11 mitos sobre a reciclagem

Equipa Planetiers // Maio 17, 2018
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Quem não se lembra do Gervásio? O chimpanzé simpático que nos ensinou a todos a reciclar embalagens usadas?

Por mais ridículo que seja, esse foi um dos pontos mais importantes da evolução da educação ambiental em Portugal. Cada vez mais portugueses começaram a seguir o seu exemplo e, hoje em dia, o conceito de Reciclagem já é uma banalidade repetida e conhecida por todos.

Porém, no caso Português a realidade ainda é confusa. Se por um lado somos, a nível europeu, um dos países que mais diz reciclar, com 7 em cada 10 portugueses a afirmarem que reciclam diariamente, por outro, nem sequer chegamos a integrar a lista dos 25 países europeus que mais reciclam (esta lista é liderada pela Alemanha e os seus 56% de resíduos reciclados).

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Segundo a ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos), apenas 10% dos resíduos em Portugal são reciclados. Afirmam, ainda, que os portugueses têm capacidade para reciclar o dobro da quantidade que reciclam, mas não o fazem por falta de tecnologia ou gestão e, em grande parte, por preguiça.

Se, neste momento, cada português paga cerca 75 euros por ano para cobrir custos da gestão de resíduos, este valor podia ser muito inferior se reciclássemos mais.

Para contribuir para a reversão desta tendência, neste Dia Internacional da Reciclagem, esclarecemos 11 mitos e dúvidas que o professor Gervásio ainda não teve tempo de esclarecer:

1. Eu reciclo, mas eles misturam tudo!

De facto, pedir às pessoas para separar e depois misturar os resíduos novamente é algo que não faz muito sentido. Tão pouco que não aconteceEste mito, em grande parte impulsionado pela imagem do camião do lixo comum, com apenas um contentor de armazenamento, é falso.

Os camiões de recolha seletiva de resíduos são bicompartimentados e depositam estes resíduos nos centros de triagem em áreas de tratamento distintas, consoante os materiais que transportam.

2. Lavar ou não lavar, não há questão.

A resposta é não. Todas as embalagens, depois de chegarem à indústria transformadora, são alvo de vários tratamentos, incluindo o processo de lavagem. Lavar antes de as colocar no ecoponto é apenas uma forma desnecessária de gastar água, tempo e dinheiro.

As embalagens devem apenas ser escorridas de todo o conteúdo e enxaguadas, se for caso disso, para evitar maus cheiros lá por casa. Contudo, sempre que possível, devem ser espalmadas – ocupam menos espaço nos contentores, diminuindo deslocações ao ecoponto e poluição provocada pelo transporte de resíduos e armazenamento.

3. E, a gordura, não prejudica o processo?

Aqui depende. No caso de plástico e vidro, não há problema. Este processo de lavagem inclui latas de conserva e garrafas de azeite que devem ser colocadas, devidamente escorridas e consoante o tipo de material que empregam, no contentor verde ou amarelo. Quando falamos em papel, o caso muda de figura. As embalagens de papel que tenham tido contacto com alimentos orgânicos ou gordurosos, como caixas de pizza, guardanapos, papel de cozinha e higiénico, lenços, pratos de papel, fraldas, papel metalizado ou autocolante, não devem ser colocados no papelão.

4. Posso colocar as escovas de dentes no ecoponto amarelo?

Na maioria dos casos não. Por ser uma peça constituída por vários materiais diferentes, dificilmente separáveis, as escovas de dentes comuns não são recicláveis – uma escova comum é feita de plástico, metal, nylon e, em alguns casos, borracha. A melhor opção será sempre optar por alternativas mais sustentáveis.

Outros exemplos de produtos que ficam longe dos ecopontos pela sua composição complexa, é, por exemplo, a esponja comum de lavar a loiça.

5. Já pago a taxa de resíduos sólidos urbanos, ainda tenho de ter o trabalho de reciclar?

Cada português produz 473 kg de resíduos por ano, o que representa um custo de 755 milhões em recolha e tratamento de resíduos (por pessoa, mais de 75 euros por ano). Estas taxas suportam o custo de transporte, recolha, infraestrutura, processos de tratamento e salários – a indústria emprega cerca de 13 mil pessoas. Se a quantidade de portugueses que recicla diminuir, é provável que esse valor aumente e que os valores pagos, consequentemente, se tornem maiores. Pela saúde de todas as nossas carteiras, vamos todos reciclar.

6. A esferovite não é bem plástica. Vai para o lixo comum?

Nada disso. A esferovite que vem dentro de caixas de eletrodomésticos ou equipamentos eletrónicos deve ser colocada no ecoponto amarelo.

Contudo, no caso de embalagens e tabuleiros para carne e congelados feitos deste material, por mais lavados que sejam, devem ser deixados no lixo comum (são feitos de um tipo de esferovite que não é reciclável em Portugal).

7. Parti um copo em casa. Meto-o no ecoponto verde?

A resposta é não. Os copos de casa, na maior parte dos casos feitos de vidro temperado, não devem ser colocados no ecoponto verde. Os vidros temperados podem ser reciclados, mas o facto de terem sofrido processos de transformação na sua produção, faz com que a sua reciclagem resulte num produto de muita fraca qualidade.

Outros tipos de vidro que também não podem ser reciclados são, por exemplo, os espelhos e o pirex.

8. Materiais que parecem, mas não podem entrar no ecoponto amarelo.

Muitos produtos plásticos e metálicos não devem ser colocados no ecoponto amarelo. A lista é grande, mas alguns exemplos são: CD’s e DVD’s, giletes, talheres de plástico, tachos e panelas, fita-cola e autocolantes, luvas de borracha, alguidares e baldes de plástico, entre outros.

9. Os produtos reciclados são mais caros de produzir que os comuns.

Apesar de a maioria dos preços de compra indicar o contrário, os produtos reciclados, em teoria, têm um custo de produção inferior. Quando encontramos alternativas recicladas a um preço superior, na maior parte dos casos, este está relacionado com a escala de produçãoAs empresas que produzem este tipo de artigo, na generalidade dos casos, têm dimensões mais pequenas e uma estrutura de distribuição mais precária, que exige outro tipo de custos.

10. O que faço com o lixo volumoso?

Fácil e cómodo: pedir a recolha. São várias as câmaras e associações que fazem a recolha a custo zero para posterior reciclagem ou reutilização. Em vez de tentar colocar colchões, móveis ou eletrodomésticos antigos nos caixotes do lixo da sua rua, estas entidades recolhem estes materiais a pedido e à porta de sua casa.

11. E, resíduos recicláveis, mas sem ecoponto?

São muitos os resíduos que, apesar de não terem um ecoponto associado, podem ser reciclados. Por exemplo: pilhas (entregues nos pilhões ou centros comerciais), eletrodomésticos pequenos (ponto electrão), caixas de madeira (que podem ser entregues em qualquer ecocentro), óleos (na rede de óleões) ou mesmo rolhas de cortiça (Projecto Green Cork, através da Quercus e deixando as rolhas em alguns hipermercados e centros comerciais).

Esclarecemos alguma das vossas dúvidas? Esperamos que sim. De facto, a informação é dispersa e esta coisa simples que o Gervásio fazia, por vezes, pode tornar-se confusa.

Contudo, mais do que a importância de reciclar há que pensar no planeta uns passos atrás. Não é à toa que Reciclar é apenas o 3º da política dos 3 R’s. Antes deste há que Reduzir os recursos gerados e Reutilizar os materiais até que estes não tenham mais serventia. Esta noção é o primeiro passo para uma gestão de resíduos mais eficiente e amiga do ambiente.

 

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