5 Curiosidades sobre o sono

Bruna Reis e Sofia Rebocho // Junho 20, 2023
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Já todos ouvimos dizer que dormir cura tudo: um dia mau, uma constipação chata, um coração partido, um corpo dorido, uma borbulha teimosa e até mesmo o mau humor. Ainda que não possamos garantir que vá curar esta extensa lista, não há dúvidas científicas de que, ao dormirmos bem, melhoramos o nosso desempenho no dia a dia, a aparência, a aptidão física, as relações e a prevenção de doenças. Aqui ficam 5 curiosidades sobre o sono. 

1- A insónia não é só caracterizada por dificuldade em adormecer.

A insónia é uma das queixas mais frequentes e caracteriza-se por uma incapacidade de gerar sono em quantidade ou qualidade suficientes, apesar de se conceder uma oportunidade adequada para dormir. Normalmente estão associadas repercussões diurnas. Mas a verdade é que ter dificuldade em adormecer é apenas uma das características da insónia. Pode também ser caracterizada por acordar mais cedo do que o planeado e não conseguir readormecer (insónia terminal) ou dificuldade em permanecer a dormir (insónia intermédia). Importa saber que a insónia é um distúrbio do sono multifatorial, complexo e que varia de pessoa para pessoa, sendo importante procurar o profissional certo para o seu tratamento, existindo intervenções não farmacológicas e farmacológicas. 

2- Existe uma fase do sono em que estamos paralisados.

Durante o sono, passamos por duas fases fundamentais, com características e funções diferentes: o sono NREM e o sono REM. Sempre que atingimos uma fase REM, completamos um ciclo de sono, sendo que durante a noite vamos oscilar entre estas fases várias vezes (completando entre 3 a 5 ciclos de sono, nos adultos). Habitualmente, um adulto inicia o sono pela fase NREM, sendo que o sono REM é mais dominante no final da noite. É durante esta fase REM, que a grande maioria dos nossos músculos estão paralisados (exceto os nossos olhos e os músculos respiratórios – pelo bem da nossa sobrevivência). Mas ao contrário do que se passa nos músculos, a nossa atividade cerebral está muito ativa e é nesta fase que ocorrem a maioria dos sonhos, pelo menos, os mais bizarros e fantásticos. Por isso se não estivéssemos paralisados iríamos fazer tudo aquilo com que sonhamos, o que podia ser perigoso para nós e para quem dorme ao nosso lado. Inclusive existe um distúrbio do sono, chamado distúrbio comportamental do sono REM, onde não existe esta paralisação dos músculos, que pode ter consequências graves. 

3- Passamos cerca de 6 anos a sonhar

É muito comum ouvir-se dizer que passamos cerca de 1/3 das nossas vidas a dormir. Mas já pensaram quanto desse tempo é passado a sonhar? É verdade, cerca de 6 ou mais anos são passados no mundo dos sonhos. E mesmo que não nos lembremos dos sonhos (aliás, a amnésia é uma das suas características), todos sonhamos e todas as noites. Apesar de ser uma das áreas mais fascinantes de estudar, não existe ainda consenso na sua função. Em média, a maioria das pessoas sonha cerca de duas horas por noite. Os sonhos podem ocorrer durante qualquer fase do sono e são diferentes ao longo da noite, mas, geralmente, são mais prolíficos, intensos e emocionais durante o sono REM. Durante esta fase o córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento racional e tomada de decisões, está desligado, mas as áreas visuais, emotivas e a memória autobiográfica estão ativas. E é por isso que tudo é possível!

4- Existe um tipo de jet lag que pode ocorrer sem sairmos do nosso quarto.

É verdade! E não existe coisa mais triste do que ter sintomas de jet lag sem acordar num sítio paradisíaco. Neste tipo de jet lag, os nossos horários de sono em dias de trabalho ou escola (muito por culpa do despertador) são diferentes dos horários de sono aos fins de semana ou em dias livres. No fundo, existe uma dessincronização entre o relógio biológico e o nosso relógio social (trabalho, escola ou eventos sociais). De forma simples, e para que se compreenda (até porque é mais complexo do que parece), se uma pessoa durante a semana acorda às 07h00 e num dia livre acorda por volta das 10h00, é como se adormecêssemos em Lisboa a uma sexta-feira e quando acordamos no sábado, atravessássemos uns quantos fusos horários. Esta variabilidade de horários persistente pode ser tão ou mais perigosa do que a privação de sono por si só (e normalmente o facto de acontecer pode indicar isso mesmo!). O ideal é manter os horários regulares durante a semana e fim de semana.

5- O sono é fundamental para a aprendizagem e memória.

Uma das muitas funções do sono é a consolidação da memória. Se pensarem, quando estamos acordados, estamos constantemente a receber informação que nos rodeia (o que vemos, sentimos, etc.). Todas estas experiências vão ser arquivadas num local de curto prazo, onde podem ser facilmente perdidas se não forem arquivadas. E este local não tem armazenagem infinita. E é exatamente aqui que entra o sono! Porque é durante o sono que estas informações são transferidas gradualmente para um arquivo de longo prazo, o córtex cerebral. Além disso, permite-nos também eliminar informação supérflua para não gastarmos energia no seu armazenamento. As fases do sono NREM e REM contribuem para diferentes tipos de memória: enquanto o sono NREM parece ser mais importante para a memória declarativa (por exemplo, para nos lembrarmos do nome de alguém), o sono REM está envolvido na memória procedimental (isto é, para nos recordarmos de como se anda de bicicleta). O sono é fulcral para o processo de aprendizagem, mas também para o foco, concentração, tomada de decisão, resolução de problemas e criatividade. Em vez de passarem a noite a trabalhar ou estudar, durmam!

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