam”, as crianças não são diferentes. Já falámos acima da importância do contacto com a natureza e reforçamos essa ideia neste primeiro ponto.

Para além de vários benefícios para a vossa saúde, com impacto positivo nos níveis de stress e energia do corpo humano, criar desde cedo uma afeição pelas áreas verdes, é uma ótima forma de lhes ensinar a importância dos ecossistemas e demonstrar os impactos que as nossas atividades podem ter nestes meios.

Algumas dicas práticas são: promover picnics, visitas a parques urbanos, acampamentos em família (mesmo sendo no jardim de casa) ou pequenos trilhos naturais que possam todos fazer. Tudo o que envolva contacto com animais também é aconselhado, de forma a criar crianças eco responsáveis e proactivas.

  1. Hortas caseiras e animais de estimação

A responsabilidade é algo que se deve promover logo desde cedo – esta consciência ambiental não é exceção. Para que eles vejam a importância que o ambiente tem na nossa vida, nada como ter uma horta urbana em casa e cuidar dela em família e com frequência.

Por mais insignificante que pareça, podes pedir-lhe para regar os vasos ou apanhar folhas secas – estas pequenas tarefas promovem neles a proatividade, ensinam-lhes a necessidade de conservar a natureza e dão-lhes ferramentas para produzir alimentos mais saudável para toda a família.

Acresce a isto o quão divertido e glorioso é ter uma horta urbana e ver crescer o que, semanas antes, semeámos com as nossas próprias mãos.

Para crianças mais crescidas, uma sugestão é dar-lhes a responsabilidade de cuidar: semeando uma planta ou plantando uma árvore da qual devem tratar, ou atribuindo-lhes um animal doméstico sob a sua responsabilidade (com a supervisão que isso acarreta, claro).

  1. Jogos e trabalhos manuais

Muito associado à educação ambiental está também o conceito de ‘gamification’. Se por um lado, os trabalhos manuais associados a jogos didáticos promovem a proatividade e aprendizagem pela experiência, introduzir a gamificação na educação torna a mensagem a passar mais intuitiva e fácil de ser apreendida.

De acordo com a idade das crianças, alguns jogos podem passar por criar arte (ou decoração para festas, por exemplo) através de materiais que iriam para o lixo, fazer instrumentos musicais reaproveitando materiais, fazer quizzes e realizar jogos que promovam o conhecimento de espécies diferentes e vida selvagem, por exemplo.

  1. Jogos eletrónicos e aplicações móveis

Não há dúvida de que as crianças de hoje vivem numa era muito mais digital do que a nossa e abraçam novas tecnologias com uma facilidade surpreendente.

Com a tecnologia a fazer parte do dia-a-dia das nossas crianças e com uma relação tão próxima a estes dispositivos, há que vê-los não como uma ameaça, mas uma forma perfeita de passar esta mensagem ecológica.

Para além das aplicações informativas que já existem, um outro conceito que começa a surgir é o ‘Eco Gaming’ – jogos eletrónicos que ensinam comportamentos ecológicos de uma forma divertida e intuitiva às nossas crianças. Mais do que quizzes, estes jogos estão cada vez mais desenvolvidos e equiparam-se facilmente aos jogos comuns em termos de entretenimento.

Com a missão de fazer a nossa parte na educação dos mais novos, a Planetiers desenvolveu, em colaboração com a Câmara Municipal de Guimarães, o Eco Afonsinho – um jogo que traz até Guimarães um mini Dom Afonso Henriques, que se apercebe dos problemas ambientais da cidade e luta pela conquista da sustentabilidade e qualidade de vida dos Vimaranenses.

No evento de Lançamento, que contou com a presença da Fátima Lopes, as crianças ficaram super entusiasmadas com o jogo e mostraram-se recetivas a ajudar o Afonsinho a tornar a sua cidade ainda mais sustentável.

  1. Através do exemplo – Dentro e fora de casa

Apesar de parecer básica, esta última forma é transversal a qualquer outra que possamos referir (e a que mais é desrespeitada). Não é mentira quando dizem que o maior método de aprendizagem comportamental das crianças é a imitação.

Mais do que ensinar dizendo, há que ensinar fazendo. Algumas dicas úteis passam promover a reciclagem, nunca desperdiçar restos de comida – podem muito bem dar corpo a um prato novo ou serem compostados em casa, poupar na água e eletricidade (fechar a torneira e desligar interruptores quando desnecessários) ou promover uma alimentação equilibrada, saudável e amiga do ambiente.

Algumas técnicas para promover a poupança de recursos, no caso de crianças mais jovens, pode ser colocar um super herói no interruptor para ele não se esquecer de os desligar ou tornar o tempo de banho, numa corrida – uma torneira de água a correr durante 1 a 2 minutos pode gastar até 150 litros de água (no fim do mês, estes pequenos gestos notam-se facilmente na contas de casa).

É também importante comprar com consciência, dar prioridade a produtores locais – frequentando feiras e lojas de bairro -, comprar apenas o necessário, andar a pé sempre que possível e evitar as embalagens plásticas.

Para que a aprendizagem perdure, é importante explicar o porquê desses comportamentos, com argumentos fundamentados e fáceis de entender. Como para ensinar é preciso estar bem informado, podes encontrar alguns artigos informativos no nosso blog – desta forma garantes que tens a informação necessária para poder ensinar os mais jovens e, mais do que isso, inspirar as novas gerações a tomar medidas construtivas pelas próprias mãos.

Nota: Fotografias por Verónica Silva.

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